Diante do período sazonal das doenças gripais, que ocorre do fim de março ao final de junho, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) realizou, nesta segunda-feira (23/2), o projeto Conexão Viral em Campo no auditório da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Divinópolis. A iniciativa é voltada à qualificação dos profissionais dos 54 municípios da macrorregião de Saúde Oeste que atuam na linha de frente do atendimento às síndromes respiratórias.
O foco do projeto é fortalecer a formação continuada das equipes da rede SUS — desde unidades básicas até prontos atendimentos e hospitais — para que compartilhem experiências, analisem o cenário epidemiológico local e aprimorem a assistência. O projeto percorre as 28 regionais de saúde do estado.
O superintendente da SRS Divinópolis, Anderson Roberto do Amaral, ressaltou que o objetivo é preparar as equipes para o período de maior circulação de doenças respiratórias, garantindo atendimento adequado aos pacientes e contribuindo para a redução de óbitos. “Também é essencial intensificar a cobertura vacinal, especialmente entre os grupos prioritários”, ponderou o superintendente.
A referência técnica em doenças respiratórias da SRS Divinópolis, Cecília Godoi, explicou que o seminário é conduzido pela Força Estadual do SUS, composta por médicos e enfermeiros da SES-MG que apoiam os municípios em situações de emergência em saúde pública. “No primeiro dia, os participantes receberam o panorama epidemiológico da região e discutiram casos clínicos”, explicou a referência.
A programação segue na terça-feira (24/2), com ações na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Divinópolis e no Complexo de Saúde São João de Deus, incluindo reuniões técnicas com equipes municipais, profissionais das unidades e representantes da Força Estadual do SUS.
O médico Fagner Lúcio de Toledo destacou que, no processo de investigação epidemiológica, é frequente que pacientes relatem viagens ou episódios que não contribuem para o diagnóstico. Segundo ele, a prioridade deve ser identificar fatores de risco reais, como exposições locais, contato com animais, surtos recentes ou possíveis infecções sexualmente transmissíveis.
“No caso das crianças, a convivência constante em ambientes coletivos favorece a circulação de vírus e bactérias, somada à influência de fatores ambientais, como períodos de chuva”, disse o médico.
Síndrome Respiratória Aguda Grave
Para reduzir complicações e salvar vidas, é fundamental o diagnóstico precoce das síndromes respiratórias na rede assistencial, aliado à vacinação dos grupos recomendados. A Síndrome Gripal (SG) apresenta sintomas leves, como febre, dor de garganta, tosse e dor de cabeça. Já a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) envolve sinais intensos, como dificuldade para respirar, dor torácica persistente, baixa saturação de oxigênio e coloração azulada dos lábios ou do rosto. Nos casos mais graves, pode ser necessária internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e suporte ventilatório.
Texto: Willian Pacheco / Foto: Willian Pacheco
