SRS de Montes Claros realizou mais de 1,4 mil exames de HIV e hepatite C em um ano

Crédito: Pedro Ricardo

O Laboratório Macrorregional do Norte de Minas, sediado em Montes Claros, realizou entre novembro de 2019 e a primeira quinzena deste mês, 1 mil 443 exames. As análises compreendem 1 mil 358 amostras de carga viral de HIV e 85 relativas à hepatite C. Desde agosto de 2019, a região de Montes Claros integra a Rede Nacional de Laboratórios para Quantificação da Carga Viral do HIV, vírus da imunodeficiência humana causador da Aids.

A rede é coordenada pelo Ministério da Saúde (MS) que, em 2019, juntamente com o Governo do Estado, realizou em Minas Gerais a primeira descentralização de teste rápido molecular para verificar a quantidade de vírus presente em amostras de sangue de pacientes portadores de HIV. Atualmente, além do Norte de Minas, outras regiões do estado já realizam exames de carga viral: Juiz de Fora, Pouso Alegre, Uberaba, bem como a Fundação Ezequiel Dias (Funed), sediada em Belo Horizonte.

Para a realização dos exames, o Laboratório Macrorregional do Norte de Minas recebeu equipamento do sistema GeneXpert, desenvolvido pela empresa norte-americana, Cepheid. A realização das análises foi iniciada assim que o MS passou a enviar os kits para quantificação da carga viral do HIV.

O sistema é modular e permite que o laboratório realize testes de diagnóstico molecular por meio da Proteína C Reativa (PCR) em tempo real. A linha de testes se baseia numa tecnologia de cartuchos, onde ocorre toda a reação de extração à detecção. O processo de preparo de amostras é simples, com duração média de um minuto. De forma automatizada, o equipamento tem capacidade para analisar até quatro amostras simultâneas, num prazo médio de uma hora e meia.

O monitoramento da evolução clínica das pessoas infectadas pelo vírus da Aids possibilita às equipes médicas fazer análise do momento ideal para a introdução de terapias com antirretrovirais e a efetividade do tratamento da pessoa HIV positivo. O tratamento reduz a quantidade de vírus no corpo e retarda a queda dos linfócitos.

A carga viral fornece informações importantes usadas em conjunto com a contagem de linfócitos. As análises possibilitam monitorar a infecção pelo HIV, orientar o tratamento e prever a evolução futura da doença. Estudos mostram que manter a carga viral mais baixa possível, durante o máximo de tempo, diminui as complicações e prolonga a vida dos pacientes.

A coordenadora do Núcleo de Vigilância Epidemiológica da Superintendência Regional de Saúde de Montes Claros (SRS), Agna Soares da Silva Menezes, explica que a realização dos exames de carga viral auxilia os médicos clínicos e infectologistas no monitoramento da evolução da infecção, possibilitam a adoção de terapias preventivas às infecções oportunistas, buscam a efetividade do tratamento e também auxiliam o diagnóstico de criança exposta. “A partir do momento que o paciente recebe o diagnóstico, deverá ser encaminhado a um infectologista para dar início à terapia antirretroviral. A frequência do acompanhamento do paciente depende da resposta ao tratamento e das condições clínicas”, reforça a coordenadora.

Por outro lado, as referências técnicas do Laboratório Macrorregional do Norte de Minas, Núbia Pereira da Silva e Clarissa Fernandes Gomes avaliam que “a descentralização dos exames de carga viral trouxe um grande benefício para os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). Isso porque, os resultados são emitidos num prazo entre dois a três dias, o que antes levava até 20 dias quando as análises estavam concentradas na Funed. Com isso, além dos pacientes, os médicos ganham tempo na definição dos tratamentos”, concluem as referências técnicas.

As amostras para a realização dos exames são encaminhadas ao Laboratório Macrorregional pelo Centro de Referência em Doenças Infecciosas (Cerdi), sediado na Policlínica do Bairro Alto São João, em Montes Claros. O Centro atende demandas de 44 municípios.

Já o atendimento médico a pacientes HIV positivos é realizado no Centro Ambulatorial de Especialidades Médica (Caetam), administrado pelo Hospital Universitário Clemente de Faria, sediado em Montes Claros. O encaminhamento de pacientes para consultas é realizado pelos serviços de atenção primária dos municípios.

PREVENÇÃO

Dezembro é o mês escolhido para despertar a população sobre a necessidade de prevenção e de promoção do entendimento sobre a Aids. Segundo dados do MS, publicados neste mês, o Brasil tem 920 mil pessoas com HIV. Dessas, 89% foram diagnosticadas; 77% fazem tratamento com antirretroviral e 94% das pessoas em tratamento não transmitem o HIV por via sexual por terem atingido carga viral indetectável. A Campanha Dezembro Vermelho chama a atenção da sociedade para a importância da prevenção e do tratamento.

HEPATITE C

Além do atendimento de demandas de usuários do SUS diagnosticados com HIV, o Laboratório Macrorregional do Norte de Minas realizou, entre novembro de 2019 a dezembro deste ano, 85 exames para detecção de carga viral em pacientes com hepatite C. Trata-se de uma doença viral causada pelo vírus VHC que leva à inflamação do fígado e pode causar cirrose ou câncer de fígado.

A hepatite C raramente desperta sintomas e a maioria das pessoas não sabe que tem a doença. Na maioria das vezes a descoberta ocorre por meio de doação de sangue, pela realização de exames de rotina, ou quando a doença está em estágio avançado e os sintomas surgem.

De acordo com estimativa da Organização não Governamental (ONG) Médicos Sem Fronteiras, no mundo, 71 milhões de pessoas convivem com a hepatite C.

Autor: Pedro Ricardo

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