Dados do painel de Vigilância de Casos de Tuberculose da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) apontam 224 casos da doença em 2024. Em 2025, até o momento, foram registrados 212 casos. Causada pelo Mycobacterium tuberculosis, a tuberculose é uma infecção que afeta prioritariamente os pulmões (forma pulmonar), embora possa acometer outros órgãos e sistemas do corpo humano.
Com o objetivo de aprimorar diagnóstico e tratamento, a Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Divinópolis realizou, no dia 27/11, treinamento sobre manejo clínico para médicos e enfermeiros dos 53 municípios da macrorregião de Saúde Oeste. Na ocasião, foram abordados temas como transmissão, sintomas, diagnóstico e tratamento, voltados para os profissionais da ponta.
A referência técnica de Vigilância de Casos de Tuberculose da SRS Divinópolis, Kelen Manuela Ferreira, destacou que existem duas formas principais da doença. A primeira é a forma ativa, quando a pessoa apresenta sintomas e pode transmitir a infecção. A segunda é a forma latente, em que os microrganismos permanecem no organismo sem causar sintomas nem transmitir a doença.
“Dos 30% que evoluem para a forma latente, entre 5% e 10% podem desenvolver tuberculose ativa ao longo da vida, especialmente se houver fatores de risco, como HIV, uso prolongado de corticoides, transplantes, doenças imunológicas, tabagismo, situação de rua ou privação de liberdade. Também existem formas extrapulmonares, que acometem órgãos como gânglios, pleura e ossos, mais frequentes em pessoas imunossuprimidas, mas geralmente não transmissíveis”, explicou.
Sintomas e busca ativa de casos e tratamento
A médica infectologista Natália Archanjo ressaltou que os sintomas incluem tosse persistente por mais de três semanas, febre vespertina, sudorese noturna, fadiga e perda de peso. Ela reforçou a importância da busca ativa pelos profissionais, principalmente em populações vulneráveis, como pessoas em situação de rua ou privadas de liberdade.
“A Atenção Primária tem papel central no controle da tuberculose, pois é responsável pela busca ativa de casos, rastreamento de contatos, início e acompanhamento do tratamento, garantindo adesão e prevenindo abandono”, destacou.
O tratamento da tuberculose ativa é imediato e padronizado pelo SUS, com esquemas que garantem cura e interrompem a transmissão. Já a infecção latente deve ser tratada em grupos de risco, como contatos domiciliares de casos confirmados, crianças menores de 10 anos e imunossuprimidos, utilizando quimioprofilaxia com medicamentos como rifampicina e isoniazida.
Por: Willian Pacheco
Foto: Willian pacheco
