Vida no Trânsito | 2021 | Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais

O Observatório Nacional de Segurança Viária trará, para a campanha do Movimento Maio Amarelo em 2021, a reflexão sobre uma atitude que tem faltado nos últimos tempos: respeito e responsabilidade. A proposta do tema da 8ª edição do Movimento Maio Amarelo 2021 é: RESPEITO E RESPONSABILIDADE: PRATIQUE NO TRÂNSITO. É assim, pensando no outro e fazendo por todos, que se espera trazer mais consciência e harmonia para o transitar de todos os brasileiros, com respeito e responsabilidade, se colocando no lugar do outro, praticando os preceitos de uma sociedade educada e empática.

De acordo com o Ministério da Saúde (MS), o perfil de mortalidade no Brasil apresenta uma tendência de expansão de mortes violentas e por doenças crônicas, pressionando a saúde pública por uma ampliação de suas ações para além das doenças transmissíveis. Novas epidemias emergem nesse cenário, principalmente aquelas relacionadas ao modo de viver da população, destacando-se, entre elas, as mortes violentas por acidentes de trânsito.

Em que pese o relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) de 2015 ter constado que o número de mortes por lesões no trânsito se estabilizou desde 2007, os dados apontam que, em 2013, o Brasil surgiu em terceiro lugar em número de óbitos por Acidentes de Transporte Terrestre (ATT), ficando atrás da China e Índia, seguido por Estados Unidos e Rússia. Porém, entre esse grupo, o Brasil apresentava a maior taxa de mortalidade, com 23,4 óbitos por 100 mil habitantes (WHO, 2015).

No Brasil, as causas externas (violências e acidentes) representam a terceira causa de morte entre crianças de zero a 9 anos, passando a ocupar a primeira posição na população de adultos jovens (10 a 49 anos) e ocupa a terceira posição entre a população acima de 50 anos. A maior parte das vítimas desses acidentes do trânsito é do sexo masculino e jovens em idade produtiva. São milhares de mortes prematuras, ocorridas todos os anos, com forte impacto social, econômico, no setor saúde e para as famílias.

O ano de 2020, representou um marco importante para redução dos óbitos por acidentes de trânsito, ele encerrou a Década de Ação pela Segurança no Trânsito, proposta pela ONU (Organização das Nações Unidas) e OMS (Organização Mundial da Saúde) em 2009, e que chamava a atenção dos países para o alto número de mortos e feridos no trânsito de todo o mundo. Na Conferência Mundial de Segurança Viária, em fevereiro de 2020, realizada na Suécia, a ONU e a OMS propõem uma 2ª Década de Ação, com o mesmo objetivo anterior: reduzir em 50% o número total de mortes no trânsito em 10 anos, pelo simples fato que esse objetivo não foi alcançado na última década.

 Para a OMS os Acidentes de Transporte Terrestre constituem grave problema mundial decorrente do impacto na morbimortalidade, particularmente na população mais jovem e predominantemente do sexo masculino. Esses acidentes exercem forte impacto sobre os serviços de saúde, pelas altas demandas principalmente nos serviços públicos de emergência, de assistência especializada, de reabilitação física, psicológica e de assistência social, bem como para a sociedade em geral (AZEVEDO et al., 2017).

Em consonância com o panorama nacional, o gráfico 01 demonstra que em Minas Gerais o total de internações por causas externas foi 1.375.976, no período de 2010 a 2021, e os ATT representaram a segunda causa de internações nos hospitais públicos, correspondendo a 17,4% do total das internações.

Gráfico 01 - Total de Internações hospitalares segundo causas externas. Minas Gerais, 2010 a 2021*.

O gráfico 02 demonstra que em Minas Gerais, o sexo masculino é o gênero que apresenta o maior de número de internações hospitalares por ATT com 79% dos casos (n=239.238).

Gráfico 02 - Distribuição das internações hospitalares no SUS por Acidentes de Transporte Terrestre segundo ano de internação. Minas Gerais, 2010 a 2021*.

