Vigilância em Saúde: Atendimento a vítimas de acidentes com escorpiões reforça alerta da Regional de Montes Claros 

Constituído pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) como centro de referência para assistência a vítimas de acidentes com animais peçonhentos, aliado a outros 17 polos de soroterapia mantidos na área de abrangência da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros, em 2025 o Hospital Universitário Clemente de Faria (HUCF) registrou 3 mil 377 atendimentos. Desse total, 2 mil 711 casos foram relacionados a picadas de escorpião, representando mais de 80% das notificações. 

Os dados divulgados neste mês pelo Hospital, que é administrado pela Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), confirmam levantamento realizado entre janeiro de 2020 e novembro de 2025 pela SRS. No período, do total de 40 mil 690 acidentes com animais peçonhentos registrados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), 32 óbitos foram relacionados a escorpiões, representando 90% dos casos registrados no Norte de Minas. 

O Núcleo de Vigilância Hospitalar (NUVEH) do Hospital Universitário revela que, em 2025, depois dos casos decorrentes de acidentes com escorpiões aparecem em segundo lugar os atendimentos a vítimas de picadas de cobras (109); acidentes com aranhas (82); insetos desconhecidos (46); abelhas (34); marimbondos e lagartas (16 casos, cada). Também foram registrados 45 acidentes envolvendo morcegos; cinco ocorrências com primatas; quatro com animais silvestres e três com ratos.

“O predomínio expressivo do escorpionismo indica que o controle ambiental deve ser prioridade nos municípios, sobretudo nos de maior densidade populacional. A presença do Tityus serrulatus, espécie altamente adaptada a ambientes urbanos e que se reproduz de forma partenogenética (sem a presença do macho), favorece o aumento de populações mesmo em áreas com poucas fêmeas e ao longo de todo o ano”, alerta a enfermeira, Amanda de Andrade Costa, referência técnica da Coordenação de Vigilância em Saúde da SRS. 

Ainda de acordo com Amanda Costa, “a predominância de casos leves (88,6%) reforça o perfil epidemiológico típico do escorpionismo urbano. Entretanto, os casos moderados (7,4%) e graves (1,4%), embora menos frequentes, são os que concentram maior risco de óbito. Isso reforça a necessidade de vigilância clínica rigorosa, organização da rede assistencial e capacitação permanente de profissionais”. 

Por sua vez, Agna Soares da Silva Menezes, coordenadora de vigilância em saúde na SRS de Montes Claros, observa que “nesta época do ano (verão) em que há alternância de dias de chuva e de calor intenso, tanto os serviços municipais de controle de endemias como a população em geral precisam redobrar os cuidados contra acidentes com animais peçonhentos. Isso porque, além do aumento da reprodução, incomodados com dias de altas temperaturas ou de muita chuva, os animais procuram abrigo em domicílios aumentando, com isso, o risco de acidentes”. 

Segundo Boletim Epidemiológico divulgado no final de 2025 pela SRS, os 54 municípios da sua área de jurisdição têm casos notificados de acidentes com animais peçonhentos, porém sete localidades concentram 65% das ocorrências: Montes Claros (15.685); Bocaiúva (2.189); Salinas (2.150); Porteirinha (1.984); Jaíba (1.616); Coração de Jesus (1.366) e Janaúba (1.251). 

Recomendações

“É de fundamental importância que os gestores de saúde e a população redobre os cuidados, especialmente em relação às crianças e idosos, que constituem os grupos mais suscetíveis ao envenenamento sistêmico grave”, alerta Agna Menezes. 

Por isso a SRS recomenda aos municípios a adoção de várias medidas, entre elas o aprimoramento da qualidade dos dados das notificações registradas no Sinan; o monitoramento contínuo das tendências epidemiológicas, com análises mensais e identificação de áreas e períodos de maior risco para a ocorrência de acidentes; a realização de capacitações de profissionais de saúde; intensificação das ações educativas, de controle e manejo ambiental; de mobilização e de orientação preventiva envolvendo a população.   

Além do HUCF outras 17 unidades hospitalares atendem vítimas de acidentes com animais peçonhentos: Bocaiúva; Coração de Jesus; Espinosa; Grão Mogol; Francisco Sá; Jaíba; Janaúba; Mato Verde; Mirabela; Monte Azul; Montezuma; Ninheira; Porteirinha; Rio Pardo de Minas; São João do Paraíso; Salinas e Taiobeiras.

Por: Pedro Ricardo

Foto: Pedro Ricardo/SRS Montes Claros

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