O Outubro Rosa é um movimento mundial criado na década de 1990 para estimular a participação da população no controle do câncer de mama e, consequentemente, de incentivo à saúde da mulher. O nome é referente ao laço rosa que simboliza todo o trabalho de mobilização e a importância da prevenção e do tratamento da doença que, no Brasil, é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Em 2015, a Secretaria Estadual de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) quer conscientizar as mulheres acerca das boas práticas de saúde que contribuem para melhorar a qualidade de vida e podem prevenir doenças como o câncer de mama e o câncer do colo do útero. Além disso, alguns prédios públicos de Belo Horizonte, como o do Palácio da Liberdade, terão a iluminação rosa como forma de estimular a conscientização da população em torno da campanha.

Estatísticas

Em Minas Gerais o câncer de mama é o de maior incidência em mulheres. As estimativas do Instituto Nacional do Câncer (INCA), órgão ligado ao SUS, para o estado em 2014 apontavam que eram esperados 5.210 novos casos da doença, uma taxa bruta de incidência de 49,17 para cada grupo de 100 mil mulheres mineiras. O Registro Hospitalar de Câncer do estado demonstrou que em 2013, 4.905 mulheres mineiras fizeram a primeira consulta por câncer de mama. A taxa de mortalidade feminina por câncer de mama em Minas, estimada pelo INCA em 2013, é de 11,37 óbitos para cada grupo de 100 mil mulheres. 

Enquanto isso, o câncer de colo do útero é o segundo de maior incidência entre as mulheres mineiras e as estimativas apontaram 880 novos casos esperados em 2014, uma taxa de 8,31 casos para cada grupo de 100 mil mulheres. Em 2013, 1.601 mulheres fizeram a primeira consulta hospitalar por câncer de colo de útero. A taxa de mortalidade por câncer de colo de útero em Minas, estimada pelo INCA em 2013, é de 3,53 óbitos para cada grupo de 100 mil mulheres.

De acordo com a diretriz da nova gestão que se iniciou neste ano de 2015, os mamógrafos móveis irão percorrer os municípios mineiros onde as mulheres têm menos acesso a mamografia. Por isso, todas as mulheres com idade entre 40 a 49 anos devem procurar uma Unidade Básica de Saúde e pedir para marcar uma consulta médica para avaliação da necessidade de realizar o exame de mamografia. Já para as mulheres na faixa etária de 50 a 69 anos, basta solicitar a requisição de mamografia e agendar o seu exame. Confira na galeria abaixo a rota dos dez caminhões equipados com mamógrafos neste mês de outubro:

O que é o câncer de mama?

O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres do mundo e a primeira causa de mortes por câncer feminino no Brasil. O diagnóstico precoce é essencial para se garantir a detecção da doença em seu estágio inicial, aumentando em mais de 90% o sucesso do tratamento. A recomendação para as mulheres de 40 a 49 anos é a realização do exame clínico das mamas e da mamografia, conforme indicação da equipe de saúde e protocolos de rastreamento. Para mulheres de 50 a 69 anos a recomendação é a realização do exame clínico das mamas, conforme indicação da equipe de saúde e da mamografia de rastreamento de 2 em 2 anos. Em caso de suspeita clínica, a mamografia diagnóstica e outros exames complementares devem ser realizados em qualquer faixa etária, com indicação da equipe de saúde.

Quais são os sintomas do câncer de mama?

Geralmente, aparece um nódulo único, não doloroso e endurecido na mama. Outros sintomas, porém, devem ser considerados, como a deformidade e/ou aumento da mama, a retração da pele ou do mamilo, os gânglios axilares aumentados, vermelhidão, edema, dor e a presença de líquido nos mamilos.

Como se dá o tratamento do câncer de mama?

As formas de tratamento variam conforme o tipo e o estadiamento do câncer. Os mais indicados são: quimioterapia (uso de medicamentos para matar as células malignas), radioterapia (radiação), hormonoterapia (medicação que bloqueia a ação dos hormônios femininos) e cirurgia que pode incluir a remoção do tumor ou mastectomia (retirada completa da mama). É importante lembrar que todo o tratamento é oferecido no Sistema Único de Saúde (SUS).

