Ferramenta desenvolvida pela unidade pode contribuir para o acompanhamento da circulação viral e subsidiar ações de contingência em outras unidades sentinelas
A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), por meio da Coordenação Estadual de Vírus Respiratórios, realizou, em 18/8, reunião com profissionais da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Divinópolis e da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Padre Roberto Cordeiro Martins, em Divinópolis. O encontro teve como objetivo conhecer a experiência da unidade no monitoramento de vírus respiratórios e avaliar a possibilidade de utilização da metodologia em outras unidades sentinelas do estado.
As unidades sentinelas são serviços de saúde selecionados estrategicamente para acompanhar a circulação de vírus respiratórios e contribuir para a identificação de mudanças no cenário epidemiológico. Nesse contexto, a UPA de Divinópolis desenvolveu uma ferramenta de monitoramento a partir de um diagnóstico situacional do serviço.
De acordo com a médica infectologista da UPA, Natália Archanjo Vasconcelos Chaves, foram definidos indicadores capazes de acompanhar a circulação viral, identificar grupos vulneráveis e avaliar a pressão assistencial sobre a unidade. A iniciativa surgiu a partir da necessidade de ampliar o monitoramento, que anteriormente estava concentrado no número semanal de amostras coletadas, nos resultados positivos e negativos e em alguns dados demográficos.
A ferramenta também foi estruturada para apoiar a elaboração e a execução do plano de contingência, com indicadores organizados de acordo com diferentes níveis de resposta, desde a situação de normalidade até cenários críticos.
“A presença de indicadores em níveis elevados de alerta, associada à persistência da tendência por duas semanas epidemiológicas subsequentes, poderia determinar o escalonamento das ações. Para o descalonamento, adotou-se uma estratégia mais conservadora, exigindo queda sustentada por pelo menos duas semanas e redução conjunta dos diferentes indicadores, evitando decisões precoces diante da possibilidade de novos picos sazonais”, explicou Natália.
Para a coordenadora estadual de Vírus Respiratórios da SES-MG, Janaina Fonseca Almeida, a aproximação entre a coordenação estadual e as unidades sentinelas é fundamental para qualificar o monitoramento nos territórios. Segundo ela, além das reuniões, a realização de visitas presenciais às unidades contribui para conhecer as estratégias adotadas localmente e identificar experiências que possam ser compartilhadas.
A ferramenta desenvolvida pela equipe da UPA de Divinópolis despertou o interesse da coordenação estadual pelo potencial de aplicação em outras unidades sentinelas e nos Núcleos Hospitalares de Vigilância Epidemiológica (NHVE).
“São iniciativas exitosas como essa que podem contribuir para o cotidiano dos serviços e para o monitoramento contínuo dos vírus respiratórios, especialmente nos períodos de maior circulação sazonal. O compartilhamento dessas experiências fortalece a vigilância e amplia a capacidade de resposta dos serviços diante das mudanças no cenário epidemiológico”, destacou Janaina.
Este conteúdo foi produzido durante o período de restrição eleitoral e publicado após o encerramento oficial das eleições.
por Willian Pacheco
Foto: Divulgação SRS Divinópolis
