Além dos farmacêuticos, encontro reuniu referências municipais em tuberculose e hanseníase e representantes da Atenção Primária
A Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Ponte Nova, por meio da Coordenação de Assistência Farmacêutica (CAF), promoveu reunião técnica, no dia 11/3, em sua sede, destinada a farmacêuticos e referências técnicas das áreas de Vigilância Epidemiológica e Atenção Primária à Saúde (APS) dos 30 municípios que compõem o território. As apresentações, relacionadas à hanseníase e à tuberculose, contaram com a parceria do Núcleo de Vigilância Epidemiológica (Nuvepi) da SRS e de profissional farmacêutico da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Ponte Nova.
A referência técnica em Hanseníase do Nuvepi/Ponte Nova, Mônica Cunha, apresentou o Boletim Epidemiológico da Hanseníase: Mapeamento da Rede de Atenção Assistencial e Laboratorial, de sua autoria. O estudo avaliou as notificações de casos diagnosticados entre os anos de 2010 e 2025 na região. Mônica chamou a atenção para as notificações em menores de 15 anos no período avaliado, o que indica que está ocorrendo transmissão recente da doença. “As equipes municipais devem intensificar a busca ativa. O grau de sequelas e incapacidades dos pacientes indica que o diagnóstico está sendo feito tardiamente”, alertou.
A reunião também contou com a contribuição da referência em Tuberculose do Nuvepi/Ponte Nova, Dádiva Rodrigues, que trouxe o panorama da doença no território por meio de análise dos anos 2014 a 2024, com 770 casos notificados no período. Pelo fato de alguns municípios permanecerem sem casos novos há mais de três anos, ela frisou que a busca ativa dos sintomáticos respiratórios (pessoas com tosse persistente por, pelo menos, duas semanas) é fundamental. “A abordagem passiva, em que se espera o paciente procurar o serviço com os sintomas agravados, deve ser substituída pela abordagem ativa. Nela, as equipes vão a campo, permitindo que sejam feitos o controle clínico e a contenção imediata da doença”, explicou.
Assistência Farmacêutica
O coordenador da CAF/Ponte Nova, Marcos Luiz de Carvalho, detalhou o tratamento medicamentoso da hanseníase, realizado com a associação de três antimicrobianos (rifampicina, dapsona e clofazimina), denominado Poliquimioterapia Única (PQT-U), o que diminui a resistência do bacilo. “Os medicamentos são seguros e eficazes e, ainda no início do tratamento, a doença deixa de ser transmitida. Para isso, o diagnóstico deve ser precoce para que a busca de contatos e o tratamento sejam realizados em tempo oportuno”, informou.
Em relação à tuberculose, Carvalho discorreu sobre o tratamento medicamentoso em duas fases: a intensiva (ou de ataque), que objetiva eliminar ou reduzir os bacilos, diminuindo o poder de contágio, e a de manutenção, que visa eliminar os bacilos latentes/persistentes e reduzir a possibilidade de recidiva da doença. Foram mencionados, também, os novos esquemas de tratamento em crianças, adolescentes, gestantes e pacientes com condições especiais, como diabéticos e pessoas com disfunção ou doença no fígado, além de possíveis reações adversas. Houve, ainda, a pactuação de fluxo de solicitação de medicamentos para tuberculose e hanseníase junto à SRS Ponte Nova.
O farmacêutico da SMS Ponte Nova, Gerson Moreira, trouxe informações sobre a disponibilidade de estratégias de prevenção ao HIV ofertadas pelo Serviço de Atendimento Especializado (SAE)/Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), via Unidade Dispensadora de Medicamentos Antirretrovirais (UDM-ARV), como a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP). “A primeira estratégia consiste no uso de medicamentos antirretrovirais por pessoas que não vivem com o HIV, antes de uma possível exposição ao vírus. Já a segunda utiliza os medicamentos antirretrovirais após uma possível exposição, reduzindo o risco de infecção”, orientou.
Por fim, Moreira abordou o fluxo para atendimento de pacientes com tuberculose no município de Ponte Nova, que tem a APS como centro e os seguintes componentes: laboratório central, consultórios privados, assistência farmacêutica e vigilância epidemiológica municipais, hospitais locais, SAE/CTA/UDM-ARV e a referência secundária e terciária, em caso de encaminhamento para Belo Horizonte.
Por Tarsis Murad
Foto: Tarsis Murad
