Nos dias 18 e 19 de junho, o Núcleo de Vigilância Epidemiológica (NUVEPI) da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Barbacena realiza a Oficina “Estratégias para o Aumento das Coberturas Vacinais nos Ciclos de Vida em Minas Gerais”, para profissionais de Imunização das Secretarias Municipais de Saúde da região.
De acordo com a referência em imunização do NUVEPI da SRS, Beatriz Marteleto, “o objetivo da oficina é avaliar a cobertura vacinal, analisando o desempenho das coberturas, bem como verificar se as metas preconizadas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) estão sendo alcançadas”, explicou. Além disso, “buscamos identificar os imunobiológicos com maior risco de não atingir as metas estabelecidas e, a partir dessas análises, subsidiar a elaboração de estratégias regionais voltadas à melhoria das coberturas vacinais”, afirmou Beatriz.
A cobertura vacinal é um dos principais indicadores do Programa Nacional de Imunizações (PNI), pois permite avaliar o acesso da população às vacinas e os resultados em diferentes níveis de gestão (municipal, regional, estadual e federal). Esse indicador também ajuda a identificar áreas de risco e orientar estratégias para ampliar a vacinação. O monitoramento contínuo subsidia ações como busca ativa, microplanejamento e fortalecimento da Atenção Primária. Em Minas Gerais, há recuperação gradual das coberturas vacinais após as quedas registradas entre 2015 e 2022, refletindo os efeitos de estratégias estaduais e federais voltadas à retomada da vacinação infantil.
Conforme demonstrou Beatriz com os dados disponíveis nos sistemas de saúde, a cobertura dos reforços vacinais é mais desafiadora do que a das vacinas aplicadas nos primeiros anos de vida, que costumam atingir cerca de 90%, o que leva a implicações importantes, como o acúmulo de indivíduos suscetíveis, a redução da imunidade coletiva e maior risco de circulação do agente infeccioso, favorecendo surtos e até a reintrodução de doenças em áreas com baixa cobertura. Esse cenário é agravado por menores índices entre adolescentes mais jovens, e pela desigualdade entre os sexos, com menor adesão masculina, muitas vezes associada ao foco inicial das campanhas em prevenção do câncer do colo do útero e à menor percepção familiar dos benefícios da vacinação em meninos. Entre as principais barreiras estão a baixa frequência dos adolescentes aos serviços de saúde, a dependência de autorização dos responsáveis, dificuldades de atualização vacinal, pouca busca ativa e baixa percepção de risco.
“Assim, torna-se essencial fortalecer estratégias como vacinação extramuros, ações escolares e busca ativa nominal, priorizando áreas com menor cobertura e promovendo o vínculo contínuo com a população ao longo da vida, especialmente após a infância e durante a adolescência”, enfatizou Beatriz.
Texto: Priscila Rezende
Foto: Beatriz Marteleto

