Regional de Montes Claros ministra curso sobre raiva para profissionais de saúde

Crédito: Divulgação

A Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros iniciou, na semana passada, a realização de curso sobre raiva animal, com foco na atividade de vigilância epidemiológica envolvendo residências das zonas urbana e rural; vigilância ambiental e laboratorial. A capacitação, ministrada pelo veterinário Milton Formiga de Souza Júnior e pela bióloga Patrícia Brito, por videoconferência, é direcionada aos coordenadores e referências técnicas que atuam nos 54 municípios que integram a área de atuação da SRS.

“O curso tem como base a Norma Técnica de Profilaxia da Raiva Humana e o Guia de Vigilância em Saúde, editado em 2019. Essa ação tem como ponto principal melhorar a comunicação entre os coordenadores municipais e a equipe técnica que atua nas ações de vigilância epidemiológica e de saúde”, explica Milton Formiga.

Com a realização do curso, o veterinário pontua que será capacitado um profissional de saúde em cada município, que atuará como facilitador do assunto junto às equipes de saúde. Ainda de acordo com Formiga, “os trabalhos serão mantidos por meio do acompanhamento de casos de acidentes com animais e humanos. Com essa modalidade de trabalho, o aprendizado será contínuo e mais ágil entre Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) e as referências técnicas dos municípios”.   

O veterinário salienta que um dos trabalhos que a SES-MG já tem implementado anualmente com os municípios e que tem obtido êxito é a vacinação de cães e gatos contra a raiva, o que contribui para que os animais domésticos não transmitam o vírus da doença para as pessoas.

A coordenadora de Vigilância em Saúde da SRS Montes Claros, Agna Soares da Silva Menezes, observa que “os últimos casos de raiva em cães, gatos e humanos foram registrados no Norte de Minas em 2005. Após esse período não foram notificados novos casos, mas isso se deve ao esforço que equipes de saúde dos municípios têm feito com a implementação de ações preventivas. Apesar dos resultados positivos que os municípios têm alcançado, em algumas localidades há circulação do vírus da raiva em herbívoros e em morcegos hematófagos e não hematófagos. Daí a importância do curso que a SRS está ministrando, a fim de que os profissionais atuantes nas secretarias municipais de Saúde possam se atualizar e melhorar a interação no trabalho em equipe”, ressalta.

Cronograma

Terça-feira, 6, o curso foi ministrado via videoconferência para profissionais de saúde dos municípios de Coração de Jesus, Lagoa dos Patos, São João da Lagoa, São João do Pacuí, Botumirim, Capitão Enéas, Cristália, Francisco Sá, Grão Mogol, Jequitaí e Josenópolis.

Na quinta-feira, 8, participaram do curso referências técnicas dos municípios de Claro dos Poções, Bocaiúva, Engenheiro Navarro, Francisco Dumont, Glaucilândia, Guaraciama, Itacambira, Joaquim Felício, Juramento e Olhos D´Água. As próximas etapas do curso terão prosseguimento nos dias 13, 15, 20 e 22 de julho.     

Transmissão

A raiva é uma doença infecciosa viral aguda que acomete mamíferos, inclusive o homem. É uma doença transmitida por morcegos, gambás, guaxinins e outros animais selvagens. É uma doença quase sempre fatal, para a qual a melhor medida de prevenção é a vacinação pré ou pós exposição ao vírus. 

A raiva é transmitida ao homem pela saliva de animais infectados, principalmente por meio da mordedura. A doença também pode ser transmitida pela arranhadura ou lambedura desses animais. 

No ciclo urbano, a raiva é passível de eliminação pela vacinação de cães e gatos, além da existência de medidas eficientes de prevenção, como a imunização humana; a disponibilização de soro antirrábico humano e a realização de bloqueios de foco.

O período de incubação é variável entre as espécies, mas pode levar de poucos dias a um ano, com uma média de 45 dias no ser humano, podendo ser mais curto em crianças. 

Sintomas

Após o período de incubação, surgem os sinais e sintomas clínicos inespecíficos da raiva (fase prodrômica), que duram em média de dois a dez dias. Nesse período, o paciente apresenta mal-estar geral; pequeno aumento de temperatura; anorexia; cefaléia; náuseas; dor de garganta; entorpecimento; irritabilidade; inquietude e sensação de angústia.

Pode ocorrer inchaço, aumento da sensibilidade ao tato ou à dor, frio, calor, formigamento, agulhadas, adormecimento ou pressão no trajeto de nervos periféricos, próximos ao local da mordedura e alterações de comportamento.

A infecção da raiva progride, surgindo manifestações mais graves e complicadas, como: ansiedade e hiperexcitabilidade crescentes; febre; delírios; espasmos musculares involuntários, generalizados ou convulsões.

Espasmos dos músculos da laringe, faringe e língua ocorrem quando o paciente vê ou tenta ingerir líquido, apresentando sialorréia intensa (“hidrofobia”). Os espasmos musculares evoluem para um quadro de paralisia, levando a alterações cardiorrespiratórias, retenção urinária e obstipação intestinal. Observa-se, ainda, a presença de disfagia (dificuldade de engolir); aerofobia (medo de ficar ao ar livre); hiperacusia (irritabilidade a sons) e fotofobia (sensibilidade à luz).

O paciente se mantém consciente, com período de alucinações, até a instalação de quadro comatoso e a evolução para óbito. O período de evolução do quadro clínico, depois de instalados os sinais e sintomas até o óbito é, em geral, de dois a sete dias.

Tratamento

A confirmação laboratorial em vida, ou seja, o diagnóstico dos casos de raiva humana pode ser realizado pelo método de imunofluorescência direta, em impressão de córnea, raspado de mucosa lingual ou por biópsia de pele da região cervical. A sensibilidade dessas provas é limitada e, quando negativas, não se pode excluir a possibilidade de infecção. A realização da autópsia é de extrema importância para a confirmação diagnóstica.

Quando a profilaxia antirrábica não ocorre e a doença se instala, pode-se utilizar um protocolo de tratamento da raiva humana, baseado na indução de coma profundo, uso de antivirais e outros medicamentos específicos. Entretanto, é importante salientar que nem todos os pacientes de raiva, mesmo submetidos ao protocolo sobrevivem.

Autor: Pedro Ricardo

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