El Niño e Arbivoroses: SRS de Montes Claros orienta municípios na elaboração de plano para enfrentamento da mudança climática

Classificado como “forte” e podendo atingir o patamar “muito forte” já em setembro, mas com situação “crítica” prevista pelo Ministério da Saúde entre outubro deste ano e março de 2027, o fenômeno climático El Ninõ foi tema abordado pela Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros, no dia 2 de setembro, durante reunião da Comissão Intergestores Bipartite do Sistema Único de Saúde (CIB-SUS) da macrorregião de Saúde Norte. Com impactos que podem variar de seca e estiagem prolongada, temperaturas elevadas, queimadas e temporais e chuvas intensas nas regiões Sudeste e Sul do país, o enfrentamento do fenômeno exige que os municípios agilizem a elaboração dos planos de contingência para atendimento de demandas de saúde da população, incluindo a preparação para o período sazonal das arboviroses (dengue, chikungunya, zika vírus e febre amarela). 

“Minas Gerais pode enfrentar tanto excesso quanto escassez de água, demandando preparação para diferentes cenário climáticos”, alertou Agna Soares da Silva Menezes, coordenadora de vigilância em saúde e do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde na SRS de Montes Claros, durante apresentação dirigida aos gestores municipais de 86 municípios do Norte de Minas.

Com base no Plano de Enfrentamento ao El Niño organizado pela Subsecretaria de Vigilância em Saúde (SubVS) da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), a coordenadora observou que a elaboração dos planos municipais constitui medida importante tendo como finalidade orientar as ações intersetoriais de preparação, monitoramento e resposta do setor de saúde frente aos impactos decorrentes da mudança climática. A iniciativa contribuirá para garantir a continuidade da assistência e integrar políticas, programas e redes de apoio já existentes nos territórios.

Até março de 2027 o aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico, que altera padrões climáticos em todo o mundo, poderá gerar ondas de calor; chuvas intensas acima da média histórica; riscos de alagamentos; inundações e deslizamentos; interrupção de serviços essenciais e impactos na infraestrutura de saúde. 

“No caso de estiagem e seca prolongada, aliado ao aumento das temperaturas, o Norte de Minas poderá ser impactado com a potencialização de riscos de incêndios florestais, redução das chuvas e disponibilidade de água. A qualidade do ar poderá ficar comprometida, agravando a ocorrência de doenças respiratórias, cardiovasculares e outros problemas de saúde, especialmente em grupos mais vulneráveis como crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas”, reforçou Agna Menezes. 

Para enfrentar cenários tão adversos, a coordenadora destacou que os municípios devem elaborar os planos de ação envolvendo áreas técnicas que atuam de forma integrada. Entre os segmentos estão: serviços de atenção primária e de vigilância em saúde e ambiental; assistência farmacêutica; urgência e emergência; saúde mental e do trabalhador; Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde; serviços especializados em doenças crônicas e de atenção às pessoas com deficiência.

Arboviroses

Ainda na elaboração dos planos de ação, os municípios devem dar atenção especial ao enfrentamento ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, febre chikungunya, zika vírus e da febre amarela. Isso porque, de acordo com o Ministério da Saúde, há perspectiva de aumento das arboviroses por causa do El Niño. 

“Modelagem preditiva indica maior impacto da dengue na região Sudeste do país, com potencial de até o dobro de casos notificados no segundo semestre deste ano. Em virtude dessa situação, Minas Gerais poderá ter uma temporada de dengue mais intensa”, acrescentou Agna Menezes. 

Para o enfrentamento às arboviroses a SES-MG orienta os municípios a reforçarem as ações de vigilância e eliminação de potenciais criadouros do Aedes aegypti; realização de levantamento rápido de índices de infestação do mosquito; reforço da vigilância de macacos por meio do Sistema de Georreferenciamento (SISSGEO), visando a detecção precoce de animais mortos, recolhimento de vísceras para análise laboratorial visando verificar se a ocorrência de epizootias tem a febre amarela como causa. 

Para a elaboração dos planos de enfrentamento ao El Niño a equipe técnica do Cievs Regional de Montes Claros, composta por médicos e enfermeiros, está atuando no apoio aos gestores e referências técnicas das secretarias municipais de saúde.

Este conteúdo foi produzido durante o período de restrição eleitoral e publicado após o encerramento oficial das eleições.

Por: Pedro Ricardo

Foto: Agência Minas – Distribuição de água potável em comunidades rurais, sob a direção da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil (Cedec), durante o período de seca.

Rolar para cima