A Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Juiz de Fora sediou, nos dias 14 e 15 de outubro, o Seminário Regional de Arboviroses. O evento teve como objetivo capacitar as equipes municipais de saúde para o aumento dos casos de doenças transmitidas por vetores como o mosquito Aedes aegypti, cujo crescimento é esperado durante o período chuvoso, que se estende até abril de 2027. A padronização de saberes e rotinas de trabalho é fundamental para manter as cidades protegidas e assegurar a prontidão das redes locais em eventuais cenários epidêmicos.
Direcionado a agentes de combate às endemias, coordenadores municipais de vigilância em saúde e epidemiológica, profissionais hospitalares, médicos e enfermeiros, o seminário abrangeu equipes que atendem uma população de aproximadamente 780 mil habitantes de 37 municípios. A programação do seminário foi dividida em dois eixos estruturantes: Vigilância e Controle Vetorial e Assistência e Manejo Clínico.
Para a coordenadora do Núcleo de Vigilância Epidemiológica (NUVEPI), da SRS Juiz de Fora, Ana Amélia Dias de Souza Fuzaro, o Seminário faz com que os profissionais voltem para seus municípios mais preparados para o período sazonal. “É uma oportunidade de fortalecer a integração entre os municípios e a Regional de Saúde, permitindo a troca de experiências e o alinhamento das equipes para o enfrentamento das arboviroses”, comenta.
Além disso, possibilita avaliar as estratégias já utilizadas e as projeções para 2027. “Discutimos as diretrizes nacionais de 2025, destacando o uso de novas tecnologias e da territorialização para qualificar as ações de controle e torná-las mais efetivas”, destaca a coordenadora do NUVEPI.
Panorama da Região de Saúde
Dados do Portal da Vigilância em Saúde da SES-MG mostram uma redução expressiva nas notificações confirmadas na Região de Saúde de Juiz de Fora, no comparativo entre os nove primeiros meses de 2025 e 2026 (casos acumulados até o final de setembro):
- Dengue: registrou 94 casos confirmados em 2026, ante 2.042 no mesmo período de 2025.
- Chikungunya: contabilizou 13 casos confirmados em 2026, frente a 133 confirmações em 2025.
- Zika e Oropouche: não apresentaram casos confirmados no território em 2026.
Em relação à febre amarela, também não há registro de casos confirmados em humanos. No entanto, dada a alta letalidade da doença, a SES-MG reforça a necessidade de vigilância sobre eventos sentinelas, como as epizootias (morte de primatas não humanos em áreas silvestres). A identificação desses episódios indica a circulação viral na fauna local e deve ser notificada imediatamente às autoridades de saúde municipais para o bloqueio de focos transmissores.
O cenário de 2026 exige atenção redobrada em todo o estado de Minas Gerais em virtude dos impactos do fenômeno Super El Niño, que intensificou a variação de temperatura e o volume de chuvas. O calor elevado acelera o desenvolvimento das larvas e pupas, o que favorece o aumento dos mosquitos, e também os torna mais ativos. Associado a isso, o aumento das chuvas amplia os criadouros disponíveis.
A prevenção começa em casa
A SES – MG orienta que as medidas preventivas sejam mantidas pela população durante toda a sazonalidade dentro dos domicílios. As recomendações principais incluem:
- Evitar o acúmulo de água parada;
- Manter caixas-d’água devidamente vedadas;
- Realizar a limpeza periódica de calhas e ralos;
- Lavar recipientes de água de animais domésticos;
- Dar o descarte adequado ao lixo doméstico e proteger pneus das chuvas.
Em caso de manifestação de sintomas como febre, dores no corpo e dores de cabeça, a recomendação é buscar atendimento imediato em uma unidade de saúde e evitar a automedicação.
Por: Benjamim Jr.
Foto: Benjamim Jr.
