SRS Ponte Nova divulga boletim temático da Hanseníase

A Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Ponte Nova, por meio da referência técnica do Núcleo de Vigilância Epidemiológica (Nuvepi), Mônica Maria de Sena Fernandes Cunha, divulgou o Boletim Epidemiológico da Hanseníase: Mapeamento da Rede de Atenção Assistencial e Laboratorial. O estudo avaliou as notificações de casos diagnosticados de hanseníase entre os anos de 2010 e 2025, permitindo obter um retrato atual do cenário epidemiológico da doença nos 30 municípios da área da SRS. 

A hanseníase, causada pela bactéria Mycobacterium leprae, é transmitida por meio das vias respiratórias (tosse, espirro, secreções nasais e fala da pessoa contaminada e sem tratamento). Atinge a pele e os nervos periféricos como os das mãos e pés, causando a perda de sensibilidade e, se não tratada, pode comprometer os movimentos dos membros. 

A autora divulgou os resultados obtidos a partir da aplicação de formulário, que abordou: serviços voltados ao atendimento da hanseníase, existência de profissionais capacitados para o diagnóstico, disponibilidade de exames laboratoriais, integração com a assistência farmacêutica e ações de vigilância e controle no território. “Espera-se que as informações contidas no boletim sejam utilizadas para a compreensão do cenário e a proposta de ações resolutivas. Planejamos nos reunir com as coordenações municipais para discutir cada instrumento, esclarecer dúvidas, repassar fluxos e normativas e propor melhorias”, enfatizou a autora.  

Nos municípios da SRS de Ponte Nova, foram realizados 187 diagnósticos de hanseníase no período estudado, sendo 136 novos casos na microrregião de Ponte Nova e 51 casos na microrregião de Viçosa. A menor taxa de detecção foi apresentada nos anos de 2021 e 2024, com 1,42/100 mil habitantes; já a maior taxa foi em 2018, com 5,70/100 mil habitantes. A detecção da microrregião Viçosa é menor que a da microrregião de Ponte Nova na série histórica de 2010 a 2025, à exceção do ano de 2020. A maior detecção da microrregião de Ponte Nova ocorreu em 2017, com 7,00/100 mil habitantes; na microrregião de Viçosa foi em 2018, com 5,13/100 mil habitantes.

A publicação também apontou que a proporção de casos novos por faixa etária mais incidente foi de 30 a 59 anos, exceto em 2016. A segunda faixa mais incidente foi de 60 anos e mais. Também foram encontradas notificações de hanseníase em menor de 15 anos nos anos de 2015, 2018 e 2023. “Isso indica que está ocorrendo transmissão recente, sendo um evento sentinela, o que sinaliza para a transmissão recente na comunidade e as dificuldades dos programas de saúde no controle da doença”, apontou a autora.

A publicação ainda demonstrou que 79,6% dos casos de hanseníase estão concentrados em 11 municípios da SRS de Ponte Nova: Ponte Nova, Viçosa, São Pedro dos Ferros, Raul Soares, Rio Casca, Sericita, Jequeri, Urucânia, Canaã, Rio Doce e Oratórios.  No período avaliado, apenas dois municípios não notificaram casos. 

Rede

A rede assistencial para a hanseníase no território da SRS de Ponte Nova conta com 135 Unidades de Atenção Primária à Saúde (UAPS), policlínicas municipais, Serviços de Assistência Especializada (SAE) de Ponte Nova e Viçosa e Serviço de Referência Terciária do Hospital Eduardo de Menezes, em Belo Horizonte.

A maioria das vezes a unidade básica de saúde (UBS) é o primeiro contato do usuário, sendo considerada primordial para o diagnóstico ou suspeição diagnóstica da hanseníase. “Além disso, observamos a necessidade de implantação de SAEs ampliados, com ações estruturadas para atender local e regionalmente a população acometida pela hanseníase”, completou Mônica. 

Mônica Fernandes reforça que é fundamental o trabalho com as equipes de assistência farmacêutica, cujos profissionais devem participar desde a programação adequada dos medicamentos até a sua dispensação, visando um cuidado seguro e integral ao paciente com hanseníase. 

Para informações detalhadas, acesse o boletim na íntegra (clique aqui). 

Por Tarsis Murad

Foto: Divulgação SRS Ponte Nove

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