Pesquisa da UFV aponta que percepção da equipe de enfermagem influencia na cobertura vacinal da população

Crédito: Keila Siqueira de Lima

Ao lado das melhorias sanitárias, e em particular a oferta de água tratada, nada trouxe tanto benefício para a humanidade quanto as vacinas. Estima-se que, isoladamente, as vacinas são responsáveis pelo aumento em 30 anos da expectativa de vida do brasileiro, resultado da política pública eficiente do Programa Nacional de Imunização (PNI). A manutenção desse êxito só será possível com altas e homogêneas taxas de coberturas vacinais, porém, pesquisa da Universidade Federal de Viçosa (UFV) apontou que a percepção da equipe de enfermagem das Unidades de Estratégia de Saúde da Família (ESF) pode influenciar diretamente na cobertura vacinal da população.

O trabalho foi realizado pelo servidor da Unidade Regional de Saúde (URS) de Ubá, Wallan Mcdonald Soares Souza, mestrando em Ciências da Saúde na UFV. No dia 6 de julho, o estudo foi apresentado aos gestores das 31 secretarias municipais de Saúde da jurisprudência da URS Ubá na Comissão Intergestores Bipartite (CIB) Micro* e o produto técnico encaminhado às referências técnicas em Imunização.

A pesquisa teve o objetivo de conhecer a prática de Atenção à Saúde dos enfermeiros da ESF quanto ao monitoramento e a vigilância dos indicadores de cobertura vacinal. Ao todo, 16 enfermeiros que atuam na Atenção Primária do município de Ubá, relataram o cotidiano vivido nas Salas de Vacinas das Unidades Básicas de Saúde por meio de entrevistas. Como resultado, foram construídos dois artigos científicos e um produto técnico**.  “O enfermeiro é o profissional crucial nesse processo, uma vez que as atividades de imunização são executadas pela equipe composta por técnicos e auxiliares de enfermagem. Sendo assim, é importante que compreendam a relevância da realização das supervisões de forma planejada e rotineira, utilizando os indicadores de desempenho de vacinação para gerenciar as ações, de forma que alcance a homogeneidade de coberturas e diminua as taxas de abandono das vacinas em seu território de atuação”, explicou Wallan, que é referência técnica em Imunização da URS Ubá, que realizou a pesquisa sob a orientação da professora doutora Andréia Patrícia Gomes, vinculada ao Departamento de Medicina e Enfermagem da UFV.

O estudo permitiu identificar fragilidades estruturais nos locais onde os enfermeiros desempenham suas atividades, o que pode impactar na qualidade do serviço prestado. Além disso, a complexidade e a multiplicidade das atividades realizadas pelos enfermeiros no âmbito da Atenção Primária à Saúde resultam na acumulação de tarefas e, por conseguinte, a não utilização das informações sobre cobertura vacinal em seu território. “Planejar demanda tempo para realizar processos de avaliação e formulação de estratégias. Mas, na pesquisa identificamos impacto negativo no gerenciamento da imunização mediante os diversos serviços realizados pelos enfermeiros dentro das unidades. Então, formulamos o produto técnico no intuito de orientar, padronizar e facilitar a obtenção de diagnóstico situacional, que oriente no alcance de pessoas não vacinadas”, explicou Wallan.

A pesquisa ganha relevância diante das estatísticas epidemiológicas que demonstram uma tendência a baixa adesão, por parte da população, ao cumprimento do esquema vacinal proposto pelo PNI para crianças, adolescentes, adultos e idosos. “Paralelamente aos avanços e ao impacto observado na diminuição da morbidade e a mortalidade de doenças imunopreveníveis, há evidências de descenso das coberturas vacinais, o que contribuiu para o ressurgimento de doenças eliminadas e/ou sob controle, como o sarampo, que reapareceu em 2019, após três anos do Brasil ter conseguido o certificado oficial de erradicação deste agravo pela Organização Mundial de Saúde. Esta realidade impõe ao PNI o desafio de avaliar, identificar e intervir sobre essas causas”, observou a professora e orientadora, doutora Andréia Patrícia Gomes. Um dos artigos formulados a partir da pesquisa foi submetido às revistas “APS em Revista” e “Revista Brasileira de Medicina de Família e Comunidade” em abril e junho de 2021.

*Comissões Intergestores Bipartite das Microrregiões de Ubá e Muriaé

**O artigo original 1 é intitulado “O papel do enfermeiro da Estratégia de Saúde da Família nas ações do Programa Nacional de Imunizações: uma revisão sobre o gerenciamento do serviço de imunização”. O artigo original 2 é intitulado “A importância do monitoramento e da vigilância dos indicadores de cobertura vacinal sob a ótica dos enfermeiros da Estratégia de Saúde da Família: Perspectivas e desafios”. O produto técnico da pesquisa recebeu o título de “Procedimento operacional padrão para a vigilância e o monitoramento dos indicadores de desempenho do PNI”, que será enviado às referências técnicas em imunização dos 31 municípios da área de abrangência da Regional de Saúde de Ubá, após a defesa da dissertação.

Autor: Keila Siqueira de Lima

Rolar para cima