A Sífilis é uma infecção bacteriana (Treponema pallidum), que tem cura e tratamento garantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A maioria das pessoas diagnosticadas com essa Infecção Sexualmente Transmissível (IST) tende a não ter conhecimento da infecção, podendo transmiti-la aos seus parceiros sexuais por meio de relação sexual - anal, vaginal e/ou oral. A principal forma de prevenção da Sífilis é o uso do preservativo em todas as relações sexuais, seja ele masculino ou feminino.

A sífilis é uma infecção que possui vários estágios, que se caracterizam de acordo com a sua infectividade e o tempo de exposição ao organismo.

  1. Sífilis Primária: apresenta uma erosão ou úlcera no local de entrada da bactéria (pênis, vagina, ânus, boca), denominada de “cancro duro”; única, indolor. Esse estágio pode durar entre duas a seis semanas.
  2. Sífilis Secundária: os sinais e sintomas surgem em média entre seis semanas e seis meses após a infecção e duram em média entre quatro e 12 semanas; podem ocorrer erupções cutâneas em forma de máculas e/ou pápulas, principalmente no tronco; lesões eritemato-escamosas palmo-plantares não pruriginosas, queda de cabelo, febre, mal estar, dor de cabeça.
  3. Sífilis Latente: período em que não se observa nenhum sinal ou sintoma clínico da sífilis, é subdividida em latente recente (menos de um ano de infecção) e latente tardia (mais de um ano de infecção, mas o indivíduo continua a transmitir a doença.
  4. Sífilis Terciária: ocorre após o não tratamento da doença podendo cursar de dois anos a 40 anos depois do início da infecção. Nesta fase a sífilis acomete o sistema nervoso central causando neurossífilis, problemas cardiovasculares e complicações ósseas.

Se não tratada a tempo, a Sífilis pode comprometer o sistema nervoso central, o sistema cardiovascular, além de órgãos como olhos, pele e ossos. Para ter acesso ao diagnóstico, o usuário do SUS deverá ser encaminhado para a realização do teste rápido, como triagem, e em caso de resultado positivo (reagente) deverá proceder com a realização de exame de sangue (VDRL) para confirmação da doença, exames físicos para avaliação de lesões típicas na pele e mucosas disseminadas, além da coleta do chamado líquido cefalorraquidiano.

Onde realizar o exame?

Em Minas Gerais, os usuários encontram esse exame disponível nas Unidades Básicas de Saúde e Centros de Testagem e Aconselhamento/Serviço de Atenção Especializada (CTA/SAE).
As pessoas que tiveram contato sexual sem proteção, caso haja a manifestação de algum sintoma característico da doença, é fundamental buscar uma Unidade Básica de Saúde para diagnóstico e tratamento adequados. Para sensibilizar sobre as formas de prevenção, diagnóstico e tratamento da doença, é comemorado no terceiro sábado do mês de outubro o Dia Nacional de Combate à Sífilis.

 

Sífilis Congênita

Transmitida da mãe para o bebê durante a gestação ou no momento do parto, a sífilis congênita pode causar complicações como nascimento prematuro, baixo peso ao nascer, pneumonia, anemia, má-formação e até acometimento cerebral. Assim, é fundamental que todas as gestantes iniciem o pré-natal logo no início da gravidez e realizem todos os exames necessários. Mesmo que a sífilis seja diagnosticada na mãe, por meio de um tratamento adequado é possível evitar que o bebê nasça com a sífilis congênita.

 

DADOS EPIDEMIOLÓGICOS

 

PERGUNTAS E RESPOSTAS

O que é a Sífilis?

A sífilis é uma doença sexualmente transmissível causada por uma bactéria chamada Treponema pallidum. Esta infecção também pode se espalhar de mãe para filho durante a gravidez.

Quais são os sintomas da sífilis?

