Quem aguarda uma consulta com especialista ou uma cirurgia pelo SUS no Triângulo do Norte deve sentir os efeitos das medidas debatidas na terça (11/8), em Uberlândia, nos Comitês Gestores do Acesso Eletivo, promovidos pela Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Uberlândia. Neles, Estado, prefeituras e hospitais decidem juntos como organizar consultas, exames e cirurgias marcadas com antecedência, diferente da urgência, atendida na hora.
“O comitê procura dar transparência às filas”, resume a especialista em Políticas e Gestão em Saúde da SRS, Tatiane Cristina Fernandes Tavares.
Saber em que pé está o seu pedido
Quando o médico do posto encaminha alguém para exame ou cirurgia, o pedido entra numa lista de espera do sistema da própria cidade. Reunir tudo no e-SUS Regulação, do Ministério da Saúde, vai permitir enxergar a fila de toda a região e saber quanto tempo cada pessoa espera. A ordem de atendimento leva em conta a gravidade do caso e o tempo de espera.
Segundo Luciana Rocha Nunes Nogueira, secretária municipal de Saúde de Patrocínio, o paciente poderá acompanhar o andamento dos pedidos e ver data, horário e local do agendamento. Monte Carmelo e Patrocínio já avançaram no uso do sistema, e as demais cidades da área de atuação da SRS Uberlândia estão sendo capacitadas.
Um pacote no lugar da peregrinação
Mais cidades vão oferecer as Ofertas de Cuidados Integrados, do programa federal Agora Tem Especialistas. Em vez de buscar cada etapa em um lugar e em um mês diferente, o paciente recebe de uma vez as consultas, exames e tratamentos de que precisa para descobrir o problema e iniciar o tratamento.
Quem espera há mais tempo será chamado
Quem foi encaminhado há um ano ou mais pode ter melhorado ou mudado de quadro, e o pedido segue na fila com dados antigos. Essas pessoas serão chamadas pela equipe de saúde da família, que vai atualizar exames, medicações e estado de saúde e ver se o especialista ainda é necessário. Em caso de dúvida, o posto conversa a distância com um especialista, sem que o paciente se desloque.
Se o problema for resolvido ali mesmo, a pessoa sai da fila e segue acompanhada perto de casa. Se ainda precisar do especialista, volta para a lista com as informações em dia. Se tiver piorado, passa na frente. Em projeto semelhante do Estado com a UFMG, as filas de especialidades caíram até 70%.
Mais perto de casa
O hospital de Araguari, referência regional, vai informar quantas vagas de cirurgia oferece por mês. As cidades com hospitais de referência passam a organizar a fila olhando toda a região, para que a vaga chegue a quem mora longe.
Quem precisa de atendimento por perda de audição passa a ser atendido em Monte Carmelo, sem ir tão longe. Já a fila da cirurgia de redução de estômago, indicada para obesidade grave, passa a ser organizada por Uberlândia, com as vagas divididas conforme a necessidade da região, e não pela ordem de chegada. O Hospital de Clínicas da UFU vai receber ainda R$ 200 mil, segundo o Ministério Público Federal, para tratar pacientes com arritmia, quando o coração bate fora do ritmo.
Este conteúdo foi produzido durante o período de restrição eleitoral e publicado após o encerramento oficial das eleições.
Por: Beatriz Nascimento e Souza
Foto: Raquel Maria de Matos
