O secretário de Estado da Saúde de Minas Gerais, o médico Fábio Baccheretti, e o secretário adjunto, André Luiz Moreira dos Anjos, participaram nesta quarta-feira, 8/6, do I Seminário do Grupo de Medicina de Catástrofe, realizado pela Associação Portuguesa de Riscos, Prevenção e Segurança na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, em Portugal. O evento discute resultados de investigação e experiências relevantes no âmbito dos impactos gerados por pandemias que afetam a história recente da humanidade, em particular a covid-19.
Baccheretti apresentou a palestra “A história do enfrentamento à covid-19. Do planejamento ao legado deixado pelo maior desafio da saúde pública de Minas Gerais (Brasil)”, em que relatou as estratégias adotadas no estado para enfrentar a pandemia.
O Estado de Minas Gerais também foi representado pelo chefe do Gabinete Militar e coordenador Estadual de Defesa Civil do Estado de Minas Gerais, coronel PM Osvaldo de Souza Marques, com a palestra “Guerra contra o inimigo invisível: a transversalidade das políticas públicas de proteção e Defesa Civil nas medidas e contramedidas de saúde e logística humanitária no enfrentamento ao desastre biológico pandêmico da covid-19 no Estado brasileiro de Minas Gerais”.
No seminário foi discutido como a Secretaria de Estado de Saúde, em conjunto com outros órgãos do governo estadual, mobilizaram os recursos disponíveis de forma a solucionar desafios emergenciais impostos por contingências de catástrofe e, em paralelo, desenvolveram ações de médio e longo prazo no sentido de evitar que essas contingências se repitam no contexto de enfrentamento de uma situação de crise. As estratégias abordadas foram a ampliação de leitos de UTI, aprimoramento de sistema de gases medicinais em hospitais e a criação de força tarefa e de rede solidária de medicamentos.
No decorrer da pandemia observou-se a falta de oxigênio e medicamentos devido ao aumento rápido da demanda. A partir da observação da iminência da situação de catástrofe, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), em cooperação com o Gabinete Militar do governador, mobilizou cilindros sobressalentes em hospitais da região metropolitana de Belo Horizonte para envio, em avião do Estado, para municípios onde o fornecimento de oxigênio alcançava situação crítica, próximo do desabastecimento. A SES-MG também aportou recursos para apoio à estruturação, ampliação e otimização do Sistema de Gases Medicinais dos estabelecimentos inseridos no Plano Operativo de Contingência Macrorregional para o enfrentamento à covid-19. Foram beneficiados 256 estabelecimentos em 182 municípios.
Em relação à falta de medicamentos, o Estado de Minas Gerais desenvolveu uma “Rede Solidária”, buscando estabelecer uma parceria interinstitucional com o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde Minas Gerais (Cosems-MG) e o Ministério Público Estadual.
A Rede Solidária realizava um monitoramento periódico do quantitativo de estoques de medicamentos e, a seguir, um possível arranjo de cooperação entre instituições hospitalares. Essa iniciativa permitiu a continuidade do atendimento à saúde. Além disso, organizou o processo de coleta de dados e catalisação de parcerias entre instituições buscando mitigar os efeitos desta escassez transitória de itens. Nesse processo, 453 estabelecimentos foram cadastrados e 1.785.040 medicamentos foram distribuídos.
Outro ponto que mereceu a intervenção da SES-MG foi a heterogeneidade na condução dos gestores locais e prestadores de serviços de saúde como responsáveis pelo enfrentamento da doença. Apesar de os meios de comunicação terem sido utilizados de forma intensiva, ainda se percebia a diferença na qualidade dos serviços assistenciais fornecidos a população, a depender-se do território.
Foi então criada uma “Força Tarefa”, constituída por técnicos da SES-MG e também servidores convidados de outros órgãos, como Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Fundação Hospitalar de Minas Gerais (FHEMIG), com o objetivo de padronizar e melhorar a qualidade da assistência em situações em que a falta de experiência poderia comprometer o desfecho.
Nestas intervenções, a equipe constituída avaliava os fluxos assistenciais locais e as oportunidades de ampliação da assistência à população no enfrentamento a pandemia, intensificava o apoio técnico aos gestores municipais e hospitalares e adotava um plano de ação com fins de aprimorar os serviços de saúde naquela localidade.
As equipes estiveram em 29 municípios e em mais de 70 estabelecimentos de saúde, evitando, em diversos momentos, a situação de colapso da rede de saúde.
Por fim, destaca-se a abertura de leitos em todo o Estado durante a pandemia. Foram abertos mais de 2.800 leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTI). Em fevereiro de 2020, havia 2.757 leitos no estado. Em julho de 2021 este número passou para 5.615. Desses leitos, o Ministério da Saúde permitiu a incorporação definitiva de 590, sendo 550 leitos de UTI adulto e 40 leitos de UTI pediátricos, ampliando a rede assistencial do estado, um importante legado para os mineiros.
Em sua apresentação, o secretário de Saúde apontou que “o papel de destaque do Estado de Minas Gerais nos indicadores da doença se deveram, em grande parte à capacidade do governo em intervir em situações de emergência e catástrofe, de forma eficaz, atendendo a necessidade imediata da população, bem como ao desenvolver ações de médio e logo prazo com a finalidade de reestruturação dos serviços de saúde pública”.
O Seminário
O I Seminário do Grupo de Medicina de Catástrofe foi organizado pela Associação Riscos em parceria com o Departamento de Geografia e Turismo da Universidade de Coimbra. O evento tem como objetivo discutir e partilhar conhecimentos e boas práticas na prestação de socorro, cuidados de saúde, comunicação/informação e apoio social à população em contexto de vulnerabilidade, bem como orientações políticas associadas à prevenção dos riscos.
Mais informações sobre o evento https://isgmc.riscos.pt/
Autor: Jornalismo SES-MG