Os sinais e sintomas da sífilis variam de acordo com cada estágio da doença, que divide-se em:

  • Sífilis primária: Ferida, geralmente única, no local de entrada da bactéria (pênis, vulva, vagina, colo uterino, ânus, boca, ou outros locais da pele), que aparece entre 10 a 90 dias após o contágio. Essa lesão é rica em bactérias. Normalmente a ferida não dói, não coça, não arde e não tem pus
  • Sífilis secundária: Os sinais e sintomas aparecem entre seis semanas e seis meses do aparecimento e cicatrização da ferida inicial. Pode ocorrer manchas no corpo, que geralmente não coçam, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés. Essas lesões são ricas em bactérias. Pode ocorrer febre, mal-estar, dor de cabeça e ínguas pelo corpo.
  • Sífilis Latente: Essa fase é assintomática, ou seja, não aparece sinais ou sintomas. É dividida em sífilis latente recente (menos de dois anos de infecção) e sífilis latente tardia (menos de dois anos de infecção). A duração é variável, podendo ser interrompida pelo surgimento de sinais e sintomas da forma secundária ou terciária.
  • Sífilis terciária: Os sintomas podem surgir de dois a 40 anos depois do início da infecção. Pode apresentar sinais e sintomas, principalmente lesões cutâneas, ósseas, cardiovasculares e neurológicas, podendo levar à morte.

Qual é a melhor forma de prevenir a Sífilis?

A sífilis é uma doença que nem sempre apresenta sintomas, em alguns casos a infecção é silenciosa e não apresenta sintomas durante anos. Ainda assim, as pessoas infectadas continuam transmitindo a doença, desta forma, o melhor método de prevenção é a utilização dos preservativos em todas as relações sexuais.

O acompanhamento das gestantes e parcerias sexuais durante o pré-natal de qualidade contribui para o controle da sífilis congênita.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico da sífilis pode ser realizado na Unidade Básica de Saúde, através do teste rápido. O teste rápido é simples e de fácil execução podem ser realizados com a coleta de uma gota de sangue na ponta do dedo e caso o resultado seja reagente uma amostra de sangue deverá ser coletada e encaminhada para a realização de um teste laboratorial para a conclusão do diagnóstico. A Sífilis tem cura! O tratamento deve ser realizado o mais rápido possível!

Quem deve fazer o diagnóstico?

Todas as pessoas sexualmente ativas, mesmo que não apresentem sintomas, devem fazer o teste para ter certeza de que não estão infectadas, uma vez que a doença regride mesmo sem tratamento e pode evoluir para formas graves.

Se o indivíduo teve relação sexual desprotegida e, mesmo na ausência de sintomas, quer “tirar a dúvida” sobre a possibilidade da infecção, deve aguardar 3 a 4 semanas para a realização do teste.

Como é realizado o tratamento?

O tratamento é disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sendo a benzilpenicilina benzatina o medicamento de escolha e a única droga com eficácia durante a gestação. Para prevenção da sífilis congênita, tanto as gestantes quanto seus parceiros devem fazer os exames de diagnóstico. Em caso de resultado positivo para a gestante, é fundamental que o parceiro também procure o serviço de saúde e passe pelo tratamento. Dessa forma, a reinfecção por sífilis é evitada, e a saúde da mãe e do bebê ficam garantidas.

As gestantes com sífilis devem realizar o tratamento?

A gestante deve ser tratada imediatamente após o diagnóstico de sífilis. O tratamento é uma forma de diminuir o risco de transmissão para o bebê. É importante que o tratamento inicie pelo menos 30 dias antes do nascimento do bebê, afim de evitar a transmissão vertical.

A (s) parceria (s) sexual (is) das gestantes devem realizar o teste para sífilis?

É necessário que o (s) parceiro (s) sexuais da gestante diagnosticada com sífilis sejam testados e tratados, afim de evitar a reinfecção durante a gravidez. É importante que o preservativo seja utilizado nas relações sexuais durante a gestação.

O que é Sífilis Congênita?

A sífilis congênita é uma doença transmitida para criança durante a gestação (transmissão vertical). Por isso, é importante fazer o teste para detectar a sífilis durante o pré-natal e, quando o resultado for positivo (reagente), tratar corretamente a mulher e a parceria sexual, para evitar a transmissão.

Recomenda-se que a gestante seja testada pelo menos em 3 momentos:
  • Primeiro trimestre de gestação.
  • Terceiro trimestre de gestação.
  • Momento do parto ou em casos de aborto
A sífilis congênita pode se manifestar logo após o nascimento, durante ou após os primeiros dois anos de vida da criança.

Quais são as complicações da sífilis congênita?

São complicações da sífilis congênita:
  • aborto espontâneo;
  • parto prematuro;
  • má-formação do feto;
  • surdez;
  • cegueira;
  • deficiência mental;
  • morte ao nascer.

 

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