Com a perspectiva de computar aumento de até 60% dos casos de arboviroses no período de outubro deste ano a maio de 2027 como consequência do fenômeno climático El Niño, os 853 municípios de Minas Gerais precisam reforçar as ações de enfrentamento ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, febre chikungunya, zika vírus e da febre amarela. Levando em conta a realidade de cada município, as secretarias de saúde precisam articular ações intersetoriais visando eliminar os focos do mosquito visto que, com a alternância de períodos de muito calor e outros de chuvas intensas, a tendência é de que haja aumento da proliferação de mosquitos e, consequentemente, da transmissão de doenças.
Esse foi um dos alertas repassados a profissionais de saúde de 54 municípios que integram a área de atuação da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros entre os dias 23 e 24 de setembro, durante a realização do Seminário Regional da Jornada Mineira de Arboviroses. As atividades foram direcionadas a gestores, coordenadores de vigilância em saúde e de atenção primária à saúde, agentes de combate a endemias, enfermeiros e médicos.
“As arboviroses deixaram de ser tema a ser tratado apenas durante o período sazonal e, sim, durante todo o ano. Isso porque o cenário de transmissão de doenças por parte do Aedes aegypti tem se modificado nos últimos anos em virtude das mudanças climáticas. Além da dengue, chikungunya e zika, os serviços municipais de saúde também precisam intensificar o planejamento de ações de vigilância contemplando também o controle da febre amarela, em virtude da ocorrência de epizootias de macacos acometidos pela doença”, frisou Aline Lara Cavalcanti Oliva, superintendente de vigilância epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES-MG).
Por sua vez, a superintendente regional de saúde de Montes Claros, Dhyeime Marques falou sobre a importância da realização da Jornada Mineira de Arboviroses antes do início do período sazonal.
“Trata-se de uma iniciativa que atualiza os conhecimentos dos profissionais de saúde e supre as necessidades dos novos trabalhadores que recentemente foram inseridos nos serviços municipais”, pontuou ela.
“Além da manutenção de ações contínuas de enfrentamento às arboviroses durante todo o ano, é importante que os municípios intensifiquem o planejamento dos trabalhos de forma intersetorial, unindo os serviços de atenção primária, especializada e de assistência hospitalar, bem como os serviços de vigilância epidemiológica, ambiental e de saúde. Isso é fundamental para que o controle das arboviroses conquiste resultados positivos em benefício da população”, ressaltou a superintendente.
O fenômeno
Agna Soares da Silva Menezes, coordenadora de vigilância em saúde e do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) Regional de Montes Claros explica que orientações repassadas aos estados pelo Ministério da Saúde dão conta de que já a partir de setembro deste ano o El Niño poderá chegar ao nível “muito forte” e a uma situação “crítica” em outubro, causando impactos em todas as regiões do país. As consequências podem variar de seca e estiagem prolongada, temperaturas elevadas, queimadas, temporais e chuvas intensas nas regiões Sudeste e Sul.
“Minas Gerais pode enfrentar tanto excesso quanto escassez de água, demandando preparação para diferentes cenários climáticos. Por isso, na elaboração dos planos de enfrentamento ao El Niño, os municípios estão sendo orientados a dar atenção especial ao mosquito Aedes aegypti”, reforça a coordenadora.
Modelagem preditiva indica maior impacto da dengue na região Sudeste do país, com potencial de até o dobro de casos notificados no segundo semestre deste ano. Em virtude dessa situação, Minas Gerais poderá ter uma temporada de dengue mais intensa.
Para o Norte de Minas e municípios que integram as regionais de saúde de Teófilo Otoni e Pedra Azul a previsão é de que o El Niño deverá intensificar o período de seca e estiagem, com redução da disponibilidade de água tornando inadequadas as condições de habitação e de saneamento.
Por isso, durante o seminário os municípios foram orientados a reforçar as ações de vigilância e eliminação de potenciais criadouros do Aedes aegypti; realização de estratificação de risco e levantamento rápido de índices de infestação do mosquito; reforço da vigilância de macacos por meio do Sistema de Georreferenciamento (SISS-GEO), visando a detecção precoce de animais mortos, com o recolhimento de vísceras para análise laboratorial visando verificar se a ocorrência de epizootias tem a febre amarela como causa.
Também foram abordadas questões relacionadas à organização regional das ações de enfrentamento às arboviroses por meio dos consórcios intermunicipais de saúde; a atualização de médicos e enfermeiros para o diagnóstico e manejo oportuno e adequado de pacientes com suspeita de terem sido acometidos por dengue, chikungunya, zika, febre amarela ou febre de Oropouche.
Este conteúdo foi produzido durante o período de restrição eleitoral e publicado após o encerramento oficial das eleições.
Por Pedro Ricardo
Foto: Pedro Ricardo
