Equipes de Imunização, Vigilância Epidemiológica e Vigilância em Saúde dos municípios integrantes da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Ponte Nova participaram de reunião sobre zoonoses em 19 de junho, no auditório do Sindicato dos Produtores Rurais de Ponte Nova. Na pauta constavam a Campanha Antirrábica Animal 2023, a febre maculosa e a febre amarela. O encontro foi organizado pela Coordenação de Vigilância em Saúde (CVS) e do Núcleo de Vigilância Epidemiológica (Nuvepi) regionais.
A primeira temática envolveu a febre maculosa que, diante do cenário atual de casos da doença em São Paulo. Segundo a coordenadora da Vigilância em Saúde , Graziele Menezes Ferreira Dias, a SRS Ponte Nova já realiza uma vigilância ativa, uma vez que o território é propenso à ocorrência da doença. “Nosso território apresenta-se como área endêmica para a febre maculosa, sendo a doença uma importante causa de morbimortalidade na região”, frisou.
“Ações de coleta de carrapatos foram desenvolvidas durante o mês de abril deste ano em vários municípios da região e foram desencadeadas ações locais nos municípios”, informou. A coordenadora ainda destacou a importância de se incentivar a vigilância de ambientes em áreas consideradas silenciosas para a presença da doença.
Febre Amarela
Segundo a coordenadora de Vigilância em Saúde, Graziele Dias, passou à temática da febre amarela, esclarecendo que poucas notificações de epizootias (ocorrência ou detecção de animais doentes) foram realizadas pelos municípios da SRS. “A circulação do vírus silvestre é uma realidade em Minas Gerais e a detecção precoce em um primata não humano permite ao sistema de saúde se organizar, já que sempre precede os casos humanos. Uma vez detectada a epizootia e trabalhada de forma adequada, é possível intensificar a vacinação na área, sensibilizar a população, comunicar o risco e, assim, evitar a ocorrência de casos humanos”, alertou. Ela destacou ainda a incorporação de novas ferramentas ao processo de vigilância, como o Sistema de Informação em Saúde Silvestre (SISS-Geo), que fortalece a vigilância para a tomada de decisão, avaliação de risco e definição de áreas prioritárias para intensificação dos trabalhos.
A referência técnica em Imunização, Sandra Isabel Ribas Fonseca, enfatizou a cobertura vacinal de febre amarela na área da SRS, considerada insuficiente, alertando para a existência de bolsões suscetíveis e sobre a importância de intensificação da busca ativa.
Campanha Antirrábica
A reunião também contou com informes sobre a Campanha Antirrábica Animal 2023, que ocorrerá de 1º de agosto a 30 de setembro de 2023. Em Minas Gerais, casos isolados da doença em humanos têm ocorrido de forma ocasional.
Graziele Dias explica que a vigilância da raiva humana deve considerar os seguintes pilares: notificação e investigação tanto de casos humanos quanto de animais; vacinação anual de cães e gatos conforme metas preconizadas; profilaxia antirrábica humana de pré e pós exposição e monitoramento da circulação viral para confirmação de casos e identificação de variantes.
Sobre as principais medidas que têm mantido a baixa incidência da raiva humana em Minas Gerais, a coordenadora elencou: “A realização de campanha de vacinação antirrábica animal; a intensificação da vigilância; o controle e a profilaxia, a participação da população através da adesão às campanhas de vacinação antirrábica animal e da procura de atendimento médico em caso de acidente/agressão; a intensificação de capacitações dos profissionais de saúde; a educação em saúde; a qualificação dos sistemas de informação e a posse responsável de animais”.
A respeito da execução da campanha, Sandra Ribas pontuou que a vacinação deverá ocorrer em postos fixos e na modalidade casa a casa, observando as necessidades e características epidemiológicas de cada região. “Temos que vacinar o maior número de cães e gatos no menor espaço de tempo, com o intuito de impedir que o vírus rábico alcance a população, interrompendo, assim, o ciclo urbano de transmissão da doença”, disse. A referência técnica também chamou atenção para a necessidade de que a equipe de imunização municipal se responsabilize pela retirada, pelo transporte e pelo armazenamento dos imunobiológicos, tal como ocorre com as vacinas humanas.
Sies
Por fim, a coordenadora do Nuvepi, Thiany Silva Oliveira, apresentou o processo de descentralização de insumos via Sistema de Informação de Insumos Estratégicos (Sies). “O intuito é organizar e tornar mais transparente o processo de entrega de praguicidas, além de organizar o fluxo e permitir o controle de estoque e o rastreio de produtos e demais insumos entregues”, explicou. As referências municipais em Epidemiologia devem solicitar um cadastro, que será liberado para o devido acesso ao sistema. Posteriormente, haverá treinamento para solicitação e emissão de nota fiscal no sistema.
Autor: Tarsis Murad