A Escola de Saúde Pública do Estado de Minas Gerais (ESP-MG), em parceria com Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), por meio da Diretoria de Saúde Mental, Álcool e outras Drogas, realizou na quinta-feira, 08/07, às 15h, o Webinário: “Supervisão clínico-institucional: compartilhando experiências das RAPS de Minas”. Este foi o terceiro e último encontro da série de Webinários em Saúde Mental que tiveram como temática geral a “Supervisão clínico-institucional e suas contribuições para o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) de Minas”.
O objetivo dos Webinários foi apresentar conteúdos de relevância para o campo da saúde mental e que dialogassem com a experiência de supervisão clínico-institucional, desenvolvida em diferentes municípios de Minas Gerais. Os outros Webinários ocorreram em maio e junho deste ano e todos eles contaram com a participação de trabalhadores, usuários, supervisores clínico-institucionais, docentes e pesquisadores do campo.
A transmissão foi feita pelo Canal da Escola no Youtube e está disponível em: youtube.com/escolasaudepublicamg
Participaram deste Webinário, a Psicóloga e Coordenadora de Saúde Mental de Carandaí (MG), Elisângela Sousa; a Psicóloga e Supervisora Clínico- Institucional de Carandaí (MG), Regina Monteiro; o Pedagogo e Coordenador do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) de Verdelândia (MG) Eduardo Aguiar e a Psicóloga e a Supervisora Clínico Institucional do município de Prata (MG), Elaine Bordini Villar. A Mediação foi de Alessandra de Faria, psicóloga, sanitarista e trabalhadora da ESP-MG
A Psicóloga e Coordenadora de Saúde Mental de Carandaí (MG), Elisângela Sousa falou sobre o trabalho no CAPS e compartilhou suas experiências de atendimento e acolhimento aos pacientes, tendo como foco o cuidado em liberdade. Em seguida, a Psicóloga e Supervisora Clínico- Institucional de Carandaí (MG), Regina Monteiro comentou sobre sua trajetória na rede de saúde mental e na luta antimanicomial e destacou que, em se tratando do trabalho em saúde mental, é essencial que seja uma tarefa coletiva, territorial e em rede. Regina Monteiro também destacou que ao se falar em rede, “deve-se considerar que deve ser uma rede de proteção aos pacientes e que a metodologia de trabalho deve ser democrática e com a participação de todos”.
O Pedagogo e Coordenador do CAPS de Verdelândia (MG) Eduardo Aguiar fez um relato da sua experiência e a de sua equipe com uma das usuárias do CAPS, que é mãe e por viver em uma situação de vulnerabilidade social, com uso abusivo de álcool e outras drogas, acabou perdendo a guarda das filhas. Ele conclui contando que a equipe acolheu a usuária e a estimulou a buscar a melhoria de sua condição de vida e que atualmente ela está conseguindo retomar sua vida e reconquistou a guarda das filhas. Eduardo destacou que a supervisão clínico-institucional em seu CAPS fez a diferença, porque aprenderam que o projeto terapêutico precisa enxergar o sujeito com um ser autônomo e que deve ser feito em liberdade, como acorreu com a usuária.
Por fim, a Supervisora- Clínico Institucional do município de Prata (MG), Elaine Bordini Villar, contou que está há 4 meses atuando na supervisão e que tem sido uma experiência de muito desafio e aprendizado. De acordo com ela, esse modelo de supervisão da maneira como está pensado e estruturado tem algo de muito inovador, porque oferece a possibilidade de encontro entre pessoas e vários olhares, não apenas dos trabalhadores, mas essencialmente dos usuários da rede de atenção psicossocial.
A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)
As políticas de saúde mental no estado estão sustentadas nos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS) e da Reforma Psiquiátrica antimanicomial e propõe uma rede de serviços públicos, substitutivos aos hospitais psiquiátricos e seus similares, conhecida como Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). A Rede de Atenção Psicossocial propõe um novo modelo de atenção em saúde mental, a partir do acesso e a promoção de direitos das pessoas, baseado na convivência dentro da sociedade. Além de mais acessível, a rede ainda tem como objetivo articular ações e serviços de saúde em diferentes níveis de complexidade. A RAPS, em sua composição, tem pontos estratégicos e prioritários na Atenção Primária em Saúde, Atenção Psicossocial e Atenção Hospitalar, entre outros.
Este, e os outros webinários, que aconteceram no mês de maio e junho deste ano, estão disponíveis no Canal da Escola no Youtube.
Autor: Vívian Campos- ESP-MG