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O que é o câncer de colo de útero?

O câncer do colo do útero, também chamado de cervical, é causado pela infecção persistente por alguns tipos do Papilomavírus Humano (HPV). De acordo com o INCA, terceiro tumor mais frequente na população feminina, atrás do câncer de mama e do colorretal, e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no Brasil.

Quais são os sintomas do colo de útero?

Na maioria das vezes a infecção não apresenta sintomas, mas no estágio avançado da doença, poderá ocorrer sangramento vaginal (espontâneo, após o coito ou esforço) e dor pélvica. As verrugas genitais decorrentes da infecção pelo HPV são comuns em aproximadamente 10% das pessoas (homens e mulheres) ao longo de suas vidas. Elas podem aparecer semanas ou meses após o contato sexual com uma pessoa infectada pelo HPV.”

É possível prevenir?

A prevenção do câncer de colo de útero está diretamente a necessidade da mulher fazer regularmente o exame de Papanicolau e da Vacina contra o HPV (neste caso indicada para meninas que ainda não iniciaram a vida sexual).

Como se dá o tratamento?

Dependendo de cada caso, o tratamento pode culminar na retirada do tumor maligno via cirurgia ou por meio de radioterapia.

O Programa Estadual de Controle do Câncer de Mama prevê uma série de diretrizes para ampliar o acesso das mulheres entre 40 e 69 anos aos exames de mamografia de rastreamento para detecção precoce da doença. Esse grupo, por exemplo, não precisa passar por uma consulta médica para ter acesso ao exame. As mulheres nessa faixa etária podem solicitar o encaminhamento na Unidade Básica de Saúde sem a realização da consulta e o agendamento pode ser feito na mesma unidade. A recomendação é que as mulheres que tiveram resultados normais na mamografia realizem o exame a cada dois anos. Para as mulheres que estão fora dessa faixa etária é ofertada a mamografia diagnóstica, caso haja indicação da equipe de saúde, conforme suspeita clínica. Em caso de suspeita de câncer de mama, a mamografia diagnóstica é prioritária.

De acordo com a Portaria Ministerial nº 1101, de 12 de junho de 2002, que estabelece os parâmetros de cobertura assistencial no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), deve existir a proporção de 1 (um) mamógrafo para cada grupo de 240 mil habitantes. Em Minas Gerais, há 20.734.097 habitantes e 200 mamógrafos fixos prestando serviço para o SUS. Portanto, o número de mamógrafos existentes em Minas Gerais - que equivale à proporção de 1 (um) para cada grupo de 103.670 habitantes - supera o preconizado pela Portaria Ministerial nº 1101. O Programa Estadual de Controle do Câncer de Mama conta ainda com mais 10 mamógrafos móveis que percorrem o estado atendendo as regiões onde o acesso ao exame é mais restrito.

Para agilizar o encaminhamento aos exames complementares e o início do tratamento das pacientes que apresentaram alterações na mamografia (com Bi-Rads 4, 5 ou 6) e tumores malignos, a SES-MG fornece um incentivo financeiro para os 31 Centros de Alta Complexidade em Oncologia (Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia/UNACON, Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia/CACON e Centros de Referência de Alta Complexidade em Oncologia) de Minas Gerais. Cada um dos centros recebe R$ 1 mil por mulher, com classificação Birads 4, 5 ou 6, que tenham a definição diagnóstica finalizada em até 30 dias e, no caso de achados malignos, que iniciem o tratamento em até 30 dias. 

Atualmente, há em Minas Gerais aproximadamente 196 prestadores de serviço de mamografia que atendem ao SUS e mais 10 unidades móveis de mamografia que percorrem as regiões de acesso mais restrito às unidades de alta complexidade. Em 2014 foram realizadas em todo o estado 649.820 mamografias. No primeiro semestre de 2015 foram realizadas 276.643 mamografias. Clique aqui e baixe a relação atualizada dos prestadores que realizam a mamografia em MG.

