Regional de Sete Lagoas debate saúde mental da população atingida pelo rompimento da barragem Córrego do Feijão

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Sentimentos como perda, angústia, insônia, insegurança e medo foram identificados pelos profissionais da Rede de Saúde que acompanham a saúde mental e atuam na articulação do cuidado e mobilização social das populações atingidas pelo rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho. Desde o rompimento, em janeiro, de 2019, diversos municípios do estado tiveram suas rotinas afetadas pelo espalhamento da lama de rejeitos e ações imediatas precisaram ser tomadas em Minas Gerais.

Em Felixlândia, na região Central do estado, foi articulada uma rede de saúde envolvendo os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) os Núcleos de Apoio à Saúde da Família (NASF), e as Vigilâncias Sanitária e Epidemiológicas do estado para atender aos municípios da bacia do Rio Paraopeba, que integram a Regional de Saúde de Sete Lagoas. O trabalho que tem sido realizado foi apresentado, nesta terça-feira (26/11) na 15ª reunião do Colegiado Regional de Saúde Mental de Sete Lagoas.

O trabalho dos profissionais de saúde teve início desde o registro do rompimento da barragem em Brumadinho e começaram com o mapeamento da área e a busca ativa para identificar a população ribeirinha, como observou a coordenadora do CAPS I Regional Dr. Ricardo Pinheiro Gomide, em Felixlândia, Wandercleia de Carvalho Barbosa. “Os principais problemas identificados foram transtorno de ansiedade, perdas materiais e o aumento de uso de medicamentos, álcool e outras drogas”, explicou Barbosa que ainda apontou “foram identificados ainda impactos como, além das perdas materiais, perdas afetivas que comprometeram diretamente a saúde mental da população. Ouvimos dos moradores frases como ‘o rio é a minha vida’ e ‘aqui era o meu sonho’ e a rotina de todos foi e segue sendo afetada”.

Foram reunidos profissionais de saúde como psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros, psiquiatras, além de representantes de controle social e a atuação da vigilância sanitária no monitoramento da água dos poços artesianos e cisternas para consumo nos municípios. A coordenadora do CAPS ainda explicou que diante do cenário foram adotadas ações estratégicas de realização de atendimentos em grupo e individuais, com retornos breves para evitar a angústia dos atendidos, o atendimento “in loco” e o encaminhamento para redes ampliadas. “A nossa atuação foi integrada e teve como intuito principal o alívio e o acolhimento imediato da população, por isso foi fundamental a articulação da Rede como defesa da vida integrando Educação, Justiça, Assistência Social, Direitos Humanos e diversos órgãos”, observou Barbosa.

A referência técnica de saúde mental do Núcleo de Redes de Atenção à Saúde de Sete Lagoas, a psicóloga Clarice Fonseca, também destacou a importância do trabalho que tem sido discutido desde o início do ano nas reuniões do Colegiado de Saúde Mental da Regional “é importante que nos preparemos para atuar no que já está acontecendo nessas comunidades e ainda para o que virá”.

Na 15ª reunião do Colegiado Regional de Saúde Mental de Sete Lagoas, também foram discutidas estratégias no enfrentamento da violência contra crianças e adolescentes com a palestra ministrada pela psicóloga Ana Cláudia Junqueira que discutiu o combate à violência física, psicológica e o abuso sexual contra menores de idade vítimas. Outro tema debatido foi o relevante papel das empresas nas práticas psicossociais, com a psicóloga Juliana Canto que discutiu as habilidades, competências e a responsabilidade social da atuação dessas corporações nos ambientes em que se instalam.

Diante das trocas de experiências realizadas durante todo o dia a referência técnica de saúde mental do Núcleo de Redes de Atenção à Saúde de Sete Lagoas destacou que o objetivo da reunião foi de construir um entendimento conjunto do que é o cuidado e a assistência “a palavra de ordem é a coletividade e cabe a nós buscar o bem comum e a valorização da saúde mental”, destacou Fonseca.

O Superintendente Regional de Saúde de Sete Lagoas, Fabrício Júnior Alves Teixeira, também observou a importância desse espaço de discussão sobre a saúde mental com o intuito de fortalecer as ações de saúde pública no estado. “Se conseguirmos focar na organização e adequação dos serviços de saúde mental em nossa região e seguir as normas da assistência vamos contribuir com um cenário visando à melhoria de qualidade dos serviços prestados”, destacou Teixeira.

Autor: Nayara Souza

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