Ao realizar um balanço de sua viagem à Inglaterra, o secretário de Estado de Saúde, Alexandre Silveira, avaliou que foram quatro dias muito produtivos, de muito trabalho, onde encontrou um campo fértil para futuras parcerias. “Três pontos me chamaram a atenção. O primeiro deles diz respeito à inversão do modelo de cuidado, com a valorização da atenção primária para diminuir o impacto na média complexidade, modelo no qual Minas se baseou e que vem sendo adotando há uma década no Estado. “Na Inglaterra, o principal indicador está relacionado à fidelização do médico à família. O investimento maior é feito na atenção primária. Isso significa que quanto menos o Governo gastar com a média e alta complexidade, mais terá para investir na prevenção e na promoção da saúde”.

Minas Gerais se espelha nesse modelo e tem, hoje, o maior programa de saúde preventiva do Brasil conta com mais de 4.400 equipes de saúde, responsáveis pela cobertura de 78% da população. Minas investe, também, em programas voltados para a redução da mortalidade materno-infantil, na prevenção de hipertensão e diabetes”.
Segundo Silveira, outro ponto que lhe chamou a atenção foi o papel regulador do Estado. “No Brasil, país com dimensões continentais, as políticas públicas são ditadas da Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Isso é um equívoco. A exemplo da Inglaterra, no Brasil o correto seria que o Governo Federal tivesse papel regulador e descentralizasse os recursos para os estados e municípios, locais onde, de fato, a vida acontece”.
Outro eixo do sistema de saúde inglês que chamou a atenção do secretário mineiro foi a parceria do Governo inglês com a iniciativa privada. “É impossível imaginar que podermos oferecer saúde de qualidade ao cidadão sem que o sistema receba, além do público, investimentos também privados. É necessário identificar mecanismos para que a iniciativa privada invista na saúde, mas que para isso se leve em conta uma forte regulação do Estado, defendendo o interesse coletivo”.
Silveira avaliou que a participação da iniciativa privada atesta o fortalecimento da cidadania inglesa. “Para que possamos nos atingir o mesmo estágio de cidadania, não podemos ter vergonha de mostrar o que temos ao resto do mundo”, afirmou o secretário, ressaltando que para isso é necessário estar atento sempre os princípios que norteiam a administração pública, ou seja, a legalidade, a impessoalidade, a moralidade, a publicidade e a eficiência. “Na Inglaterra, pude observar isso ao ser recebido por lideranças políticas e empresariais, tanto no Parlamento, como na Câmara dos Comuns”.
O secretário destacou, ainda, o acolhimento que os secretários brasileiros receberam durante toda a missão. “A ministra da Saúde, Anna Soubry, foi muito calorosa e participativa. Participou e se envolveu muito com a programação”.
Autor: Gisele Bicalho