O predomínio do sexo masculino também foi observado na análise das internações hospitalares por categoria de acidente, na qual observa-se que a categoria motocicleta concentra 48,6% das internações e deste percentual, 85,4 % se refere à população masculina. A categoria motocicleta é a que apresenta maior diferença entre os sexos, como uma diferença de 71%, seguida pelos ciclistas com 67% quando comparado o sexo masculino em relação ao feminino (Gráfico 03).

Gráfico 03 - Distribuição das internações hospitalares no SUS Geral, segundo categoria. Minas Gerais, 2010 a 2021*.

O gráfico 04, apresenta a distribuição de internação por ATT entre as faixas etárias (n=239.238). Observa-se que a faixa etária (20 a 29 anos) concentra o maior número das internações 28%.

Gráfico 04 - Distribuição das internações hospitalares no SUS Geral Acidentes de Transporte Terrestre, segundo faixa etária. Minas Gerais, 2010 a 2021*.

 

Na análise da série histórica de óbitos por ATT, no período de 2010 a 2021, segundo sexo, verificou-se que os homens apresentaram maior percentual (81%) dos óbitos por acidentes (gráfico 05).

Gráfico 05 - Distribuição dos óbitos por Acidentes de Transporte Terrestre segundo sexo e ano. Minas Gerais, 2010 a 2021*.

A categoria ciclista é a que apresenta maior diferença entre os sexos, com uma diferença de 91%, seguida pelos motociclistas com 90%, quando comparado o gênero masculino em relação ao feminino (Gráfico 06).

Gráfico 06 - Distribuição dos óbitos por Acidentes de Transporte Terrestre segundo sexo e categoria. Minas Gerais, 2010 a 2021*.

 

A maior concentração do número de óbitos ocorreu nas faixas etária compreendidas entre 20 a 49 anos, a faixa etária de 20 a 29 apresentou o maior registro perfazendo um total de 22% do total dos 44.731 registros de óbitos no SIM por ATT (Gráfico 07).

Gráfico 07 - Distribuição dos óbitos por Acidentes de Transporte Terrestre segundo faixa etária. Minas Gerais, 2010 a 2021*.

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Os acidentes de trânsito são previsíveis e, portanto, podem ser prevenidos. No entanto, para se combater o problema é preciso haver uma coordenação e uma estreita colaboração entre os diversos setores e disciplinas, além de interesse político e comprometimento das autoridades essenciais (OMS, 2012).

A OMS reconhece a complexidade desses acidentes e a necessidade de se ampliarem as ações dirigidas à vigilância, à prevenção e ao seu controle, no sentido de assumir outros processos sociais como determinantes aliadas ao conceito da promoção da saúde (WHO, 2015).

A análise das características de risco no acidente, considerando o ser humano, os veículos, as vias por onde trafegam veículos e pessoas, constitui importante contribuição desse estudo para ampliação do número de fatores desvelados que apresentam relação com o fenômeno (ALMEIDA et al., 2013). Outro fator a ser considerado é a projeção de ambientes viários seguros, não apenas seguir as normas de projeto, é necessário pensar o ambiente viário na escala humana, avaliando como se comportarão as pessoas, ou seja, é preciso prever o que os usuários da via farão, e não o que eles deveriam fazer. Vias seguras são aquelas que “perdoam erros”, afinal, o ser humano pode eventualmente cometer erros (Guia Vida no Trânsito, 2015).

 

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PEDESTRE

  • Atravesse a via sempre olhando para os dois lados;
  • Não utilize equipamentos que retirem sua atenção, como fones de ouvidos ou celular;
  • Atravesse a via utilizando as faixas de segurança ou a passarela. Respeite as placas, os sinais e as regras gerais de trânsito, a fim de promover uma cultura de segurança.

