Ações do Agosto Lilás discute políticas públicas em defesa da mulher
É preciso falar sobre a violência doméstica e familiar contra a mulher. Por isso, o calendário da saúde traz o “Agosto Lilás” – data que faz alusão à aprovação da Lei Maria da Penha no Brasil. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o tema deve ser encarado como um problema de saúde pública. Em levantamento feito entre 2011 e 2015, em 133 países, uma em cada três mulheres já sofreu violência por parte de seus parceiros. Com este engajamento, eventos discutem políticas públicas para fortalecer as mulheres, como a Conferência Estadual de Políticas para as Mulheres – que ocorre em Minas Gerais entre 27 e 29/8.
Segundo Bárbara da Silva Cassimiro, referência técnica da Diretoria de Gestão da Integralidade do Cuidado da Secretaria de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e participante da Conferência, o evento é um espaço democrático de debate, avaliação e construção de propostas. “Trata-se de uma instância participativa que reúne governo e sociedade civil com o objetivo de fortalecer as políticas públicas de igualdade de gênero e enfrentamento de todas as formas de violência contra as mulheres”. O objetivo é gerar impacto social significativo, ouvindo as demandas reais dos territórios e articulando com o Agosto Lilás. “Embora não seja o mesmo evento, ambos promovem o direito das mulheres: enquanto o Agosto Lilás sensibiliza a sociedade, a Conferência Estadual é um espaço que estrutura e consolida políticas públicas permanentes – ambos são complementares”.
A voz dela
Uma moradora do município de Descoberto, que não quis se identificar, vítima de violência doméstica, narra que sofreu agressões por mais de 18 anos. “Nós, mulheres, tendemos a nos culpar no início das agressões, só depois de muito tempo percebemos que somos vítimas, mas aí a situação já está bastante complicada”. Ela comenta que o marido vinha de uma família estruturada, só que com o tempo começaram os xingamentos, depois restrições a ver a família, até que ela adoeceu. “Virei diabética, comecei a ter pressão alta, e só queria ficar deitada”. Até que ela começou a apresentar marcas das agressões e tinha também que esconder dos vizinhos, pois tinha medo de denunciar. “Ele passou a tomar conta de tudo que eu fazia, eu tremia só de ouvir o barulho do portão quando sabia que meu marido estava chegando”.
A moradora continua seu depoimento narrando que sofreu todas violências possíveis e que só conseguiu se libertar depois de acabar de criar o filho e conseguir um trabalho. “Das violências a que mais doeu foi a sexual, não havia mais amor, eu cedia, a relação acontecia com meu choro”. Mas hoje, ela comenta que se restabeleceu, saiu da casa do marido e não precisa tomar mais os medicamentos. “Voltei a ser uma pessoa alegre e deixo como recado para as mulheres: desde a primeira vez que forem violentadas peçam socorro”, conclui.
Formas de violência contra a mulher
A violência doméstica geralmente engloba mais de uma violência. Além da física e sexual, outras formas são:
. Violência moral – Humilhações, xingamentos e desprezo à mulher; seja calúnia – falar mentiras a seu respeito – ou difamação – denegrir sua imagem;
. Violência psicológica – Qualquer ato ou fala que vise desequilibrar a mulher emocional e psicologicamente, e diminuir sua autoestima;
. Violência patrimonial – Retenção, subtração ou destruição de bens, objetos, documentos pessoais ou recursos econômicos;
. Feminicídio – Assassinato intencional de uma pessoa devido ao seu gênero, incluindo mulheres, transexuais, travestis e homossexuais.
Denuncie
Se for seguro, ofereça apoio à vítima e incentive a denúncia. Caso não seja possível, denuncie anonimamente pelo 180 ou ligue 190 se a agressão estiver ocorrendo no momento.
No Estado de Minas Gerais, atualmente há 108 instituições hospitalares de referência para o atendimento às vítimas de violência sexual. A Atenção Primária à Saúde desempenha um papel crucial no acolhimento e atendimento às mulheres vítimas de violência.
Maiores informações no site https://www.mg.gov.br/servico/solicitar-atendimento-medico-de-urgencia-pessoas-vitimas-de-violencia-sexual.
Texto: Benjamim Júnior
Foto : Banco de imagens gratuito