No domingo (13/05), é celebrado o Dia das Mães e, em homenagem a essa data, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) reforça a atenção para o cuidado com a saúde da mulher e do bebê, além de informar e fortalecer as ações relacionadas à saúde materna no estado. Entre as iniciativas propostas pelo Governo do Estado, estão o acompanhamento da gestação, por meio do pré-natal, incentivo à humanização do parto e nascimento, estímulo ao parto normal e redução no índice de mortalidade materna.

Crédito: Agência Brasil

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A alta taxa de mortalidade configura uma violação dos direitos humanos de mulheres e crianças e um grave problema de saúde pública. O Estado de Minas conseguiu, nos últimos anos, ter progressiva redução no índice de morte materna. Em 2010, a razão de mortalidade materna era de 47 e, em 2016, a razão foi de 41,4. O cálculo da razão de mortalidade materna é realizado a partir do número de mortes maternas sobre 100.000 nascidos vivos.

Segundo a coordenadora estadual de Atenção à Saúde das Mulheres e Crianças, Karla Caldeira, essa queda é resultante, em grade parte, do desenvolvimento de diversas ações propostas pela SES-MG para a assistência à saúde das mulheres. “Esse índice precisa diminuir ainda mais, mas essa redução configura melhoria na qualidade de vida e êxito nas políticas de atenção à saúde implementadas em Minas. Consideramos que as diversas ações que são desenvolvidas no Estado contribuem para a redução no número de mortes de mulheres durante a gestação, parto e até 42 dias após o término da gestação, causadas por qualquer fator relacionado ou agravado pela gravidez”, afirmou.

Karla Caldeira destaca que as ações de capacitação são planejadas e executadas no estado para potencializar a redução das mortes evitáveis. “Essas ações contínuas são realizadas por meio de cursos e capacitações para profissionais de saúde. A revisão da estratificação de risco gestacional, publicada em agosto de 2016, por exemplo, tem mobilizado as regionais de saúde para a capacitação dos profissionais dos municípios. Após esse treinamento, com equipes de multiplicadores regionais, foram capacitados 2239 profissionais do estado, nos anos de 2016 e 2017”, explicou.

Além dessas, outras inciativas relacionadas à assistência à saúde da mulher são desenvolvidas em Minas Gerais, como a reorganização do Comitê Estadual de Prevenção do Óbito Materno, Fetal e Infantil, em 2015, que por meio do monitoramento e análise desses óbitos ocorridos no estado, juntamente com os Comitês Regionais, Municipais e Hospitalares, propõe ações a serem implantadas e implementadas com finalidade de prevenção de novos óbitos. Destacamos também o Programa Rede Cegonha que envolve financiamento federal com contrapartida estadual para 46 instituições que realizam partos em todas as regiões do Estado, e o Projeto Zero Morte Materna por Hemorragia Pós-Parto, parceria entre SES-MG e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que prevê a qualificação dos profissionais de maternidades sobre técnicas para conter a hemorragia no pós-parto e evitar a morte materna por complicações dessa natureza.

Parto Humanizado

O Sistema Único de Saúde (SUS) propõe à mãe e ao bebê um parto normal, humanizado e seguro com cuidados que irão minimizar riscos desnecessários e que promovam conforto e segurança. Em Minas Gerais, os partos normais realizados no SUS são maioria. Em 2017, dos 173.634 partos realizados no estado pelo SUS, 54,3% foram normais. Segundo Karla Caldeira, os benefícios desse tipo de parto se estendem não só a mãe, mas também ao bebê.

“O parto vaginal, por ser um processo fisiológico, diminui riscos para a saúde da mulher e da criança. Ele favorece uma recuperação mais rápida, permite melhor interação com o bebê e diminui chances de complicações. O hormônio ocitocina, responsável pelas contrações da musculatura uterina, contribui para a descida mais rápida do leite. Para o bebê, o parto normal também é vantajoso, pois apresenta benefícios para o ritmo cardíaco, fluxo sanguíneo e a maturação pulmonar da criança”, explicou.

A humanização do parto permite que a mulher participe das decisões que dizem respeito a ela e a seu bebê, envolvendo médicos obstetras, obstetrizes (parteiras), enfermeiras, doulas, entre outros. Deve ser garantida a presença de acompanhante de escolha da mulher, conforme previsto em lei. Também, não devem ser realizados procedimentos desnecessários e que não possuem embasamento científico. O parto humanizado significa respeito o processo fisiológico do nascimento, favorecendo uma vivência positiva da mulher nesse momento.

Para a comerciante Nathalia Ribeiro, 26 anos, mãe de duas filhas, de parto natural, a forma como foi atendida na maternidade foi essencial para ter um parto tranquilo. “Na chegada da minha primeira filha, eu estava muito ansiosa de como seria esse momento. Na hora do trabalho de parto, fui direto para uma maternidade do SUS, em Belo Horizonte. Lá fui muito bem acolhida, acompanhada por uma doula e pelo meu marido, fiquei em uma banheira com água até a hora no nascimento. Sempre quis ganhar meu bebê de parto natural e o ambiente que me proporcionaram, me acalmou e ajudou a controlar todas as reações que o meu corpo passava durante aquele momento. Os dois partos foram naturais, humanizados e emocionantes”, disse.

Aleitamento materno

Desde o nascimento, o bebê já é estimulado à amamentação. O leite materno, devido a sua composição de nutrientes, é considerado um alimento completo que participa diretamente do crescimento e desenvolvimento saudável do bebê durante os primeiros 2 anos de vida ou mais.

A coordenadora estadual de Atenção à Saúde das Mulheres e Crianças, reforçou que o leite é um alimento muito importante de fácil e rápida digestão, “evita mortes infantis, ao proteger contra diarreia e infecções respiratórias; diminui os riscos de alergias, incidência de hipertensão, colesterol alto, sobrepeso e diabetes na vida adulta. O aleitamento materno também contribui para o desenvolvimento cognitivo, melhora a nutrição e o desenvolvimento da cavidade oral”, disse.

Em Minas Gerais, temos 21 hospitais Amigos da Criança, reconhecidos pelo Ministério da Saúde devido a suas práticas voltadas para orientação, incentivo e apoio ao aleitamento materno. Temos também 13 Bancos de Leite Humano (BLH), que são responsáveis pela preparação e distribuição de leite para bebês prematuros e/ou de baixo peso internados das próprias instituições e hospitais parceiros. Para os casos de mães que possuem dificuldades relacionadas ao aleitamento materno, elas podem procurar o Banco de Leite Humano (BLH), Posto de Coleta de Leite Humano (PCLH) ou Unidade Básica de Saúde mais próxima de sua residência para orientações e apoio.

Por Míria César