Outubro Verde: Regional de Montes Claros reforça a mobilização contra a sífilis

A vigilância epidemiológica não é apenas o registro da falha estrutural. É a principal ferramenta de inteligência para desenhar a cura do sistema. Os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) ditam os nascimentos saudáveis de amanhã!”

Essa foi uma das reflexões que o Núcleo de Vigilância em Saúde da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros fez no dia 1º de outubro durante a realização de videoconferência abordando, junto aos 54 municípios que integram a sua área de jurisdição, as ações de mobilização da sociedade para o Outubro Verde, voltado para o reforço das ações de enfrentamento à sífilis. 

Entre 2021 e setembro deste ano os municípios da área de atuação da SRS notificaram 6.847 casos de sífilis. Desse total, 4.028 infecções foram decorrentes de relações sexuais sem uso de preservativos. Por outro lado, 1.937 casos de sífilis acometeram gestantes e 882 infecções foram transmitidas a recém-nascidos, pelo fato da doença não ter sido diagnosticada durante o pré-natal. Entre 2021 e 2026 foram notificados nove óbitos de recém-nascidos por sífilis, sendo sete em Montes Claros; um em Janaúba e um em Taiobeiras.

“As ações de conscientização da população quanto à prevenção, diagnóstico e tratamento da sífilis é um desafio contínuo que precisa ser encarado pelos serviços municipais de vigilância epidemiológica e de atenção primária à saúde. A ampliação da oferta de testes rápidos para o diagnóstico da doença nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) precisa acontecer de fato, além das ações voltadas para a população mais jovem (entre 20 e 29 anos) que é o principal público acometido por sífilis”, alertou Adriana Barbosa Amaral, referência técnica da Coordenação de Vigilância em Saúde na SRS de Montes Claros. 

No Norte de Minas, dois fatores que têm contribuído para a manutenção de dois dígitos de casos notificados de sífilis e da cadeia de transmissão da doença é o diagnóstico tardio do agravo em gestantes e o não tratamento dos parceiros das mulheres. 

“Apenas 66% dos casos de sífilis em gestantes são diagnosticados durante o pré-natal, viabilizando tratamento oportuno e adequado até 30 dias antes do parto. Com isso, 34% das gestantes são diagnosticadas com sífilis durante ou após o parto e 54% dos tratamentos de recém-nascidos ocorrem de forma inadequada”, acrescentou Adriana Amaral. 

Além disso, dados apresentados a profissionais de vigilância epidemiológica do Norte de Minas apontam que apenas 45,39% dos parceiros das gestantes são tratados, o que favorece a reinfecção das mulheres por sífilis.

JANELA DE OURO

Para conter o avanço das infecções de sífilis, Adriana Amaral reforçou que os serviços municipais de atenção primária devem ter foco na “janela de ouro” para diagnóstico da doença no primeiro trimestre de gestação, o que viabiliza tratamento completo e adequado e a não transmissão da doença para recém-nascidos. 

Nas ações de educação em saúde os municípios devem levar em conta que o comportamento sexual de jovens entre 20 e 29 anos deve estar aliado à conscientização sobre os riscos das Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Outra recomendação é que sejam desenvolvidas ações voltadas para o acesso da população aos serviços de saúde; à realização de testes rápidos para diagnóstico de sífilis; oferta de tratamento completo e oportuno, tendo o sigilo como regra visando garantir confiabilidade aos usuários dos serviços de saúde. 

PROGRAMAÇÃO

Aliado à Semana de Sensibilização sobre a sífilis no período de 12 a 17 de outubro, a Superintendência Regional de Saúde de Montes Claros realizará duas videoconferências nos dias 7 e 8, no período das 14 às 16 horas, abordando o manejo clínico da sífilis na gestante e da sífilis congênita (da mãe para o filho). As programações direcionadas a médicos e enfermeiros serão conduzidas pelas médicas Izabela Bretas, infectologista do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) Regional de Montes Claros; e Janer Silveira, infecto pediatra do Serviço de Atenção Especializada Ampliado (SAE) de Montes Claros. 

Nos dias 6, 20 e 27 de outubro os profissionais de saúde também poderão participar de webnários organizados pelo Ministério da Saúde abordando os seguintes temas: Vigilância da Sífilis em Ação: Desafios e Aprendizados a partir da Investigação de Casos; Diagnóstico em Sífilis: Detectar, Tratar e Cuidar; Prevenção da Transmissão Vertical de Sífilis: Perguntas e Respostas.  

Os webnários acontecerão sempre no horário de 10h30 às 12 horas. O link de acesso é https://webinar.aids.gov.br

A DOENÇA

Agna Soares da Silva Menezes, coordenadora de vigilância em saúde na SRS de Montes Claros explica que a sífilis é transmitida por meio de relações sexuais desprotegidas, sangue ou produtos sanguíneos (agulhas contaminadas ou transfusão com sangue não testado), além da transmissão da mãe para o filho em qualquer fase da gestação, no momento do parto ou pela amamentação. O tratamento é estendido aos parceiros sexuais e é feito com antibióticos, além de ser acompanhado com a realização de exames clínicos e laboratoriais para avaliar a evolução da doença. 

“Trata-se de uma infecção curável, com tratamento relativamente simples, mas pegar uma vez não confere imunidade. Nas formas mais graves da doença, como na fase terciária, o não tratamento adequado pode levar à morte. O uso de preservativos (tanto femininos como masculinos) durante todas as relações sexuais é a maneira mais segura de prevenir a doença. O acompanhamento das gestantes e dos parceiros durante o pré-natal contribui para o controle da sífilis congênita”, observa a coordenadora.

Este conteúdo foi produzido durante o período de restrição eleitoral e publicado após o encerramento oficial das eleições.

Pedro Ricardo

Foto Ministério da Saúde

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