Com a ocorrência de epizootias (adoecimento ou a morte de animais, em um curto espaço de tempo e numa mesma região) de macacos neste ano em Pirapora, Buritizeiro e Urucuia, atendendo solicitação da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros profissionais de vigilância em saúde de São João do Pacuí realizaram nos dias 19 e 20 de maio capacitação de referências técnicas de controle de endemias de Coração de Jesus e de São João da Lagoa. A iniciativa, coordenada por Ivanildo de Oliveira Araújo, foi conduzida pelas referências técnicas Sebastião Leandro Soares Santana, Juliana Fagundes Oliveira e Walison Pereira Rocha.
A secretária de saúde de São João do Pacuí, Tatiane Pinheiro Souza, explica que “a capacitação teve como objetivo padronizar condutas e fortalecer a atuação integrada dos três municípios na detecção precoce da circulação viral da febre amarela, garantindo resposta rápida e efetiva para a proteção da população”.
A vigilância de epizootias é fundamental porque os animais costumam adoecer antes dos humanos, servindo como um sistema de alarme precoce para a ocorrência de surtos de doenças na população.
Bartolomeu Teixeira Lopes, referência técnica em entomologia (estudo dos insetos) na SRS Montes Claros observa que a atuação dos profissionais dos municípios já capacitados para a coleta de vísceras de macacos para a realização de exames no laboratório da Fundação Ezequiel Dias (Funed), em Belo Horizonte, reforça e amplia o trabalho de descentralização das ações de controle da febre amarela no Norte de Minas.
“Desde 2022 os serviços municipais de vigilância em saúde passaram a ter profissionais capacitados para agilizar as investigações de epizootias, o que possibilita detectar de forma precoce a circulação do vírus da febre amarela na região. Esse trabalho subsidia as tomadas de decisões dos profissionais atuantes nos demais serviços de saúde quanto ao reforço da vacinação da população”, explica Bartolomeu Lopes.
A descentralização das ações já envolveu profissionais das microrregiões de Saúde de Salinas, Coração de Jesus, Janaúba, Bocaiúva, Francisco Sá e Taiobeiras, além do município de Sete Lagoas, sediado na região Central do estado.
A coordenadora de vigilância em saúde e do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) Regional de Montes Claros, Agna Soares da Silva Menezes observa que “o apoio da Secretaria Municipal de Saúde de São João do Pacuí foi importante no sentido de viabilizar a capacitação de profissionais de Coração de Jesus e de São João da Lagoa, o que reforça a troca de experiências e o trabalho de parceria para o enfrentamento da febre amarela em municípios que integram uma mesma microrregião”.
Ainda segundo a coordenadora, diante de epizootias que vêm sendo registradas no Norte de Minas, “a ampliação das ações de descentralização do controle da febre amarela precisa ser reforçada, pois a circulação do vírus aumenta o risco de transmissão da doença para as pessoas. Para que isso não aconteça, os serviços municipais de vigilância em saúde e de atenção primária precisam estar alinhados para tomar decisões nos momentos certos”, pontua Agna Menezes.
Alerta CIEVS
No dia 6 de maio deste ano a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) emitiu alerta epidemiológico sobre a ocorrência de epizootias de macacos com detecção do vírus da febre amarela em nove municípios: Arinos, Buritis, Formoso, Riachinho, Unaí, Uruana de Minas, Urucuia, Pirapora e Buritizeiro.
Entre as recomendações encaminhadas aos municípios das Unidades Regionais da SES-MG em Montes Claros, Januária, Pirapora, Unaí, Sete Lagoas e Patos de Minas, está o reforço da vigilância oportuna de novas epizootias; detecção oportuna de caso suspeito de febre amarela em pessoas; investigação adequada dos casos; fortalecimento da cobertura vacinal e articulação entre os níveis municipal, regional e estadual.
A SES-MG orienta que os municípios devem realizar a busca ativa de macacos mortos ou doentes, com registro imediato (em até 24 horas) no Sistema de Informação em Saúde Silvestre (SISS-Geo) e no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan). Os municípios também devem providenciar a coleta de amostras de macacos mortos para diagnóstico laboratorial.
A doença
A febre amarela é uma doença febril aguda, de evolução rápida e de gravidade variável. Possui elevada letalidade nas suas formas mais graves. É transmitida por mosquitos e pernilongos infectados e não há transmissão de uma pessoa para outra.
A doença é de notificação compulsória imediata, ou seja, todo caso suspeito (tanto morte de macacos, quanto casos humanos com sintomas compatíveis) deve ser prontamente comunicado pelos gestores de saúde dos municípios em até 24 horas após a suspeita inicial. Em seguida, os serviços estaduais de saúde devem notificar ao Ministério da Saúde os eventos de febre amarela suspeitos.
No ciclo silvestre os macacos são os principais hospedeiros e amplificadores do vírus. Já no meio urbano o homem é o único hospedeiro com importância epidemiológica. A transmissão do vírus ocorre a partir de vetores infectados, entre eles o mosquito Aedes aegypti, também transmissor da dengue, febre chikungunya e do zika vírus.
Vacinação
Agna Menezes lembra da necessidade dos municípios reforçarem as ações voltadas para o aumento das coberturas vacinais contra a febre amarela.
Em crianças a primeira dose da vacina contra a febre amarela deve ser aplicada aos nove meses de idade e, a segunda, aos quatro anos. Pessoas com idade a partir de cinco anos, que nunca foram vacinadas contra a febre amarela ou sem comprovante de vacinação, devem tomar uma dose.
A pessoa que recebeu uma dose da vacina antes de completar cinco anos de idade está indicada a tomar uma dose de reforço, independente da faixa etária.
Já pessoas com alergia grave a ovo; imunossuprimidos graves; gestantes e idosos não podem tomar a vacina contra a febre amarela.
Por: Pedro Ricardo
Foto: SMS de São João do Pacuí
