Com o objetivo de traçar novas estratégias de políticas públicas visando o fortalecimento das Unidades de Vigilância de Zoonoses (UVZ), nesta terça-feira, 17/3, a Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros sediou a realização de encontro de coordenadores de vigilância em saúde e responsáveis técnicos de endemias de 54 municípios do Norte de Minas. A iniciativa, que também contemplará as demais 27 Unidades Regionais de Saúde (URS), foi conduzida pelo veterinário, José Honorato Begalli, referência técnica da Coordenação Estadual de Vigilância das Zoonoses. Na oportunidade, foi apresentado o diagnóstico situacional das ações e serviços de zoonoses, baseado em informações repassadas em dezembro de 2025 pelos municípios.
Como integrante do Sistema Único de Saúde (SUS), as Unidades de Vigilância de Zoonoses, anteriormente conhecidas como Centros de Controle de Zoonoses (CCZ), são estabelecimentos de saúde responsáveis por prevenir e controlar doenças transmitidas entre animais e humanos (entre elas raiva, leishmaniose tegumentar e visceral, leptospirose e esporotricose).
Entre as atividades implementadas pelas Unidades de Vigilância está o monitoramento de focos de doenças como febre maculosa, dengue, febre chikungunya, zika vírus e febre amarela; a coleta de amostras e controle populacional de animais reservatórios (cães, gatos, cavalos); controle de animais sinantrópicos (roedores, pombos, morcegos e baratas); controle de animais peçonhentos (escorpiões, aranhas e abelhas); vacinação antirrábica; diagnóstico de zoonoses e execução de ações educativas visando orientar a população sobre a prevenção de doenças.
“Levando em conta as características e as necessidades regionais, estamos iniciando a apresentação do diagnóstico da situação das Unidades de Vigilância de Zoonoses pelas regiões Norte e Nordeste de Minas visando avaliarmos, junto com os municípios, as estratégias para formulação de políticas públicas que reforcem o trabalho dos profissionais. Nesse contexto, é preciso levarmos em conta as necessidades e peculiaridades dos territórios para que, de forma efetiva, o estado e os municípios consigam atender as necessidades regionais”, destacou José Begalli.
Durante o encontro, Milton Formiga, referência técnica da Coordenação de Vigilância em Saúde na SRS de Montes Claros, falou sobre a importância do alinhamento de informações entre a Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais (SES-MG) com os municípios, levando em conta a necessidade do reforço das ações de vigilância das zoonoses para a saúde pública.
Já a coordenadora de vigilância epidemiológica na Superintendência Regional de Saúde de Montes Claros, Rita de Cássia Rodrigues, enfatizou que “é importante a iniciativa da Coordenação Estadual de Vigilância das Zoonoses discutir e conhecer a realidade dos municípios visando a definição de diretrizes de políticas públicas que melhorem e promovam a integração dos profissionais de diversos segmentos da saúde, entre eles os que atuam nos serviços de vigilância e de atenção primária”.
Entre outros aspectos, o diagnóstico apresentado pela SES-MG avaliou aspectos referentes às estruturas físicas das unidades de vigilância; a disponibilidade e capacitação de profissionais; a contratação de veterinários para dar suporte às ações dos agentes de controle de endemias; a disponibilidade de estruturas para a realização de exames laboratoriais, consultas veterinárias, castração de cães e gatos e microchipagem; a existência de condições para o atendimento de demandas da população e a realização de ações de educação em saúde.
Nesta quarta-feira, 18/3, José Begalli, Milton Formiga, Rita Rodrigues e Amanda Andrade Costa, referência técnica da SRS de Montes Claros, farão visita à Unidade de Vigilância de Zoonoses de Montes Claros.
Cenários
Ainda durante o encontro, José Begalli apresentou o atual cenário das leishmanioses tegumentar e visceral e da esporotricose (micose subcutânea transmitida principalmente por arranhaduras ou mordidas de gatos infectados, além do contato das pessoas com solo e plantas).
Até a década dos anos 80 a esporotricose era tida como uma doença ocupacional, acometendo principalmente jardineiros e hortifruticultores. Atualmente a principal forma de contágio, especialmente em áreas urbanas, é a zoonótica, através do contato das pessoas com gatos doentes, que apresentam feridas profundas e de difícil cicatrização.
A doença se caracteriza pelo surgimento de caroços ou úlceras na pele, frequentemente nos braços e rosto que podem virar feridas. Em casos raros, a doença pode afetar pulmões, ossos e articulações. Tem cura, mas exige tratamento prolongado disponibilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Em gatos a doença se manifesta por meio de feridas na face e patas, aumento do volume do nariz, espirros e secreção nasal. No caso dos animais, a prevenção inclui a necessidade de evitar que gatos tenham acesso livre à rua. Já as pessoas devem usar luvas ao manusear terra ou material orgânico e isolar animais doentes, porém sem abandoná-los, visto a disponibilidade de tratamento.
Animais que vêm a óbito devem ser cremados para evitar contaminação do solo.
Por Pedro Ricardo
Foto Pedro Ricardo
