Durante reunião da Comissão Intergestores Bipartite do Sistema Único de Saúde (CIB-SUS) realizada no dia 9 de outubro, por meio de videoconferência, a Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros reforçou com os gestores municipais a necessidade de qualificação das ações voltadas para a redução da mortalidade materna, infantil e fetal. A iniciativa aconteceu durante a apresentação do Relatório Anual do Comitê Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal, tendo como referência o ano de 2024.
“De acordo com o relatório, entre 2015 a 2024 o estado contabilizou a ocorrência de 122 óbitos maternos e uma razão de mortalidade de 55,5 mulheres por 100 mil nascidos vivos. Entre 2023 e 2024 a razão de mortalidade materna passou de 39,3 para 55,5, o que reforça a necessidade de monitoramento contínuo e fortalecimento da vigilância e da atenção à saúde das gestantes”, explicou Denise Maria Lúcio da Silveira, coordenadora de Redes de Atenção à Saúde na SRS de Montes Claros.
Tendo como meta a redução da mortalidade, os gestores foram orientados a reforçarem o trabalho dos serviços de atenção primária no atendimento às gestantes. Isso porque o relatório aponta que muitas mulheres têm iniciado assistência ao pré-natal de forma tardia, resultando em número insuficiente de consultas e falhas na identificação oportuna de riscos à saúde tanto das próprias mulheres como dos bebês.
Também foram apontados como focos de atenção por parte dos serviços municipais de saúde a classificação inadequada ou ausente da estratificação de risco gestacional; ausência, não efetivação do acesso, encaminhamento tardio ou descontinuidade da assistência às gestantes ao pré-natal de alto risco. Esse serviço, mantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é voltado ao acompanhamento de gestantes que apresentam condições clínicas, doenças pré-existentes ou complicações na gravidez que aumentam os riscos para a mãe ou para o bebê.
O Relatório também aponta que entre as razões da manutenção da mortalidade materna está o não reconhecimento precoce da gravidade clínica e o não manejo oportuno de emergências hipertensivas, hemorrágicas e infecciosas; dificuldades na regulação do acesso; demora em transferências e fragilidades no transporte sanitário; desarticulação entre os serviços de saúde; e seguimento insuficiente ou descontinuidade da vigilância clínica no pós-parto e após a alta hospitalar.
Recomendações
Entre as recomendações repassadas aos gestores municipais de saúde e que também foram tema de avaliação em reunião do Comitê Regional de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal realizada em setembro, na SRS de Montes Claros, estão: a qualificação da atenção ao pré-natal, parto, puerpério e cuidado neonatal; fortalecimento da vigilância, dos comitês municipais e da investigação dos óbitos; maior integração entre assistência, regulação e gestão regional; respostas territorializadas e corresponsabilização entre os níveis central, regional e municipais dos serviços de saúde; e foco na equidade dos atendimentos com atenção especial às mulheres indígenas, pretas e pardas que compõem a maior quantidade de óbitos maternos no estado.
Por: Pedro Ricardo
Foto: Divulgação SRS – MOC
