Oficina discute mobilização social no enfrentamento às doenças

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Em encontro voltado para as referências técnicas em vigilância em saúde, assistência, controle vetorial e mobilização social de vários municípios mineiros e das Unidades Regionais de Saúde, a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) realiza a Oficina para a elaboração das diretrizes estaduais para o controle da dengue, chikungunya e Zika Z. O evento, que começou ontem (28/07), além de palestras sobre o assunto, contou com a formação de grupos de trabalho que discutiram e sugeriram ideias para serem adotadas em todo o estado para o controle das doenças.

Em um momento de interação e exposição de experiências, ações de contingenciamento para evitar situações epidêmicas nos municípios também foram propostas. Segundo a referência técnica em Dengue da Superintendência Regional de Saúde de Divinópolis, Rogério Rocha, para que a proliferação do mosquito da dengue seja contida, a divulgação de informações à população é algo que deve ser feito de forma constante. “Os cidadãos sabem que devem enfrentar à dengue, mas sempre têm que ser lembrados. Informações como a importância e a necessidade da entrada dos agentes de endemias nas residências das pessoas é algo que deve ser sempre reforçado. As pessoas, muitas vezes por medo ou até mesmo por desconhecerem a periculosidade da doença, dificultam a entrada do agente nas casas e em muitos municípios está é uma das maiores dificuldades”, conta. 

 

Considerando que a Dengue, Chikungunya e a Zika-V não são apenas questões de saúde, mas também envolvem, entre outras áreas, educação, meio ambiente e urbanismo, os grupos de trabalho consideraram a educação em saúde um importante fator para informar e contar com a participação das pessoas. “A mobilização social é despertar o “querer” nas pessoas e neste caso é o querer em manter a saúde da cidade, do bairro, da rua. É contar com hábitos de cidadania, higiene e de boa vontade”, afirmou a referência em Mobilização Social da SRS Itabira, Darliete Araújo Martins. 

Acompanhando também os trabalhos, o secretário municipal de Saúde de Uberaba, Marco Túlio Azevedo Cury, também destacou a importância da realização do evento e da importância da mobilização. “Esta oficina é um espaço para discussão e para o diagnóstico de como devemos, estado e município, trabalhar de agora em diante, para que a dengue não avance cada vez mais”, disse. 

Palestras 

Palestrante com o tema “Assistência ao Paciente”, o superintendente de Vigilância Epidemiológica, Ambiental e de Saúde do Trabalhador, Rodrigo Said, destaca o principal desafio encontrado. “Temos que pensar na organização das redes para evitar óbitos. Infelizmente, podem acontecer, mas é preciso organizar o serviço para evitar a ocorrência”. Said enumerou necessidades de aprimoramento. “Acesso à assistência, utilização de protocolos, capacitação pessoal são alguns dos pontos que devem ser aperfeiçoados”. 

O médico infectologista da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), Frederico Amâncio, apresentou dados sobre a ocorrência da dengue em sua palestra sobre investigação de óbitos. “Em Minas Gerais mais de 90% dos municípios têm infestação e 70% possuem casos confirmados. A faixa de mais de 65 anos possui 11 vezes mais chance de óbito do que a de 29 anos”. Sobre a análise situacional, Amâncio reiterou que é necessária leitura além dos dados quantitativos. “É claro que os dados numéricos são importantes e referenciais, mas é preciso verificar o contexto. Por exemplo, um município pode possuir cidadãos em idade com maior taxa de mortalidade do que outro”. O infectologista salienta que a população deve assumir certas responsabilidades. “É preciso ter consciência da importância, por exemplo, de se manter o quintal limpo. Além da dengue, outras doenças podem ser evitadas dessa forma”. 

O evento, que termina amanhã (30/07), ocorre no Hotel Dayrell e conta com a participação de aproximadamente 150 profissionais da saúde pública mineira.

 

Autor: Alessandra Maximiano / Leandro Heringer

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