PASSAGEIRO

  • Use, obrigatoriamente, o cinto de segurança em qualquer situação e distância.
  • Menores de 10 anos devem ser transportados no banco traseiro com o cinto de segurança;
  • Menores de 4 anos devem ser transportados no banco traseiro e em cadeira especial;
  • Menores de 1 ano devem ser transportados no banco traseiro e em assento próprio.

CICLISTA

  • Trafegue nas ciclovias e ciclofaixas. Onde elas não existirem, ande próximo ao meio fio;
  • Trafegue sempre no mesmo sentido dos veículos;
  • Lembre-se sempre que capacete, joelheiras, cotoveleiras e luvas reduzem o impacto e o risco de ferimentos graves;
  • Nunca pegue carona na traseira de veículos.

MOTOCICLISTA

  • Use sempre o capacete e exija que seu carona também use;
  • Utilize sempre capacete fechado e que tenha o selo do INMETRO;
  • Não pilote depois de ingerir qualquer bebida alcoólica;
  • Não utilize equipamentos que retirem sua atenção, como fones de ouvidos ou celular;
  • Utilize luzes de circulação diurna.

MOTORISTA

  • Transite em velocidade condizente com a velocidade permitida na via em que está trafegando;
  • Mantenha distância segura de, pelo menos, 10 metros de distância do carro da frente, principalmente em caso de chuva;
  • Utilize luzes diárias de circulação diurna;
  • Respeite a faixa de pedestre;
  • Use sempre o cinto de segurança;
  • Não utilize equipamentos que retirem sua atenção, como fones de ouvidos ou celular;
  • Não pilote depois de ingerir qualquer bebida alcoólica.

A importância do uso do cinto de segurança
No caso de uma frenagem brusca, capotagem ou impacto frontal devido a uma colisão, o cinto de segurança protege e mantém o corpo do condutor e dos demais ocupantes no assento.

Se beber, já sabe: não dirija!
O consumo de álcool, mesmo em quantidades relativamente pequenas, aumenta o risco de envolvimento em acidentes, tanto para condutores como para pedestres. Além de provocar a deterioração de funções indispensáveis à segurança ao volante, como a visão e os reflexos, o álcool diminui também a capacidade de discernimento, estando em geral associado a outros comportamentos de alto risco, como excesso de velocidade e inobservância do uso de cinto de segurança.

Transite em velocidade condizente com a permitida
O campo de visão do condutor também é afetado à medida que a velocidade aumenta. Enquanto a 40 km/h o condutor alcança 100% da capacidade de visualização, a 100 km/h seu campo de visão será de apenas 45 graus.

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A pesquisadora associada do Laboratório de Informação em Saúde (LIS/Icict), Giseli Damacena, analisou os dados sobre consumo de bebidas alcoólicas e o hábito de dirigir após beber, divulgados pela Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) 2013. A investigação revelou números que impressionam: 24,3% da população brasileira admitem já ter consumido bebida alcoólica antes de dirigir.

Conforme a análise da pesquisadora, a proporção de pessoas que se envolveram em acidentes de trânsito com lesões corporais nos últimos 12 meses anteriores à Pesquisa no Brasil foi de 3,1% da população geral, sendo que 7,5% foram os que referiram consumo abusivo e frequente de álcool. A partir do artigo “Consumo abusivo de álcool e envolvimento em acidentes de trânsito na população brasileira, 2013”, produzido por Giseli Damacena e outros autores, foi desenvolvida a série “Álcool e trânsito”, que traz dados, documentos, infográficos, gifs animados, trechos de vídeo e depoimentos de especialistas sobre o assunto.

A proposta da série de reportagens é promover o debate sobre os impactos na saúde dos acidentes de trânsito causados pelo consumo de álcool pelos condutores. Abaixo, confira as quatro reportagens da série:

  1. Segundo dados da PNS, um em cada quatro brasileiros admite dirigir alcoolizado
  2. Lei Seca: o efeito das multas na prevenção aos acidentes de trânsito
  3. Acidentes no trânsito: os custos e o valor de uma vida
  4. Na contramão das campanhas, adolescentes e jovens começam a beber mais cedo