Drones reforçam combate ao Aedes aegypti em 29 municípios da região de Ubá

A utilização de drones para identificar criadouros do Aedes aegypti em áreas de difícil acesso fortalece as ações de prevenção e controle das arboviroses, permitindo que os municípios atuem de forma mais rápida e direcionada na eliminação de focos do mosquito. Entre os dias 15 e 17 de setembro, 29 municípios da área de abrangência da Gerência Regional de Saúde (GRS) de Ubá receberam o primeiro sobrevoo de 2026 para o mapeamento de locais com potencial para proliferação do vetor da dengue, chikungunya, zika e febre amarela.

A iniciativa integra uma estratégia da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), executada na região pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde de Ubá e Região (SIMSAÚDE), com serviços da empresa Aero Engenharia, responsável pela tecnologia de mapeamento aéreo utilizada nos trabalhos. Todo o processo é supervisionado tecnicamente pela Coordenação de Epidemiologia da GRS Ubá. 

Durante os voos, são identificados locais como lajes, caixas d’água destampadas, imóveis fechados ou abandonados, depósitos irregulares de lixo, materiais inservíveis e áreas de difícil acesso para os Agentes de Combate às Endemias (ACEs).

Segundo a coordenadora de Vigilância Epidemiológica da GRS Ubá, Elis Regina de Oliveira Matos, a tecnologia complementa o trabalho de campo realizado pelos municípios mapeando e mostrando locais de difícil acesso, permitindo ações preventivas e corretivas, especialmente no período sazonal. “Com o uso dos drones, conseguimos identificar esses pontos com maior precisão e apoiar os municípios na adoção de medidas mais rápidas e efetivas para eliminação dos criadouros”, destacou.

Os municípios contemplados nesta etapa são Antônio Prado de Minas, Barão do Monte Alto, Brás Pires, Coimbra, Divinésia, Dores do Turvo, Ervália, Eugenópolis, Guarani, Guidoval, Guiricema, Mercês, Miradouro, Miraí, Patrocínio do Muriaé, Piraúba, Presidente Bernardes, Rio Pomba, Rodeiro, Rosário da Limeira, São Francisco do Glória, São Geraldo, São Sebastião da Vargem Alegre, Senador Firmino, Silveirânia, Tabuleiro, Tocantins, Vieiras e Visconde do Rio Branco. Ubá e Muriaé também participam da estratégia por meio da mesma política estadual, mas contam com equipamentos próprios para a realização dos sobrevoos.

Planejamento mais preciso

O mapeamento aéreo permite direcionar as ações municipais para locais com maior probabilidade de existência de criadouros. De acordo com estimativas da Aero Engenharia, cerca de 20% dos potenciais focos do mosquito estão em áreas de difícil acesso, dificultando sua identificação durante as rotinas convencionais de inspeção.

As imagens e vídeos captados são analisados e transformados em relatórios que orientam o planejamento das equipes de zoonoses, ampliando a eficiência das ações de campo e a cobertura das áreas monitoradas. Na área de atuação da GRS Ubá, a cobertura total mapeada nesta etapa será de 638,45 hectares, o equivalente a aproximadamente 894 campos de futebol.

A referência técnica em Arboviroses da GRS Ubá, Jéssica Mendonça, destacou que a tecnologia também fortalece as medidas adotadas pelos municípios após a identificação dos focos. “O mapeamento gera registros fotográficos e audiovisuais que apoiam a notificação dos proprietários de imóveis e auxiliam na adoção das providências necessárias para eliminação dos criadouros. É uma ferramenta que torna as ações mais assertivas e potencializa os resultados das equipes locais”, explicou.

Outra possibilidade é a aplicação de larvicidas biológicos por drones em áreas inacessíveis aos agentes de campo, ampliando a capacidade de resposta dos municípios diante de situações de risco.

Cenário regional

Dados do Painel de Monitoramento de Casos de Arboviroses da SES-MG apontam que, até 15 de setembro, os 31 municípios da área de atuação da GRS Ubá registraram 987 casos prováveis de dengue, dos quais 679 foram confirmados. Um óbito permanece em investigação. No mesmo período, foram notificados 50 casos prováveis de chikungunya, com 49 confirmações da doença. Esses números reforçam a importância de estratégias preventivas e do monitoramento contínuo para reduzir a circulação do mosquito e proteger a população.

Este conteúdo foi produzido durante o período de restrição eleitoral e publicado após o encerramento oficial das eleições.

Por: Keila Lima

Foto: Tech Dengue

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