Arboviroses: Regional de Montes Claros capacita profissionais para uso de tecnologias inovadoras 

A Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros concluiu nesta sexta-feira, 9/10, em Janaúba, a realização de oficina de capacitação de coordenadores e supervisores do controle das arboviroses, com foco na adoção de novas metodologias de controle vetorial do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, febre chikungunya, zika vírus e da febre amarela. A iniciativa reuniu profissionais atuantes em 15 municípios que integram a microrregião de saúde Janaúba/Monte Azul. A mesma capacitação foi realizada na segunda quinzena de setembro e início de outubro, contemplando dez municípios das microrregiões de Taiobeiras e Francisco Sá.

Valdemar Rodrigues dos Anjos, referência técnica da Coordenação de Vigilância em Saúde da SRS de Montes Claros explica que a capacitação tomou como base a Nota Técnica 41, publicada neste ano pelo Ministério da Saúde com orientações para a implementação das tecnologias atualmente disponíveis para o controle do Aedes. 

“As diretrizes nacionais para prevenção e controle das arboviroses urbanas: vigilância entomológica e controle vetorial apresentam um novo modelo de enfrentamento. O princípio fundamental é o reconhecimento da heterogeneidade do território, a melhoria da vigilância entomológica e a manutenção das ações fundamentais em combinação com estratégias inovadoras para o controle vetorial”, destaca a Nota Técnica. 

Ainda de acordo com o Ministério da Saúde a estratificação de risco, somada ao monitoramento do Aedes aegypti por meio de ovitrampas é capaz de gerar indicadores sensíveis para a delimitação de áreas prioritárias intramunicipais, favorecendo o direcionamento das ações de controle vetorial que necessitam ser implementadas ou intensificadas. 

Durante a capacitação, Valdemar Rodrigues e as referências técnicas de vigilância em saúde na SRS de Montes Claros, Cássia Morais, Bartolomeu Teixeira Lopes, Ildenir Meireles e Ronildo Barbosa abordaram temas relacionados às intervenções de controle vetorial que estão à disposição dos municípios. As tecnologias devem ser adotadas levando em conta a realidade de cada município, entre elas extensão territorial e concentração de habitantes nas zonas urbanas ou rurais.

Entre as iniciativas para conter o avanço das arboviroses está o controle mecânico (eliminação de materiais inservíveis que acumulam água e instalação de tampas em tambores e caixas d´água); uso de larvicidas (aplicação de produtos específicos em depósitos de água visando interromper o ciclo de reprodução do mosquito) e a aplicação de inseticida residual em superfícies internas ou externas (cemitérios, borracharias, ferros-velhos, garagens de ônibus ou de veículos de grande porte, depósitos de sucatas ou de materiais de construção e residências de acumuladores de materiais inservíveis); e a aplicação de inseticida espacial com utilização de equipamentos de Ultra Baixo Volume (UBV). 

“Nenhuma intervenção isolada é suficiente para conter a proliferação do Aedes aegypti, bem como a transmissão da dengue, chikungunya, zika ou febre amarela. A combinação estratégica de ações potencializa o trabalho dos municípios, lembrando que o enfrentamento ao Aedes aegypti precisa acontecer durante todo o ano e não apenas no período sazonal de transmissão de doenças (outubro a maio)”, reforçou Valdemar Rodrigues. 

Drones e Ovitrampas

Durante a capacitação também foi abordada a utilização de ovitrampas para o monitoramento dos índices de infestação do Aedes aegypti. A técnica consiste na utilização de armadilhas para atrair fêmeas de mosquitos para a postura de ovos. Isso permite a avaliação indireta da população do vetor, através da detecção de ovos depositados. 

Os profissionais da microrregião de Janaúba/Monte Azul também atualizaram informações sobre a estratificação de risco para identificação de áreas prioritárias com maior circulação de arboviroses; aplicação de inseticida para reduzir a presença de mosquitos em ambientes internos de imóveis; instalação de estações disseminadoras de larvicida (armadilhas que atraem fêmeas e dispersam o inseticida para outros ambientes) e outras técnicas. 

Na prática

Em janeiro de 2024 o município de Montes Claros foi o primeiro do Norte de Minas que iniciou a implementação do projeto de fortalecimento e monitoramento do Aedes aegypti com a metodologia de uso de ovitrampas. O trabalho conduzido pela Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES-MG) está sendo executado pelo Centro de Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde de Montes Claros. Numa primeira fase o projeto contempla a instalação de 543 armadilhas em residências localizadas em regiões estratégicas do município.

Por outro lado, em dezembro de 2024 os 86 municípios da macrorregião de saúde do Norte de Minas iniciaram trabalho de identificação de potenciais criadouros do Aedes aegypti em locais de difícil acesso (topo de morros, edifícios, lajes e imóveis fechados) com o uso de drones. O investimento viabilizado pela SES-MG é superior a R$ 2,2 milhões e, em municípios de menor porte, está sendo executado por meio de consórcios intermunicipais de saúde.

Por Pedro Ricardo

Foto: Cássia Morais

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