A Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros está mobilizando as secretarias municipais de saúde com vistas ao reforço das ações de vacinação contra o sarampo. A iniciativa leva em conta a Nota Técnica 80, publicada neste mês pelo Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente e pelo Departamento do Programa Nacional de Imunizações (PNI) para “o risco iminente de reintrodução e disseminação do sarampo no território nacional” visto que, entre 11 de junho a 19 de julho, a Copa do Mundo de Futebol deverá movimentar intenso fluxo de viajantes.
O documento encaminhado às secretarias municipais de saúde observa que os Estados Unidos, México e Canadá, países que sediarão a competição, “apresentam elevado número de casos de sarampo, com surtos ainda ativos”. Eventos de massa internacionais como este resultam em grande mobilidade populacional e intensa circulação de viajantes entre países e continentes, o que pode favorecer a disseminação de doenças transmissíveis”.
Nesse contexto, frisa a Nota Técnica, destaca-se o sarampo, doença viral, infecciosa aguda, altamente contagiosa e potencialmente grave, cuja transmissão ocorre principalmente por via aérea ou gotículas respiratórias ao tossir, espirrar, falar ou respirar e que pode se disseminar rapidamente em ambientes com grande circulação de pessoas.
Durante ou após viagens as pessoas devem ficar atentas para sinais e sintomas sugestivos do sarampo como: febre; exantema (manchas vermelhas); coriza e conjuntivite. Com esses sintomas, as pessoas devem usar máscara cirúrgica. Já os serviços municipais de saúde são orientados a manter elevado grau de suspeição de sarampo para pacientes que se enquadrem na definição de doença exantemática, especialmente em pessoas com histórico de viagem internacional ou contato com viajantes. A notificação dos casos deve ser imediata, no prazo de até 24 horas.
Cenário
Em 2025 foram confirmados 248.394 casos de sarampo no mundo, “demonstrando que a circulação viral permanece como uma ameaça crítica à saúde pública”. Esse cenário é agravado pela existência de bolsões de indivíduos suscetíveis, resultantes da hesitação vacinal e de falhas na cobertura vacinal em diversas regiões”, reforça a Nota Técnica.
No ano passado a epidemia de sarampo no Canadá computou 5.062 casos, o que ocasionou a perda da certificação de país livre de sarampo. Neste ano, o Canadá já registra 124 casos da doença e se mantém como área de circulação endêmica.
No México foram notificados sete casos de sarampo em 2024, quantidade essa que aumentou para 6.152 casos no ano passado. Neste ano o país já soma 1.190 casos, conforme dados preliminares.
Já nos Estados Unidos foram registrados 2.144 casos de sarampo em 2025 e 721 neste ano.
Esse cenário de agravamento culminou na perda do status da Região das Américas como zona livre de transmissão endêmica de sarampo em novembro de 2025. Atualmente, o risco regional é classificado como “muito alto” devido à transmissão comunitária ativa, persistência dos surtos e à baixa cobertura vacinal em diversos países.
A coordenadora de vigilância em saúde na SRS Montes Claros, Agna Soares da Silva Menezes, observa que o Brasil mantém o status de país livre da circulação endêmica do vírus do sarampo, conquistado em 2024. No ano passado o país registrou 3.952 casos suspeitos da doença, dos quais 46 permanecem em investigação. De 38 casos confirmados da doença, dez foram importados; 25 classificados como relacionados à importação e três apresentaram fonte de infecção desconhecida.
De acordo com a Nota Técnica do Ministério da Saúde, “um dado alarmante é que 94,7% dos casos confirmados de sarampo em 2025 (36 de 38) ocorreram em pessoas sem histórico vacinal”, observa a coordenadora.
Neste ano, até a semana epidemiológica 10, o Brasil registrou 232 casos suspeitos de sarampo e confirmou dois: uma criança de seis meses, residente em São Paulo (com histórico de viagem à Bolívia) e uma jovem de 22 anos, residente no Rio de Janeiro (com investigação em andamento). Em ambos os casos as vítimas não são vacinadas contra o sarampo.
“O cenário epidemiológico reforça a vulnerabilidade do Brasil frente à reintrodução do vírus do sarampo. A combinação de surtos ativos em países vizinhos, fluxo contínuo de viajantes, brasileiros não vacinados e a confirmação de casos importados faz com que o risco de casos e surtos de sarampo seja alto, o que exige estratégias de prevenção e resposta imediata diante da suspeita de um caso”, destaca o Ministério da Saúde.
Vacinação
Agna Menezes lembra que o sarampo é uma das doenças que podem ser prevenidas por meio de vacinas disponibilizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), contemplando pessoas com idade entre um a 59 anos.
Dados do Ministério da Saúde dão conta de que, em 2025, a cobertura da primeira dose de vacina contra o sarampo atingiu 92,66%. Apesar de ter ficado abaixo da meta de 95%, a cobertura vacinal apresentou uma homogeneidade de 64,56% (3.596 municípios atingiram a meta ideal). Já a cobertura da segunda dose de vacinação atingiu 78,02%, com uma homogeneidade de 35,24% (1.963 municípios).
“Esses resultados evidenciam que ainda há pessoas não vacinadas contra o sarampo no Brasil. Assim, o risco de reintrodução do vírus aumenta com o retorno de viajantes brasileiros infectados ou da chegada de viajantes estrangeiros infectados, levando a uma potencial ocorrência de surtos e epidemias de sarampo”.
Esquema vacinal – para quem for viajar
Para adultos que vão viajar para a Copa do Mundo levando crianças, o Ministério da Saúde recomenda que menores de seis meses a 11 meses e 29 dias de vida devem tomar a “dose zero” da vacina contra o sarampo, no mínimo, 15 dias antes para ter tempo hábil para a produção de anticorpos.
Para crianças de 12 meses a adultos de 29 anos que precisam receber o esquema vacinal completo de duas doses da vacina contra o sarampo, o ideal é que a primeira dose seja aplicada, no mínimo, 45 dias antes da viagem a fim de ter tempo hábil de receber a segunda dose (30 dias depois da primeira) e ter período adequado para produção de anticorpos.
Já adultos de 30 a 59 anos que precisam receber uma dose da vacina contra o sarampo devem procurar as unidades de saúde, no mínimo, 15 dias antes da viagem.
Em situações em que a vacina não foi administrada no período ideal, ainda assim o recomendável é que o viajante receba pelo menos uma dose antes de viajar, até mesmo no dia do embarque.
Por: Pedro Ricardo
Foto: Agência Brasil
