A Gerência Regional de Saúde (GRS) de Itabira, por meio do Núcleo de Vigilância Epidemiológica, realizou no dia 16 de dezembro, por videoconferência, uma reunião com as referências técnicas de vigilância epidemiológica para discutir sobre a vigilância da hanseníase na região. O encontro virtual teve como público-alvo os técnicos dos 24 municípios que compõem a Gerência regional de Saúde de Itabira.
Segundo Marcelo Barbosa Motta, coordenador de vigilância epidemiológica da GRS Itabira e mediador da reunião técnica, o objetivo foi mobilizar as referências técnicas de vigilância epidemiológica para detecção de casos novos de hanseníase e o correto encaminhamento aos serviços de saúde. Ele ressaltou que, por se tratar de uma doença negligenciada, muitas vezes não é percebida, podendo agravar-se e gerar incapacidade física. “Durante a reunião, abordamos aspectos clínicos, dados epidemiológicos, notificação, tratamento farmacológico e educação em saúde. Estamos mobilizando os municípios para que eles possam alertar os usuários da saúde sobre os sinais e sintomas, além de incentivar a procura precoce pelos serviços de saúde”, disse o coordenador. “Precisamos que os profissionais de saúde retomem a busca ativa de casos novos em cada município, visto que a hanseníase, se for tratada precocemente e de forma adequada, tem cura e podemos evitar incapacidades e sequelas”, concluiu Marcelo.
A doença e seus sintomas
Marcelo destacou, durante a videoconferência, que a hanseníase é uma doença infecciosa, crônica, causada pela bactéria Micobacterium leprae e que afeta a pele e os nervos periféricos, em especial os dos olhos, braços, pernas, orelhas e nariz. A doença acomete pessoas nas mais diversas idades – incluindo crianças – independentemente de gênero (masculino ou feminino). A progressão da doença é lenta, e seu período de incubação é prolongado e pode durar anos.
De acordo com o Ministério da Saúde (MS), a hanseníase inicia-se, em geral, com manchas brancas, vermelhas ou marrons em qualquer parte do corpo, com alteração de sensibilidade à dor, ao tato, e ao calor e ao frio. Podem aparecer também áreas dormentes, especialmente nas extremidades, como mãos, pernas, córneas, além de caroços, nódulos e entupimento nasal. Nesses casos, o paciente deve procurar uma unidade de saúde para confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento.
Alerta
A hanseníase acomete indivíduos de todas as idades e em todas as classes sociais> Porém, é mais frequente nos segmentos mais humildes da sociedade, em que a multiexposição favorece a infecção, especialmente entre os conviventes dentro do domicílio da pessoa com a hanseníase da forma contagiosa sem tratamento. É muito importante, portanto, um cuidado especial com a vigilância em relação aos contatos domiciliares, considerado o grupo de risco.
Diagnóstico
O diagnóstico de caso de hanseníase é essencialmente clínico e epidemiológico, realizado por meio do exame geral e dermatoneurológico, para identificar lesões ou áreas de pele com alteração de sensibilidade e/ou comprometimento de nervos periféricos, com alterações sensitivas e/ou motoras e/ou autonômicas.
Tratamento
O tratamento está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é feito com medicamentos orais, e a duração é de 6 a 12 meses, dependendo da forma clínica. O paciente deve comparecer mensalmente ao serviço de saúde, para ser examinado, receber a medicação e orientações.
Prevenção
O diagnóstico precoce, o tratamento oportuno e a investigação de contatos que convivem ou conviveram, residem ou residiram, de forma prolongada com pacientes acometidos por hanseníase, são as principais formas de prevenção.
Para mais informações sobre a doença acesse: www.saude.mg.gov.br/hanseniase
Autor: Flávio A. R. Samuel