Manejo clínico, o tratamento, a vigilância e a importância do diagnóstico precoce da Tuberculose e da Hanseníase foram temas da capacitação que aconteceu no último dia 27/10 no auditório da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Uberaba. A agenda reuniu médicos de saúde da família, de consultórios de rua, do sistema prisional e dos pronto atendimentos dos 27 municípios da Macrorregião Triângulo do Sul para uma capacitação conduzida pela médica residente de infectologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Ana Beatriz Oliveira de Souza.
De acordo com os Indicadores da Macrorregião Triângulo do Sul no Painel Epidemiológico da Tuberculose da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), entre 2017 e 2021, o abandono do tratamento da doença na macrorregião subiu de 8,1% para 12,4%, alta de 53,1%. No mesmo intervalo, a realização do tratamento diretamente observado caiu de 53,3% para 30,8%, a proporção de cura recuou de 64% para 54,2% e o coeficiente de mortalidade pela doença cresceu 32%. O cenário nacional também preocupa, com registro de 84.308 casos novos em 2024, e coinfecção por HIV em 11,4% dos casos.
De acordo com Júnia Vilela, referência técnica em Tuberculose e Hanseníase da SRS Uberaba, “a tosse por três semanas ou mais obriga investigação bacteriológica, e o escarro deve ser colhido na própria consulta, sem devolver o paciente para casa. O teste rápido molecular aparece como exame prioritário nos casos novos, com resultado em cerca de duas horas e triagem de resistência à rifampicina, apoiado por baciloscopia, cultura e radiografia de tórax”, explica.
O tratamento segue o esquema básico de dois meses com medicações específicas e testagem de HIV em todo caso novo, com investigação de contatos e oferta de tratamento para a infecção latente.
Já a hanseníase, que também foi tema da capacitação, teve como abordagem principal o diagnóstico precoce. As manchas com perda de sensibilidade, nervos espessados e baciloscopia positiva formam o tripé do diagnóstico. De acordo com o Painel Epidemiológico da Hanseníase da SES-MG, em 2025 foram notificados 71 casos na Macrorregião Triângulo do Sul, enquanto em Minas Gerais foram 1.603 notificações. Em 2026, foram 48 notificações na macrorregião e 1.111 em todo o estado.
De acordo com a palestrante do evento, Ana Beatriz Oliveira de Souza, médica residente de infectologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM), o percentual de casos notificados que já chegaram em grau dois da doença foi de 14% em Minas Gerais, aquele em que a deformidade é visível, no ano de 2023, enquanto no Triângulo do Sul, apenas 3,6% dos casos novos foram identificados pelo exame de contatos, em 2024.
De acordo com Beatriz, “os dois agravos compartilham da necessidade de aumentar a busca ativa, examinar os contatos e registrar o desfecho, garantindo a longitudinalidade dos cuidados”.
Ela afirma que, em caso de suspeita no primeiro contato, a coleta e teste devem ser feitos no mesmo dia, assim como a investigação sistemática de contatos das pessoas e notificação com encerramento qualificado no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), sendo que Uberaba, Araxá e Frutal aparecem como os polos que concentram a carga e devem puxar a organização regional do fluxo.
Por Sara Braga
Foto: Sara Braga
