A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), em parceria com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), lançou nesta terça-feira (31/3), em Belo Horizonte, o curso “Formação continuada em Toxicologia Aplicada a Metais no Estado de Minas Gerais”.
A iniciativa tem como objetivo capacitar profissionais para identificar, diagnosticar e agir precocemente diante de agravos relacionados à exposição a metais, especialmente em territórios com atividade mineradora.
Durante o evento de lançamento, o subsecretário de Vigilância em Saúde da SES-MG, Eduardo Prosdocimi, destacou o caráter estratégico do tema para o estado.
“A mineração é um dos pilares da nossa economia responsável pela geração de empregos, renda e desenvolvimento. No entanto, é nosso dever reconhecer que esse mesmo desenvolvimento traz consigo desafios complexos, especialmente no que diz respeito aos impactos ambientais e aos riscos da saúde das populações que vivem em territórios direto e indiretamente afetados”, afirmou.
A subsecretária de Redes de Atenção à Saúde, Camila Moreira de Castro, ressaltou a importância da formação para os profissionais que atuam nesses territórios.
“Os protocolos que serão discutidos contaram com a contribuição de muitos setores, envolvendo desde o atendimento até a realização de exames. Também incluem as questões de saúde mental que afetam essas populações”, disse.
O evento reuniu representantes de 90 municípios impactados pelas bacias dos rios Doce e Paraopeba, em Minas Gerais e no Espírito Santo, além de participantes das nove Unidades Regionais de Saúde de Minas Gerais, do Ministério Público, das subsecretarias de Atenção à Saúde (SUBAS) e de Vigilância em Saúde (SUBVS), e de povos e comunidades tradicionais.
Curso fortalece resposta da rede pública
Voltado principalmente a profissionais de saúde que atuam em áreas impactadas pela mineração, o curso também é aberto a todos os interessados no tema. A proposta é qualificar trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS) para uma resposta mais rápida, segura e baseada em evidências.
A formação tem carga horária de 120 horas e será ofertada na modalidade de Educação a Distância (EaD), em formato autoinstrucional, por meio da plataforma Moodle do Campus Virtual Fiocruz. As inscrições estão abertas de forma contínua e podem ser feitas neste link.
“A capacitação trará uma contribuição fundamental para o estado, porque a mineração é uma atividade muito importante para Minas. E é preciso trabalhar cada vez mais para melhorar a saúde da população que reside nestes territórios”, afirmou a diretora da Fiocruz Minas, Cristina Brito.
O coordenador de Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde do Espírito Santo, Roberto da Costa Laperriere, também destacou a relevância da iniciativa.
“A construção de políticas públicas voltadas para os impactos da mineração é necessária. Por isso, a iniciativa de Minas é importante para discutir as ações de atendimento e de prevenção”, disse.
Programação abordou desafios e soluções
Durante o lançamento, os participantes acompanharam mesas-redondas e palestras com especialistas na área.
Pela manhã, a mesa “Saúde, meio ambiente e desastres: a importância de discutir sobre contaminação e intoxicação por metais pesados no cenário atual” abordou temas como saúde dos trabalhadores, organização dos serviços, protocolos e linhas de cuidado.
À tarde, a OPAS conduziu debate sobre segurança química e saúde da população, além da apresentação da estrutura do curso e do protocolo de assistência à saúde em casos de exposição a metais.

