Minas Gerais é o estado que mais investe em ações de incentivo à vacinação da população. Entre 2023 e 2025, por meio da estratégia Vacina Mais Minas, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) investiu mais de R$ 500 milhões em várias iniciativas de apoio aos municípios, entre elas a compra de vacimóveis (veículos adaptados para a realização de vacinações fora das unidades de saúde) e implementação, a partir de 2024, do Programa Mineiro de Imunizações. Entre outras conquistas, no ano passado foram aplicadas mais de 17 milhões de doses de vacinas no estado.
Esses foram alguns dos resultados apresentados nesta quarta-feira, 29/4, pelo subsecretário estadual de vigilância em saúde, Eduardo Campos Prosdocimi, durante a realização do Seminário Desafios e Reflexões para a Melhoria das Coberturas Vacinais nos municípios vinculados à Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros e às Gerências Regionais de Saúde (GRS) de Januária e Pirapora. O evento, realizado no auditório do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, da Universidade Estadual de Montes Claros (Unimontes), envolveu mais de 200 profissionais.
“O aumento das coberturas vacinais da população deve constituir uma política pública que precisa ter continuidade. Exige, além de muito investimento, o envolvimento dos gestores e profissionais de saúde, pois para obter resultados, a implementação da política pública de vacinação deve ser construída e pactuada a partir de muito diálogo entre o Governo e os gestores municipais de saúde. Não se trata de uma decisão tomada em gabinetes e, sim, conhecendo a realidade dos serviços de saúde nos territórios em que atuam e as necessidades da população”, destacou Eduardo Prosdocimi ao falar sobre o cenário das coberturas vacinais em Minas Gerais.
Na avaliação do subsecretário, “atualmente o estado é referência nacional em ações relacionadas à vacinação por contar com um programa de imunizações com estrutura, dados e governança que pode ser replicado em outras regiões do país”.
Além disso, por meio de parcerias estabelecidas com os municípios, Ministério Público, Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e com instituições de ensino, entre elas a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), atualmente o estado é referência na implementação de boas práticas em saúde pública. Por esse motivo, “o estado possuí uma política pública eficaz com impacto mensurável e reconhecimento federal”, frisou Eduardo Prosdocimi.
Enquanto em 2022 Minas Gerais contabilizava apenas as vacinas BCG (contra a tuberculose) e Hepatite B com mais de 90% de cobertura vacinal, a SES-MG concluiu 2025 com crescimento médio de 10,2% na aplicação de 16 vacinas. Desse total, no ano passado o estado chegou a onze imunobiológicos com coberturas vacinais acima de 90%: Hepatite A Infantil; Hepatite B; Meningocócica C (primeira dose e a dose de reforço); Pentavalente (difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, pneumonia e meningite); Pneumo 10 (pneumonia, meningite, sepse e otite média aguda); Polio injetável (primeira dose e dose de reforço); Rotavírus (previne contra a diarreia e desidratação em bebês) e Tríplice Viral (primeira e segunda dose previne contra o sarampo, caxumba e rubéola).
Na avaliação do subsecretário estadual de vigilância em saúde, aliado a investimentos financeiros, as ações intersetoriais implementadas pelos municípios têm possibilitado ao estado avançar no aumento das coberturas vacinais, tendo as escolas públicas como aliadas.
“Investir na educação em saúde de crianças e adolescentes vai nos possibilitar criar uma geração de adultos melhor, tendo as vacinas como aliadas na proteção a doenças que podem ser prevenidas”, prevê o subsecretário.
Parcerias
Durante o Seminário, o pediatra e especialista em ações de vacinação, José Geraldo Leite Ribeiro reforçou a importância do trabalho implementado pela SES-MG e municípios voltado para a conscientização da população sobre a importância das vacinas para a saúde.
“Atualmente a maioria da população não vivenciou os grandes problemas de saúde pública causados por várias doenças num passado ainda recente, entre elas o sarampo, coqueluche e a poliomielite. Por isso, passaram a questionar a importância das vacinas, mas elas salvaram e continuam salvando vidas. E, nesse contexto, além dos enfermeiros e dos agentes comunitários de saúde, os médicos, entre eles os atuantes nas equipes de saúde da família, têm importância fundamental na conscientização da população quanto à eficácia das vacinas para a proteção da vida”.
Já o presidente do Cosems Regional de Montes Claros, Guilherme Leal Andrade observou que “atualmente o problema enfrentado pelos serviços de saúde não são relacionados à falta de vacinas, mas sim, o desafio é reconectar as pessoas ao valor que os imunobiológicos tem para a proteção da saúde coletiva”.
A promotora de justiça, Renata de Andrade Santos reforçou que “o Ministério Público se constitui parceiro da SES-MG e dos municípios nas ações relacionadas à vacinação, uma vez que diante dos avanços já obtidos pela saúde não podemos aceitar que pessoas adoeçam e venham a óbito por doenças já erradicadas e que podem ser prevenidas por meio de vacinas”.
Por sua vez, a professora da UFMG e coordenadora do Observatório de Pesquisa e Estudos em Vacinação (OPESV), Fernanda Penido Matozinhos, destacou que a parceria estabelecida com a SES-MG e a OPAS tem sido de fundamental para viabilizar a capacitação e atualização dos profissionais que trabalham com ações de vacinação nos municípios, incluindo a definição de estratégias para o alcance de melhores resultados.
Por: Pedro Ricardo
Foto: Pedro Ricardo
