Reunião sobre Programa da Doença de Chagas tem participação de profissionais da saúde

Foto: Willian Pacheco

Com objetivo de oferecer uma abordagem conjunta das áreas relacionadas ao Programa de Chagas, o Grupo de Trabalho de Chagas (GT) da Macrorregião Oeste realizou, de 11 a 19 de abril, reuniões presenciais com agentes de campo e coordenadores de endemias dos 53 municípios de abrangência da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Divinópolis.

Na ocasião, foram abordados o histórico de atuação do GT com o status atual das áreas de vigilância de casos, sistemas de informação, laboratório de entomologia e ações de campo em doença de Chagas, a descentralização da análise entomológica e rastreamentos dos casos.

A referência técnica do GT de Chagas da Macrorregião Oeste, Nayara Dornela Quintino, explicou que desde novembro de 2020 o Programa de Doença de Chagas (PCDCh) tem trabalhado na macrorregião de saúde oeste com uma proposta que vise o fortalecimento da atuação integrada entre vigilância e atenção à saúde. A abordagem do GT de Chagas compreende tanto a vigilância entomológica do Triatomíneo (barbeiro) quanto o tratamento oportuno dos pacientes com doença de Chagas crônica.

Para oferecer suporte e gerenciamento do programa junto aos municípios foi criado o GT de Chagas para que as tomadas de decisões para controle da do vetor e da doença fossem realizadas de forma articulada. “Várias ações foram realizadas em 2021, entre elas a proposta de uma reunião mensal com coordenadores de endemias e agente de Chagas. Devido a pandemia, foi realizada em formato virtual e a proposta é que continue assim, porém com a realização de duas reuniões de monitoramento do programa realizadas em modo presencial, por microrregião de saúde”, destacou Nayara.

O supervisor de endemias do município de Cláudio, Magno Gonçalves, destacou que o PDCh tem sido realizado de forma bem estruturada. Ele ressaltou que o agente de campo realiza pesquisa ativa, indo a campo para inspecionar as unidades domiciliares na zona rural. Além disso, o trabalho de vigilância do vetor em que o agente visita os Postos de Coleta dos Triatomíneos (PITS) é executado sob supervisão. Caso haja a necessidade de borrifação domiciliar, como explica o supervisor, o funcionário conta com material de trabalho e motocicleta para deslocamento. “O diferencial do PCDCh do município de Cláudio é contar com profissional treinado para realizar classificação taxológica e exame parasitológico de triatomíneos, que é referência para todos os municípios da microrregião de Divinópolis, depois da descentralização do laboratório macrorregional da Superintendência Regional de Divinópolis”, acrescenta Magno.

 

Doença de Chagas

A referência de campo do PCDCh da SRS Divinópolis, Orivaldo Campos Silva, ponderou a importância do trabalho realizado pelos agentes de endemias que vão às casas, capturam barbeiros e borrifam os domicílios tanto dentro quanto fora. Ele destaca, ainda, que na zona rural é onde se encontram mais vetores da doença e que as picadas do inseto ocorrem em regiões descobertas do corpo, principalmente a região do rosto. “O barbeiro pica a pessoa, geralmente, na área descoberta quando ela está dormindo. Ele pica ao redor dos olhos, ferroa a pessoa e solta um anestésico que dura cerca de 15 minutos. Após se alimentar com o sangue, o inseto começa a soltar as fezes. Quando o efeito da anestesia passa, a pessoa coça e leva o Trypanosoma cruzi (protozoário) para a corrente sanguínea por meio das mucosas dos olhos, boca e nariz”, explicou a referência.

Foto: Willian Pacheco

 

Situação na Macrorregião

O Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) aponta que, em 2019, a macrorregião Oeste possuía 8 casos de doença de Chagas crônica; em 2020, eram 10; em 2021, 18 casos e 2022, até o momento, 31 registros.

A maioria dos casos não apresenta sintomas na fase crônica, mas os comuns são: problemas cardíacos, como insuficiência cardíaca e problemas digestivos, como megacólon (dilatação do intestino grosso, acompanhada de dificuldade para eliminar fezes e gases, causado por lesões nas terminações nervosas do intestino) e megaesôfago (dilatação do esôfago, que faz com que haja um represamento do alimento e da saliva).

Autor: Willian Pacheco

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