A Sífilis é uma infecção bacteriana (Treponema pallidum), que tem cura e tratamento garantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A maioria das pessoas diagnosticadas com essa Infecção Sexualmente Transmissível (IST) tende a não ter conhecimento da infecção, podendo transmiti-la aos seus parceiros sexuais por meio de relação sexual - anal, vaginal e/ou oral. A principal forma de prevenção da Sífilis é utilizando o preservativo, seja ele masculino ou feminino.

» Boletim Epidemiológico Mineiro (BEM) de Sífilis: 2015 | 2016 | 2017

A sífilis é uma infecção que possui vários estágios, que se caracterizam de acordo com a sua infectividade e o tempo de exposição ao organismo.

  1. Sífilis Primária: Apresenta uma erosão ou úlcera no local de entrada da bactéria (pênis, vagina, ânus, boca), denominada de “cancro duro”; única, indolor. Esse estágio pode durar entre duas a seis semanas.
  2. Sífilis Secundária: os sinais e sintomas surgem em média entre seis semanas e seis meses após a infecção e duram em média entre quatro e 12 semanas; podem ocorrer erupções cutâneas em forma de máculas e/ou pápulas, principalmente no tronco; lesões eritemato-escamosas palmo-plantares não pruriginosas, queda de cabelo, febre, mal estar, dor de cabeça.
  3. Sífilis Latente: período em que não se observa nenhum sinal ou sintoma clínico da sífilis, é subdividida em latente recente (menos de um ano de infecção) e latente tardia (mais de um ano de infecção, mas o indivíduo continua a transmitir a doença.
  4. Sífilis Terciária: Ocorre após o não tratamento da doença podendo cursar de dois anos a 40 anos depois do início da infecção. Nesta fase a sífilis acomete o sistema nervoso central causando neurossífilis, problemas cardiovasculares e complicações ósseas.

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Transmitida da mãe para o bebê durante a gestação ou no momento do parto, a sífilis congênita pode causar complicações como nascimento prematuro, baixo peso ao nascer, pneumonia, anemia, má-formação e até acometimento cerebral. Assim, é fundamental que todas as gestantes iniciem o pré-natal logo no início da gravidez e realizem todos os exames necessários. Mesmo que a sífilis seja diagnosticada na mãe, por meio de um tratamento adequado é possível evitar que o bebê nasça com a sífilis congênita.

O tratamento é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e, para que seja realizado adequadamente, tanto as gestantes quanto seus parceiros devem fazer os exames de diagnóstico. Em caso de resultado positivo para a gestante, é fundamental que o parceiro também procure o serviço de saúde e passe pelo tratamento. Dessa forma, a reinfecção por sífilis é evitada, e a saúde da mãe e do bebê ficam garantidas.

Uma das principais formas de transmissão da sífilis é a não utilização do preservativo nas relações sexuais. Em alguns casos a infecção é silenciosa e não apresenta sintomas durante anos. Ainda assim, as pessoas infectadas continuam transmitindo a doença.

» Nota técnica: Informações sobre o fluxo de atendimento à Sífilis Congênita

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A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima 12 milhões de novos casos de sífilis no mundo a cada ano, responsáveis 29% de óbitos perinatal, 11% de óbitos neonatais e 26% de natimortos. No Brasil, segundo dados da OMS sobre infecções de transmissão sexual na população sexualmente ativa, a cada ano, surgem 937.000 novos casos de sífilis. A prevalência na gestante é de 2,6%, o que corresponde a quase 50 mil gestantes com sífilis e 12 mil casos são de sífilis congênita por ano. A taxa de incidência de sífilis congênita é de cerca de 4 casos a cada 1.000 nascidos vivos.

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Sífilis em gestante

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Sífilis Congênita

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De acordo com o Ministério da Saúde, o aumento no número de casos de sífilis se deve principalmente a:

  • não utilização dos preservativos em todas as relações sexuais como forma de prevenção;
  • a infecção pode não apresentar sintomas durante muitos anos, permanecendo as pessoas infectadas e transmitindo a doença;
  • tratamento inadequado dos casos ou não tratamento de parceiros, proporcionando a reinfecção;
  • falta nacional no mercado da Penicilina Benzatina entre os anos de 2014 e 2015;
  • não realização dos exames de pré-natal conforme preconizado pelo Ministério da Saúde (1º e 3º trimestre da gestação), no momento do parto ou abortamento.

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Se não tratada a tempo, a Sífilis pode comprometer o sistema nervoso central, o sistema cardiovascular, além de órgãos como olhos, pele e ossos. Para ter acesso ao diagnóstico, o usuário do SUS poderá ser encaminhado para a realização de exames de sangue (VDRL) e também do Teste Rápido, exame baseado na presença de lesões típicas na pele e mucosas disseminadas, além da coleta do chamado líquido cefalorraquidiano.

Em Minas Gerais, os usuários encontram esse exame disponível nos Centros de Testagem e Aconselhamento/Serviço de Atenção Especializada (CTA/SAE).

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O tratamento da sífilis é feito, na maioria dos casos, com a penicilina e pode durar, em média, de 7 a 14 dias, dependendo da fase da doença. A parceira ou parceiro sexual de quem já está fazendo o tratamento também precisa realizar os exames para diagnóstico da sífilis e, em caso de resultado positivo, deverá passar pelo tratamento para evitar a reinfecção.

O tratamento para o bebê infectado é também a penicilina. A criança ficará um período internada para investigar possíveis complicações que a sífilis pode causar e deverá ser acompanhada pela equipe de saúde até os 18 meses para conclusão do caso e possíveis consequências da doença.

Ainda, as pessoas que tiveram contato sexual sem proteção, caso haja a manifestação de algum sintoma característico da doença, é fundamental buscar uma Unidade Básica de Saúde para diagnóstico e tratamento adequados. Para reforçar a conscientização sobre a doença, o Dia Nacional de Combate à Sífilis é comemorado todo terceiro sábado do mês de outubro.