Meningites: Oficina em Montes Claros reforça a importância do aumento das coberturas vacinais de crianças e adolescentes

om 4.786 casos confirmados entre 2020 e 2026, com ocorrência de 993 óbitos em Minas Gerais, e tendo como meta da Organização Mundial da Saúde (OMS) reduzir os casos do agravo até 2030, o enfrentamento da meningite passa, necessariamente, pelo aumento das coberturas vacinais de crianças e adolescentes. Isso porque, trata-se de uma doença que no Brasil é endêmica e, embora possa acometer pessoas de qualquer idade, ela ocorre principalmente em crianças de até cinco anos, com prevalência em bebês até um ano. 

Esse foi um dos principais alertas dirigidos a profissionais de saúde do Norte de Minas nesta terça-feira, 8/4, durante a realização da Oficina de Capacitação para Manejo Clínico, Diagnóstico Laboratorial, Imunização e Vigilância das Meningites e Doenças Invasivas. O evento, que prossegue nesta quarta-feira, 8/4, envolve profissionais de saúde atuantes nas áreas de jurisdição da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros e das Gerências Regionais de Saúde (GRS) de Januária e Pirapora.  

Ao falar sobre o cenário epidemiológico das meningites, Gilmar José Coelho Rodrigues, coordenador de Programas de Vigilância de Doenças Transmissíveis Agudas da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), destacou que “o diagnóstico e a notificação imediata de casos, o reforço das coberturas vacinais e dos serviços de vigilância epidemiológica municipais e regional são fatores importantes a serem seguidos pelos profissionais de saúde com vistas ao enfrentamento das meningites”. 

Ainda segundo Gilmar Rodrigues, “embora a partir de 2010 tenha ocorrido a diminuição de casos de meningite devido à disponibilização de vacinas, é importante que os municípios devem centrar esforços nas ações de comunicação visando o atendimento adequado de pacientes nas unidades de saúde, além de melhorar a qualificação de dados nos territórios. Isso possibilitará uma melhor identificação das causas de ocorrência da doença, visto que a vigilância epidemiológica continua sendo um desafio diante da gravidade e evolução rápida da doença”. 

Ao reforçar a importância da atualização dos profissionais de saúde sobre as ações de prevenção, manejo clínico e controle das meningites, Agna Soares da Silva Menezes, coordenadora de vigilância em saúde na SRS de Montes Claros observou que “a realização da oficina há muito era um desejo, visto que viabiliza a troca de experiências e o reforço de ações que são de fundamental importância para o enfrentamento do agravo”. 

Dados da SES-MG apontam que neste ano o estado notificou 463 casos suspeitos de meningites, dos quais 134 foram confirmados, com ocorrência de 21 óbitos. Já no Norte de Minas, entre 2020 e 2025 foram notificados 414 casos de meningites e registro de seis óbitos. 

Coberturas vacinais

No Norte de Minas as coberturas vacinais contra a meningite estão abaixo do percentual de 95% preconizado pelo Ministério da Saúde. 

Em 54 municípios da área de atuação da SRS de Montes Claros a cobertura vacinal de crianças menores de um ano está em 87,74%. A administração da dose de reforço com a vacina ACWY em crianças de um ano está em 93,70%. Já a vacinação de adolescentes entre 11 e 14 anos está em 65%, com estimativa de 20.846 pessoas não vacinadas contra a meningite.

Em 25 municípios da Gerência Regional de Saúde de Januária a cobertura vacinal de crianças com menos de um ano de idade está em 94,85%; a dose de reforço em crianças a partir de um ano está em 94,62% e a cobertura vacinal de adolescentes está em 60,51%, com estimativa de 24.110 pessoas não vacinadas. 

Já em sete municípios da GRS de Pirapora a cobertura vacinal contra a meningite em crianças está em 93,21%. Por outro lado, com estimativa de que 7.502 adolescentes devem ser vacinados contra a meningite, a cobertura vacinal está em 76,47%. 

Esquema vacinal

Mônica de Lourdes Rochido, referência técnica em imunização na SRS de Montes Claros explica que o esquema vacinal contra a meningite envolve a aplicação de duas doses da vacina meningocócica C em crianças aos três meses e cinco meses de idade, com intervalo de 60 dias entre elas. Uma dose de reforço deve ser administrada aos 12 meses, preferencialmente com uso da vacina meningocócica ACWY. 

A vacina ACWY também pode ser aplicada como dose de reforço em crianças até os 4 anos, 11 meses e 29 dias, simultaneamente com as demais vacinas do Calendário Nacional de Vacinação.

Uma dose da vacina ACWY deve ser administrada como reforço em adolescentes entre 11 e 14 anos de idade. 

Programação

O primeiro dia da Oficina de Capacitação para Manejo Clínico, Diagnóstico Laboratorial, Imunização e Vigilância das Meningites e Doenças Invasivas contou com a realização de palestra e debate sobre “A Visão do Controle de Infecção Hospitalar”, com a participação das médicas, Izabela Bretas e Maressa Morais, do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) Regional de Montes Claros e do Hospital Universitário Clemente de Faria, respectivamente. 

Também foram ministradas palestras sobre vigilância laboratorial das meningites bacterianas; vigilância e notificações da doença. 

A programação prossegue nesta quarta-feira, 8/4, a partir das 9 horas com a realização de mesa redonda debatendo o Atendimento inicial do Paciente com Síndrome Febril Aguda; aspectos clínicos e diagnósticos laboratoriais. Entre os participantes estarão os médicos Mariano Fagundes Neto e Izabela Bretas, integrantes do Cievs Regional de Montes Claros.

O encerramento da capacitação será conduzido por Agna Menezes com a realização de avaliação dos resultados alcançados e repasse de orientações para a replicação dos conhecimentos entre os profissionais de saúde nos municípios. 

Por: Pedro Ricardo

Foto: Pedro Ricardo

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