SES-MG e Cievs mobilizam o Norte de Minas para ações de prevenção contra a febre amarela

A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) por meio da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros e do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) encaminhou, no dia 8 de agosto, alerta epidemiológico a 86 municípios da macrorregião de Saúde do Norte sobre a confirmação de epizootias de macacos causadas por febre amarela. Os resultados de exames laboratoriais realizados na Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte, foram emitidos na primeira semana de agosto, envolvendo primatas encontrados mortos em Claro dos Poções e São João do Pacuí.

Epizootias são ocorrências de doenças ou mortes de animais em uma mesma região. No Brasil, o monitoramento de macacos mortos é essencial para detectar e prevenir surtos de febre amarela antes que atinjam a população humana

 “A partir da confirmação das mortes tendo como causa a febre amarela, os municípios localizados no entorno de Claro dos Poções e de São João do Pacuí precisam intensificar ao máximo as ações de vigilância sobre a febre amarela, incluindo a busca ativa de pessoas não vacinadas contra a doença. A população urbana e rural também deve ser orientada para denunciar o adoecimento ou morte de macacos”, explica a coordenadora do Cievs e da vigilância em saúde na SRS de Montes Claros, Agna Soares da Silva Menezes.

Entre os municípios limítrofes a Claro dos Poções e São João do Pacuí que devem intensificar as ações de vigilância estão: Campo Azul, Brasília de Minas, Coração de Jesus, Lagoa dos Patos, São João da Lagoa, Jequitaí, Montes Claros, Francisco Dumont, Bocaiúva e Joaquim Felício. Além do alerta epidemiológico enviado aos municípios, na sexta-feira, 8 de agosto, o assunto foi abordado durante reunião da Comissão Intergestores Bipartite do Sistema Único de Saúde (CIB-SUS) realizada no auditório da Associação dos Municípios da Área Mineira da Sudene (Amams), em Montes Claros. 

Agna Menezes observa que “com a confirmação da morte de macacos tendo como causa a febre amarela, os serviços municipais de vigilância em saúde e de atenção primária devem ficar alertas quanto à detecção oportuna de caso humano suspeito para a doença, investigação adequada de eventos e fortalecimento da cobertura vacinal. Os macacos atuam como sentinelas da circulação do vírus da febre amarela e são altamente suscetíveis à infeção. A ocorrência de epizootias nesses animais indica a possível presença do vírus no ambiente e representa um importante alerta para o risco de transmissão a humanos”, acrescenta a coordenadora. 

O Cievs e a SRS Montes Claros reforçam que os agentes de controle de endemias devem fazer o mais breve possível a investigação das ocorrências de mortes de macacos, por meio da coleta de amostras para exames laboratoriais, além da notificação obrigatória e imediata (em até 24 horas) dos casos através do e-mail cievsregional.moc@saude.mg.gov.br ou dos telefones (38) 2103-3600 e (31) 99744-6983. 

Vacinação

A vacina é a principal forma de prevenção contra a febre amarela. Todas as pessoas que residem em áreas com recomendação da vacina e pessoas que vão viajar para essas áreas devem se imunizar. A vacina deve ser administrada pelo menos dez dias antes do deslocamento de uma pessoa para áreas de risco, principalmente em quem será vacinado pela primeira vez.

Para a vacinação contra a febre amarela as recomendações são as seguintes: criança com nove meses de vida, uma dose; crianças com quatro anos de idade, uma dose de reforço; pessoas entre 5 a 59 anos de idade, não vacinado ou sem comprovante de vacinação, uma dose. 

A pessoa que recebeu uma dose da vacina antes de completar cinco anos de idade está indicada a tomar uma dose de reforço, independente da faixa etária. 

A partir da confirmação da circulação do vírus da febre amarela, os serviços municipais de atenção primária deverão fazer a busca ativa das pessoas não vacinadas contra a doença, de casa em casa nas comunidades rurais e em pontos fixos no meio urbano. As secretarias municipais de saúde também deverão fazer levantamento da cobertura vacinal da população, com estratificação por categoria e, se possível, por zona urbana e rural.

“Também é preciso orientar a população quanto ao uso de repelentes contra mosquitos. Deixar claro que os macacos não são transmissores da febre amarela. Eles são o alerta de que o vírus da doença, que é transmitido por mosquitos, está circulando na região”, frisa Agna Menezes.

A doença

A febre amarela é uma doença febril aguda, de evolução rápida e de gravidade variável. Possui elevada letalidade nas suas formas mais graves. É transmitida por mosquitos e pernilongos infectados e não há transmissão de uma pessoa para outra. 

A doença é de notificação compulsória imediata, ou seja, todo caso suspeito (tanto morte de macacos, quanto casos humanos com sintomas compatíveis) deve ser prontamente comunicado aos gestores de saúde dos municípios em até 24 horas após a suspeita inicial. Em seguida os serviços estaduais de saúde devem notificar ao Ministério da Saúde os eventos de febre amarela suspeitos. 

A febre amarela possui dois ciclos de transmissão: urbano e silvestre (quando há transmissão em área rural ou de floresta). No ciclo silvestre os macacos são os principais hospedeiros e amplificadores do vírus. Os vetores são mosquitos com hábitos estritamente silvestres, sendo os gêneros Haemagogus e Sabethes os mais importantes na América Latina. Nesse ciclo, o homem participa como um hospedeiro acidental ao entrar em áreas de matas.

Já no ciclo urbano o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica e a transmissão da febre amarela ocorre a partir de vetores urbanos infectados, entre eles o mosquito Aedes aegypti, também transmissor da dengue, febre chikungunya e do zika vírus.

Sintomas

Os sintomas iniciais da febre amarela são: início súbito de febre; calafrios; dor de cabeça intensa; dores nas costas; dores no corpo em geral; náuseas e vômitos; fadiga e fraqueza. A maioria das pessoas melhora após esses sintomas iniciais. No entanto, cerca de 15% das pessoas apresentam um breve período de horas a um dia sem sintomas e, então, desenvolvem uma forma mais grave da doença. 

Nesses casos a pessoa infectada pode desenvolver algumas complicações como: febre alta; icterícia (coloração amarelada da pele e do branco dos olhos); hemorragia (especialmente a partir do trato gastrointestinal) e, eventualmente, choque e insuficiência de múltiplos órgãos. 

No caso de qualquer um dos sintomas a pessoa deve imediatamente procurar uma unidade de saúde para avaliação médica adequada. O profissional fará os exames necessários para diagnosticar a doença, assim como a sua gravidade, o que definirá a melhor forma de tratamento.

Este conteúdo foi produzido durante o período de restrição eleitoral e publicado após o encerramento oficial das eleições.

Por: Pedro Ricardo

Foto: SRS Montes Claros – Coleta de vísceras de macacos em São João do Pacuí para análise laboratorial 

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