Regional de Montes Claros reforça apoio aos municípios na elaboração dos planos para enfrentamento ao El Niño

A Coordenação de Vigilância em Saúde e o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) Regional de Montes Claros estão prestando assistência técnica a 54 municípios do Norte de Minas na elaboração do Plano de Enfrentamento ao El Niño. O prazo para envio dos planos à Superintendência Regional de Saúde (SRS) termina no dia 9 de outubro, após aprovação pelos conselhos municipais de saúde de cada localidade.

Por meio de videoconferência realizada no dia 16 de setembro, profissionais de vigilância em saúde, de atenção primária e que atuam em núcleos hospitalares de vigilância epidemiológica, foram orientados pela SRS quanto à elaboração dos planos, tendo como base o Plano de Enfrentamento ao El Niño organizado pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG). 

“A elaboração dos planos municipais constitui medida importante tendo como finalidade orientar as ações intersetoriais de preparação, monitoramento e resposta do setor de saúde frente aos impactos decorrentes da mudança climática. A iniciativa contribuirá para garantir a continuidade da assistência à população, além de integrar políticas, programas e redes de apoio já existentes nos territórios”, explicou Agna Soares da Silva Menezes, coordenadora do Cievs e da vigilância em saúde na SRS de Montes Claros.

Durante a videoconferência a coordenadora de redes de atenção à saúde, Denise Maria Lúcio da Silveira reforçou que “desde a fase de planejamento de ações o envolvimento dos coordenadores de serviços de atenção primária, especializada e hospitalar na elaboração dos planos de enfrentamento ao El Niño é de fundamental importância, o que possibilitará êxito na execução das ações em caso de necessidade”.

Por sua vez, Patrícia Antônia de Brito, referência técnica da coordenação de vigilância em saúde na SRS de Montes Claros explicou que para Minas Gerais os impactos do El Niño poderão variar entre ondas de calor mais frequentes e intensas; períodos de seca, estiagem e chuvas intensificadas. 

“Por esse motivo, a estruturação dos planos municipais deve ser organizada por áreas técnicas de forma integrada, visando reduzir riscos e proteger a saúde da população. Entre as áreas que devem ser diretamente envolvidas na elaboração dos planos estão a atenção primária; vigilância em saúde e ambiental; assistência farmacêutica; urgência e emergência; saúde mental; atenção às pessoas com deficiência; saúde do trabalhador; doenças crônicas e o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde”, explicou Patrícia Brito.

Para o Norte de Minas e municípios que integram as regionais de saúde de Teófilo Otoni e Pedra Azul a previsão é de que o El Niño deverá intensificar o período de seca e estiagem, com redução da disponibilidade de água tornando inadequadas as condições de habitação e de saneamento. 

Em virtude dessa situação, idosos, crianças, mulheres, pessoas com deficiência e gestantes são os públicos que estarão mais vulneráveis a impactos de saúde, entre eles diarreia; doenças causadas pela poluição do ar; febre maculosa; impactos psicossociais e na saúde mental; deslocamentos e migrações populacionais; má nutrição e interrupção de serviços de saúde devido à falta de água. 

O fenômeno 

    Classificado como “forte” e podendo atingir o patamar “muito forte” já em setembro, mas com situação “crítica” prevista pelo Ministério da Saúde entre outubro deste ano e março de 2027, o fenômeno climático El Ninõ tem previsão de causar impactos em todas as regiões do país, podendo variar de seca e estiagem prolongada, temperaturas elevadas, queimadas, temporais e chuvas intensas nas regiões Sudeste e Sul do país. 

“Minas Gerais pode enfrentar tanto excesso quanto escassez de água, demandando preparação para diferentes cenários climáticos. Por isso, na elaboração dos planos de enfrentamento ao El Niño, os municípios estão sendo orientados a dar atenção especial ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, febre chikungunya, zika vírus e da febre amarela. Isso porque, de acordo com o Ministério da Saúde, há perspectiva de aumento das arboviroses. 

“Modelagem preditiva indica maior impacto da dengue na região Sudeste do país, com potencial de até o dobro de casos notificados no segundo semestre deste ano. Em virtude dessa situação, Minas Gerais poderá ter uma temporada de dengue mais intensa”, acrescenta Agna Menezes. 

Para o enfrentamento às arboviroses a SES-MG orienta os municípios a reforçarem as ações de vigilância e eliminação de potenciais criadouros do Aedes aegypti; realização de levantamento rápido de índices de infestação do mosquito; reforço da vigilância de macacos por meio do Sistema de Georreferenciamento (SISSGEO), visando a detecção precoce de animais mortos, recolhimento de vísceras para análise laboratorial visando verificar se a ocorrência de epizootias tem a febre amarela como causa.

Este conteúdo foi produzido durante o período de restrição eleitoral e publicado após o encerramento oficial das eleições.

Por: Pedro Ricardo

Foto: Agência Minas

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