Periodicamente, técnicos do setor de Imunização do Núcleo de Vigilância Epidemiológica (Nuvepi) da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Ponte Nova ofertam capacitações para coordenadores e técnicos municipais que atuam em salas de vacina. O objetivo é proporcionar, de forma continuada, espaços para discussões, esclarecimentos de dúvidas e alinhamento de condutas referentes ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). Ao longo do mês de março, a agenda se estendeu aos municípios de Raul Soares, Porto Firme, Paula Cândido, além de encontro conjunto na sede da SRS.
De acordo com a referência técnica da Imunização, Thiany Silva Oliveira, a proposta visa propiciar autonomia para tomada de decisão dos profissionais da ponta e abrange os seguintes conteúdos: rede de frio, organização da sala de vacina, calendário vacinal, instruções normativas, sistemas de informação, entre outros. Para adentrar os assuntos, foi apresentada a Nova Rotina de Solicitação de Imunobiológicos Especiais via Centro de Referência de Imunobiológicos Especiais (Crie). “Estamos falando das vacinas não disponíveis na rotina do PNI, mas que são indicadas e trazem grandes benefícios para grupos específicos. Para quem tem uma determinada condição, um tipo de vacina faz toda a diferença. Como exemplo temos os pacientes oncológicos, em tratamento renal substitutivo, transplantados, imunossuprimidos e diabéticos, os quais estão submetidos a um maior impacto caso sejam acometidos por alguma doença infecciosa”, disse Thiany. Ela citou as mais comumente requisitadas, como as vacinas pneumocócicas (Pneumo 23 e Pneumo 13), que protegem contra as formas graves de pneumonia.
Na sequência, passou-se à Instrução Normativa do Calendário Nacional de Imunização, versão 2020, que orienta sobre o uso das vacinas do PNI, norteando os profissionais nas situações de eventual divergência entre o histórico vacinal da pessoa e o que preconiza o calendário. “Nas rotinas das salas de vacina, muitas vezes aparecem cartões que não contemplam as necessidades para determinada idade. O documento vem para orientar sobre essas particularidades, dando subsídio aos técnicos para decidirem sobre a melhor conduta a ser seguida”, explicou.
Outro ponto frisado por Thiany foi o rigor para a manutenção da qualidade do imunobiológico e a segurança dos procedimentos de vacinação, destacando os princípios éticos que norteiam a formação dos profissionais de saúde para que se garanta a assistência integral ao paciente.
Mais uma base teórica apresentada foi o Manual de Vigilância Epidemiológica de Eventos Adversos Pós Vacinação, do Ministério da Saúde (MS), com destaque para a notificação e o acompanhamento dos casos. “Esse trabalho é de extrema utilidade para o combate às fake news que, muitas vezes, relacionam falsos eventos adversos às vacinas”, alertou. A referência técnica pontuou que as vacinas são seguras e eficazes, devendo haver um diálogo aberto com a população. “Essas ações devem ser realizadas com o apoio da Atenção Primária, pois a proximidade gera uma relação de confiança entre comunidade e equipe, facilitando o entendimento da importância do processo vacinal”, completou.
Por fim, Thiany Oliveira destacou a necessidade de melhoria das coberturas vacinais diversas, por meio de horários ampliados, vacinação extramuro e estratégias de busca ativa em escolas e empresas. “No último ano, com a pandemia de covid-19, os esforços estiveram voltados ao enfrentamento da doença e à vacinação contra o coronavírus. No entanto, é preciso ficar alerta para as baixas coberturas de outras vacinas, com a possibilidade de reintrodução de doenças antes controladas, como a poliomielite, o sarampo e a rubéola”, enfatizou.
Zoonoses e Imunoprevenção
Paralelamente aos conteúdos de imunização abordados, a referência técnica do Nuvepi, Graziele Menezes Ferreira Dias, trouxe orientações acerca do protocolo de tratamento profilático contra a raiva, incluindo a história natural da doença, patogenia e principais animais agressores. “É de suma importância realizar ações de vigilância da raiva. Caso o paciente seja agredido por um animal potencialmente transmissor, deve-se proceder às orientações quanto a necessidade de observar o animal e completar o esquema vacinal indicado”, explicou.
Vale destacar que o último caso de raiva humana registrado em Minas Gerais aconteceu em 2012 no município de Rio Casca, pertencente à área de abrangência da SRS Ponte Nova. “É fundamental frisar que o ciclo rural da raiva está fortemente presente na nossa região, o que exige um olhar atento das equipes de saúde para orientar a população acerca dos cuidados de prevenção e tratamento no caso de exposição”.
Em relação à febre amarela, a técnica apresentou a atualização epidemiológica da doença, mapa de risco de Minas Gerais e vigilância das epizootias. “No município de Ponte Nova há uma investigação em curso de uma epizootia em primata não humano. A epizootia foi notificada em tempo oportuno e o animal foi enviado para análise. A partir dessa notificação, desencadearam-se ações de controle e bloqueio no entorno da área e vacinação seletiva”, comentou.
Graziele Dias ainda apresentou o Sistema de Informação em Saúde Silvestre (SISS-Geo), plataforma computacional inerente ao funcionamento do Centro de Informação em Saúde Silvestre (CISS), baseada em registros georreferenciados. A ferramenta, que pode ser manipulada por qualquer cidadão, oferece modelos de alerta de ocorrências de agravos na fauna silvestre, especialmente os com potencial de acometimento humano, e modelos de previsão de oportunidades ecológicas para emergência de doenças.
Autor: Tarsis Murad