Norte de Minas assume segundo lugar na realização de transplantes de rins e fígado

BLOCO TRANSPLANTES SANTA CASA 1

A Santa Casa de Montes Claros, principal referência do Sistema Estadual de Transplantes na captação de doadores de órgãos e tecidos no Norte e Nordeste de Minas, alcançou no primeiro semestre deste ano o segundo lugar na realização de transplantes de rins e fígado. Ao todo foram realizados 43 transplantes renais (dois a menos que a Santa Casa de Juiz de Fora, a primeira instituição colocada) e 20 transplantes de fígado (quatro a menos em relação ao Hospital Felício Rocho, de Belo Horizonte, primeiro colocado).

Mesmo diante da pandemia da covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, o superintendente da Santa Casa de Montes Claros, Maurício Sérgio Souza e Silva afirma que “a instituição tem se empenhado no sentido de continuar prestando serviços à população. Por isso, no primeiro semestre deste ano, graças ao profissionalismo e dedicação das nossas equipes, foram 63 pessoas que passaram a ter uma nova oportunidade de vida”, frisa o superintendente.

O médico Luiz Fernando Veloso, coordenador da equipe de realização de transplantes de fígado explica que “diante da pandemia da covid-19 a suspensão da realização de transplantes acarretaria em um grande acúmulo de pacientes em listas de espera ou até mesmo situações mais graves, tendo como consequência o óbito”.

A Santa Casa revela que dados do Registro Brasileiro de Transplantes dão conta de que o número de cirurgias realizadas em março, comparado com o número médio dos transplantes realizados em janeiro e fevereiro, observou uma queda nos transplantes de todos os órgãos, na ordem de 83% para pâncreas; 48% para pulmão; 30% para coração; 16% para rins e 15% para fígado.

“Diante desse panorama podemos considerar que a Santa Casa de Montes Claros está na contramão do cenário apresentado em nível nacional. Considero que foram vários os fatores a serem destacados para o resultado que alcançamos. Entre eles passamos a contar com a profissionalização da equipe da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos, que passou a contar com uma enfermeira e médica para esta finalidade; a gestão proativa da coordenação da Organização de Procura de Órgãos e Tecidos (OPO Norte/Nordeste) do MG transplantes; as medidas tomadas pelas equipes de transplantes do hospital, com uma postura ativa para manter, com segurança, a atividade de transplantes durante o período de pandemia; o desempenho da gestão da Santa Casa que disponibilizou suporte logístico para que os exames de covid-19 fossem realizados em todos os doadores em regime de urgência e resposta rápida; e o apoio de laboratório sediado em Diamantina, que entregou os resultados dos exames dos doadores de forma extremamente ágil”, ressalta Fernando Veloso.

Segundo a Santa Casa, atualmente cinco pacientes do Norte de Minas estão na fila de espera por um fígado e outros 330 aguardam por um rim.

O passo principal para uma pessoa se tornar um doador é conversar com a família e deixar bem claro o seu desejo. Não é necessário deixar nada por escrito. Porém, os familiares devem se comprometer a autorizar a doação por escrito após a morte.

A doação de órgãos é um ato pelo qual a pessoa manifesta a vontade de que, a partir do momento da constatação da morte encefálica, uma ou mais partes do seu corpo (órgãos ou tecidos), em condições de serem aproveitadas para transplante, possam ajudar outras pessoas que aguardam transplante.

Sistema Estadual

O Sistema Estadual de Transplantes é composto pela Central Estadual de Transplantes (CET) e pelas Organizações de Procura de Órgãos (OPO’s). É responsável por coordenar a política de transplantes de órgãos e tecidos no Estado de Minas Gerais, regulando o processo de Notificação, doação, distribuição e logística, avaliando resultados e capacitando hospitais e profissionais afins na atividade de transplantes.

Criado em 1992, o MG Transplantes é reconhecido nacionalmente. É responsável, por meio do Serviço Nacional de Transplantes (SNT), por monitorar a lista única de transplantes de órgãos e tecidos; receber fichas de inscrição dos profissionais autorizados a transplantar; manter busca ativa constante nos hospitais de cada uma das sete OPO’s, entre outras funções.

A Central Estadual de Transplantes (CET) está sediada em Belo de Horizonte e as Organizações de Procura de Órgãos e Tecidos nas regiões Norte/Nordeste (Montes Claros); Sul (Pouso Alegre); Leste (Governador Valadares); Zona da Mata (Juiz de Fora); Oeste (Uberlândia), na cidade de Ipatinga e Região Metropolitana (Belo Horizonte).

Autor: Pedro Ricardo

Rolar para cima