Oficina reuniu representantes de 54 municípios para alinhar estratégias de prevenção e resposta ao período de maior transmissão das doenças
A Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros realizou, na quinta-feira (5/11), uma oficina de apoio aos 54 municípios de sua área de abrangência para a elaboração dos planos de contingência para arboviroses. A iniciativa foi direcionada aos coordenadores de Vigilância em Saúde e de Atenção Primária à Saúde e abordou a preparação para o enfrentamento de doenças como dengue, chikungunya, zika e febre amarela.
Na abertura da oficina, Renata Fiúza Damasceno, referência técnica da Coordenação de Vigilância em Saúde da SRS de Montes Claros, destacou a importância do alinhamento entre a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e as gestões municipais na preparação das estratégias de resposta.
“Além de trabalho intersetorial envolvendo diversos segmentos das administrações municipais e da sociedade civil organizada, entre elas os conselhos municipais de saúde, é importante que os municípios elaborem os planos de contingência com base na realidade de cada localidade a fim de que, quando necessário, as ações sejam implementadas visando reduzir os impactos da transmissão de doenças à população”, frisa Renata Fiúza.
Os documentos devem contemplar aspectos relacionados à Vigilância em Saúde, ao controle vetorial, à assistência aos pacientes, à gestão e à mobilização.
Agna Soares da Silva Menezes, coordenadora de Vigilância em Saúde da SRS de Montes Claros, alerta que, entre dezembro deste ano e maio de 2027, período sazonal das arboviroses, poderá ocorrer aumento do número de pessoas acometidas por doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, em razão das mudanças climáticas associadas ao fenômeno El Niño.
Para o Norte de Minas e os municípios que integram as regionais de Saúde de Teófilo Otoni e Pedra Azul, a previsão é de intensificação dos períodos de seca e estiagem, com redução da disponibilidade de água. Já os períodos chuvosos podem favorecer a rápida proliferação do mosquito e, consequentemente, ampliar o risco de transmissão das doenças.
Levantamento do Ministério da Saúde indica que Minas Gerais pode enfrentar cenários tanto de excesso quanto de escassez de água, o que demanda preparação para diferentes condições climáticas. Nesse contexto, as administrações municipais estão sendo orientadas a dedicar atenção especial às medidas de prevenção e controle do vetor.
“Modelagem preditiva indica maior impacto da dengue na região Sudeste do país, com potencial de até o dobro de casos notificados no segundo semestre deste ano. Em virtude dessa situação, Minas Gerais poderá ter uma temporada de dengue mais intensa”, acrescenta Agna Menezes.
Para o enfrentamento das arboviroses, a SES-MG orienta o reforço das ações de vigilância e de eliminação de potenciais criadouros; a realização de levantamentos rápidos dos índices de infestação; e a intensificação da vigilância de macacos por meio do Sistema de Informação em Saúde Silvestre (SISS-Geo). A medida possibilita a detecção precoce de animais mortos e o encaminhamento de amostras para análise laboratorial, contribuindo para investigar se as epizootias estão relacionadas à circulação do vírus da febre amarela.
Por: Pedro Ricardo
Foto: Cássia Nely Morais