O programa conta ainda com um Call Center (155) com atendimento humanizado, onde as pacientes são orientadas e as atendentes verificam se existe alguma falha na rede, lembram as usuárias sobre as datas das consultas e exames, alertam sobre a importância da realização dos procedimentos, diminuindo assim, o alto índice de absenteísmo e abandono do tratamento. 

Para a detecção precoce do câncer de colo do útero a orientação é que todas as mulheres com vida sexualmente ativa realizem o exame ginecológico preventivo, o Papanicolau, que é ofertado gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde de todo o estado. Se o resultado do exame for negativo por dois anos seguidos, a mulher pode fazê-lo de 3 em 3 anos.. Em 2014 foram realizados 1.012.280 do exame preventivo em mulheres de 25 a 64 anos. Em 2015, de janeiro a junho, foram feitos 480.277 exames nessa mesma faixa etária. 

Desde 2014 o Sistema Único de Saúde (SUS) oferta a vacina contra o HPV, vírus diretamente ligado ao câncer de colo de útero. Esta vacina protege contra os subtipos 6, 11, 16 e 18 do vírus. Os dois primeiros subtipos causam verrugas genitais e os dois últimos são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero. Inicialmente, a campanha de vacinação foi destinada às meninas de 11 a 14 anos e nesse ano são vacinadas as meninas de 9 a 11 anos. Em 2016, a vacina será ofertada para meninas de nove anos.

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» O exame clínico das mamas é o procedimento onde o médico ou enfermeiro observa e apalpa as mamas da paciente na busca de nódulos ou outras alterações e deve ser realizado conforme as recomendações técnicas do Consenso para o Controle do Câncer de Mama.

» A mamografia é a radiografia da mama que é capaz de mostrar lesões em fase inicial e até muito pequenas (milímetros) e assim, permite a detecção precoce do câncer de mama. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o exame é realizado em um aparelho de raio X apropriado, o mamógrafo. Nesse aparelho, a mama é comprimida de forma a fornecer melhores imagens, e, portanto, melhor capacidade de diagnóstico. O desconforto provocado é discreto e suportável.

» Com aproximadamente 530 mil casos novos por ano no mundo, o câncer do colo do útero é o quarto tipo de câncer mais comum entre as mulheres, sendo responsável pelo óbito de 265 mil mulheres por ano. De acordo com o INCA, o câncer do colo do útero se destaca como o primeiro mais incidente na região Norte, com 23,6 casos por 100.000 mulheres. No Sul e no Sudeste o câncer do colo do útero foi responsável por 4,6% e 4,2% dos óbitos.

» O câncer de mama é o tipo de câncer mais comum entre as mulheres do mundo e o tipo que mais mata as mulheres no Brasil. Conhecer o seu próprio corpo, se cuidar e ficar atenta a certos sinais e sintomas é muito importante para prevenção e controle desta doença. Por isso, preste atenção nestas dicas de hábitos saudáveis:

1) A alimentação saudável, com verduras, legumes, frutas, proteínas, carboidratos, cereais, além da ingestão de muito líquido. A alimentação balanceada fortalece o organismo e as defesas imunológicas.

2) A prática de exercícios físicos, que além de contribuir para o bom funcionamento do organismo, alivia o estresse físico e emocional e mantém o bom estado de espírito.

3) O controle do peso e do consumo de álcool, também é uma atitude que beneficia as mulheres, na prevenção do câncer de mama.

4) Além disso, as mulheres devem ter atenção para o histórico familiar, que pode indicar predisposição genética para o câncer.

5) Também devem estar atentas, as mulheres que realizam terapia de reposição hormonal pós-menopausa, principalmente se prolongada por mais de cinco anos. O estímulo estrogênico está relacionado com o aumento do risco quanto maior for o tempo de exposição.

Ouça o spot da Campanha Outubro Rosa da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG):