Setembro Amarelo é a campanha de prevenção ao suicídio, mas a causa deve ser trabalhada o ano inteiro. Nessa quarta-feira (25/9), os servidores da Regional de Saúde de Uberlândia foram surpreendidos com uma abordagem diferenciada sobre o tema com uma apresentação do grupo Integrarte, que mescla exposição dialogada, integração e música para a reflexão sobre a prevenção ao suicídio.
Com o tema “Pulsar pela Vida”, o professor universitário Diego Batista Silva Carvalho e a educadora Natália Luiza Silva Carvalho, mostraram que o amor, afeto, respeito, entender e aceitar o próximo, saber ouvir, apoiar e dar suporte constantemente são pontos fundamentais para sermos felizes. “O pulsar da vida está em construir relacionamentos, pois ninguém consegue viver sozinho. O coração pulsa para bombear o sangue para o corpo movimentar, e sem o movimento, a vida deixa de ter sentido”, comparou Diego Carvalho.
Ainda segundo o professor, a discussão do tema não pode ser vista como banalização. “Muitas vezes, estamos falando demais em suicídio e a causa acaba sendo banalizada. Infelizmente, quando nos alertamos, é quando perdemos alguém próximo”, acrescentou.
A servidora da Regional, Maria Aparecida Knychala, participou do evento e disse que se surpreendeu como o tema foi trabalhado. “No início eu estava desconfiada quando foi abordado sobre a angústia, mas todas as colocações fazem sentido para pensarmos na vida”, comentou.
Em relatório divulgado recentemente pela Organização Mundial da Saúde (OMS), uma pessoa se suicida a cada 40 segundos, no mundo. Outros estudos trazem que a cada suicídio, 25 tentativas foram feitas. Diversos fatores levam a este fenômeno complexo, como o uso de álcool e outras drogas quando não tem intervenção, a rejeição que causa “dor social” igual à dor física, o imediatismo e o não saber trabalhar as frustrações – principalmente na população mais jovem. Outros aspectos sociais de falta de relacionamento são relevantes para a causa, sendo que hoje as pessoas estão cada vez mais solitárias, e estas têm cinco vezes mais chances de adoecer do que pessoas não solitárias, e a falta de diálogo, pois nos últimos anos triplicou o número de pessoas que não tem com quem confidenciar assuntos importantes.
A psicóloga e referência técnica em saúde mental da Regional de Saúde de Uberlândia, Maria Lúcia dos Reis, reforça que as políticas públicas de saúde de prevenção ao suicídio e a rede devem funcionar em conjunto. “Todos os pontos de atenção precisam trabalhar de forma articulada e integrada. Os profissionais da Atenção Básica precisam estar atentos aos sinais, pois é a Unidade Básica de Saúde a porta de entrada, bem como ter o acesso aos CAPSs (Centros de Atenção Psicossocial) e se necessário aos leitos de internação”, conclui a psicóloga.
Autor: Lilian Cunha