Regional de Ubá alinha operacionalização do Nirsevimabe para proteger prematuros do Vírus Sincicial Respiratório 

O primeiro lote do Nirsevimabe, um anticorpo monoclonal agora disponível no SUS, chegou à Gerência Regional de Saúde (GRS) de Ubá na manhã desta sexta-feira, 6 de fevereiro. O medicamento visa proteger bebês prematuros e/ou de alto risco contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), o principal agente causador de cerca de 75% dos casos de bronquiolite e 40% das pneumonias em crianças menores de dois anos, segundo estimativas do Ministério da Saúde. Por se tratar de um anticorpo monoclonal, a proteção é imediata após a aplicação, sem depender da produção de anticorpos pelo sistema imunológico do bebê.

Para alinhar as estratégias de aplicação do Nirsevimabe nos 31 municípios da Gerência Regional de Saúde (GRS) de Ubá, foi realizada uma videoconferência no dia cinco de fevereiro, reunindo referências do Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE) de Muriaé, das maternidades do Hospital São Paulo (Muriaé) e Hospital Santa Isabel (Ubá), além de coordenadores municipais de Epidemiologia e Imunização, técnicos de salas de vacina e coordenadores de Atenção Primária à Saúde.

Público-alvo e Acesso

Nesta primeira remessa, foram recebidas 18 doses de Nirsevimabe. O público-alvo inclui bebês prematuros (nascidos com menos de 37 semanas) e crianças de até dois anos com comorbidades específicas, como doença pulmonar crônica da prematuridade (broncodisplasia), cardiopatia congênita, anomalias congênitas das vias aéreas, doenças neuromusculares, fibrose cística, imunocomprometimento grave e síndrome de Down. Segundo o Ministério da Saúde, a causa de 82,5% do total de hospitalizações entre menores de dois anos em 2025 foi o Vírus Sincicial Respiratório (VSR).

O Crie de Muriaé avaliará os formulários de solicitação do Nirsevimabe, demandados pelas 31 Secretarias Municipais de Saúde da área da GRS Ubá. Caso os bebês sejam elegíveis, o imunobiológico, armazenado na Rede de Frio da GRS Ubá, será enviado ao município de residência para aplicação na Sala de Vacina. A recomendação é que a imunização ocorra no primeiro semestre de vida, período em que se concentra cerca de 75% das hospitalizações por VSR.

Flávia Portela, pediatra e servidora da GRS Ubá, enfatizou a importância da classe médica na redução das barreiras de acesso. “Depende de prescrição a aplicação do Nirsevimabe em crianças menores de dois anos, lembrando que o SUS também oferece a vacina contra VSR para gestantes, uma estratégia que transfere anticorpos via placenta e protege o recém-nascido e que deve ser enfatizada no pré-natal”.

Wallan Mcdonald, referência regional de Imunização, destacou o investimento do Programa Nacional de Imunização. “São medicamentos de alto custo disponíveis para qualquer brasileiro/brasileira que esteja dentro do público-alvo. Espera-se que tenhamos uma redução significativa de internações por parte dos menores de dois anos, mas para isso é necessária a adesão à vacinação por parte das gestantes e responsáveis”, afirmou.Ao final do alinhamento, ficou definido que as maternidades deverão implementar salas de vacinação que oferecerão o Nirsevimabe, a BCG e a Hepatite B. A medida visa facilitar o acesso e aumentar a cobertura vacinal nos recém-nascidos.
Por Keila Lima
Foto: Keila Lima

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