Minas Gerais passa a contar com um plano específico para orientar a atuação da saúde pública diante dos possíveis impactos do El Niño. O Plano de Enfrentamento ao El Niño do Estado de Minas Gerais foi lançado no último dia 19/08, durante reunião da Comissão Intergestores Bipartite do SUS-MG (CIB-SUS/MG). Elaborado pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), o documento reúne diretrizes para planejamento, monitoramento, preparação e resposta aos eventos climáticos associados ao fenômeno.
“Com o plano, a SES se antecipa aos possíveis cenários, acompanhando os sinais de risco, organizando responsabilidades e preparando a resposta antes que os impactos aconteçam. A proposta é reduzir danos à população e garantir a continuidade dos serviços do SUS”, destaca o subsecretário de Vigilância em Saúde, Eduardo Prosdocimi.
Construído de forma intersetorial, o plano considera a diversidade territorial, climática e socioeconômica de Minas Gerais e prevê estratégias adaptadas às características de cada região.
Preparação e monitoramento
Entre as medidas previstas estão o acompanhamento de informações meteorológicas, ambientais e epidemiológicas, a identificação de áreas e populações mais vulneráveis, a orientação aos municípios para o planejamento de ações de prevenção e resposta e o fortalecimento da comunicação de riscos. A medida qualifica a atuação do Estado, das Unidades Regionais de Saúde e dos municípios.
“Minas Gerais tem realidades muito diferentes entre seus territórios. Por isso, o plano oferece uma orientação comum para todo o estado, mas permite que a resposta seja ajustada às vulnerabilidades e aos riscos identificados em cada região”, explica o subsecretário.
O documento considera possíveis impactos relacionados à estiagem e seca, ondas de calor, chuvas intensas e incêndios florestais. Esses eventos podem causar desidratação, agravar doenças respiratórias e cardiovasculares, além de comprometer a qualidade e a disponibilidade da água e dos alimentos.
Atenção aos grupos mais vulneráveis
Crianças, idosos, gestantes, pessoas com doenças crônicas e populações em situação de maior vulnerabilidade socioambiental estão entre os grupos que exigem atenção ampliada. O plano também considera trabalhadores expostos ao calor e a condições ambientais adversas e pessoas em áreas sujeitas a eventos extremos ou com dificuldade de acesso a serviços essenciais.
No Sudeste, o plano aponta como principais ameaças o atraso da estação chuvosa, ondas de calor e a possibilidade de chuvas intensas localizadas. As previsões atuais indicam alta probabilidade de configuração do El Niño no segundo semestre de 2026, com possibilidade de permanência até pelo menos o início de 2027.
Resposta organizada por estágios
Para orientar a tomada de decisão, o plano estabelece estágios operacionais que vão da normalidade à mobilização, alerta, situação de emergência e crise. Cada estágio considera indicadores, ações e setores responsáveis, permitindo ampliar a resposta de forma progressiva conforme a evolução dos riscos.
“O mais importante é que não precisamos esperar um evento extremo para começar a agir. O monitoramento permite identificar sinais de risco e, a partir deles, adotar medidas proporcionais à situação, fortalecendo a proteção da população e a capacidade de resposta do SUS”, afirma Eduardo Prosdocimi.
Este conteúdo foi produzido durante o período de restrição eleitoral e publicado após o encerramento oficial das eleições.

