Regional de Montes Claros conclui seminário sobre leishmaniose

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A Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros conclui nesta quarta-feira (17/11), seminário de capacitação sobre leishmaniose visceral e tegumentar, com a participação de médicos, enfermeiros, bioquímicos e biomédicos de 54 municípios que compõem a sua área de atuação. O evento começou nesta terça-feira 16, e está sendo realizado no auditório do Consórcio Intermunicipal Multifinalitário da Área Mineira da Sudene (Cimams).

Na abertura do encontro, a referência técnica em leishmaniose na SRS-Montes Claros, Arlete Lisboa Gonçalves, destacou a importância de os municípios notificarem os casos da doença e terem serviços de saúde organizados para fazer o acompanhamento dos pacientes, evitando o abandono dos tratamentos. “A leishmaniose, apesar de ser uma doença que pode ser fatal, tem cura e tratamento garantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ”, frisou a referência técnica.

No caso da leishmaniose visceral, que é mais grave, em 2020 foram notificados 116 casos nos municípios que compõem a área de atuação da SRS-Montes Claros. Ocorreram três óbitos ocasionados pela doença. Já neste ano, foram notificados 38 casos e duas pessoas morreram em consequência da doença.

Já com relação à leishmaniose tegumentar, dados epidemiológicos apontam que em 2020 foram notificados 350 casos nos 54 municípios que compõem a área de jurisdição da Superintendência Regional de Saúde. Já neste ano, foram registrados 320 casos.

Paralelo ao repasse de orientações a médicos e enfermeiros, o seminário conta com capacitação prática para biomédicos e bioquímicos. Os profissionais estão recebendo orientações sobre a análise e diagnóstico laboratorial da leishmaniose na Policlínica da Prefeitura de Montes Claros e no Laboratório Macrorregional da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG).

A leishmaniose é uma doença infecciosa grave, sistêmica e que pode causar a morte de pessoas se não for tratada. No meio urbano, o principal reservatório da doença são os cães. A doença é transmitida por mosquitos conhecidos como palha, tatuquiras, birigui, entre outros.

Os principais sintomas são: febre de longa duração; aumento do fígado e baço; perda de peso; fraqueza; redução da força muscular e anemia. Para realização de exames, os pacientes residentes em Montes Claros são encaminhados para a Policlínica do bairro Alto São João, onde é feita coleta de sorologia. Nas demais localidades esse procedimento é de responsabilidade das secretarias municipais de Saúde. As amostras são encaminhadas para análise no Laboratório Macrorregional da SES-MG, sediado em Montes Claros.

Programa de controle

Aproveitando a realização do seminário, o técnico do Ministério da Saúde, Lucas Edel Donato, participa nesta quinta-feira 17, de encontro com profissionais de saúde dos municípios de Montes Claros, Francisco Sá, Jaíba, Grão Mogol e Fruta de Leite que estão entre as primeiras 132 cidades do país selecionadas para a implementação da primeira etapa do Programa de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral. Nesta primeira fase, o programa está sendo executado em municípios que, nos últimos três anos, apresenta alta intensa ou muito intensa transmissão da leishmaniose visceral.

Por meio de estudo de intervenção controlado e multicêntrico, realizado em 2010, em 14 municípios do país, entre eles Montes Claros, o Ministério da Saúde concluiu que a proposta de incorporação de coleiras impregnadas com inseticida (deltrametrina a 4%) para o controle da leishmaniose visceral foi responsável pela redução de 50% da prevalência da doença em cães.

A coleira tem ação repelente contra o mosquito responsável pela transmissão do parasito da leishmaniose visceral. O insumo é de uso exclusivo em cães a partir de três meses de idade e deve ser trocada a cada seis meses. Nos municípios selecionados na área de atuação da SRS-Montes Claros a previsão é de que, em quatro anos, 25 mil animais serão monitorados por meio do encoleiramento.

 

Autor: Pedro Ricardo

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