Conexão Viral capacita profissionais para enfrentar síndromes respiratórias na Regional de Passos

Conexão Viral capacita profissionais para enfrentar síndromes respiratórias na Regional de Passos Iniciativa da SES-MG reúne cerca de 100 participantes e reforça preparo da rede de saúde para o período sazonal

A Superintendência Regional de Saúde de Passos (SRS Passos) promoveu, na terça-feira (24/3), a “Conexão Viral em Campo”, ação da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) voltada à capacitação de profissionais para o enfrentamento das doenças respiratórias no período sazonal. O evento ocorreu em Passos e reuniu cerca de 100 participantes, entre médicos, enfermeiros e equipes de vigilância em saúde e epidemiológica dos municípios da região.

A iniciativa tem como foco preparar os profissionais que atuam na linha de frente para o atendimento de casos de síndrome gripal (SG), síndrome respiratória aguda grave (SRAG), sarampo e outros agravos de relevância epidemiológica. Realizada no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil – Subseção Passos, a capacitação contou com a participação da Força Estadual do Sistema Único de Saúde (FE-SUS) em Minas Gerais, que conduziu atividades práticas com estudos de casos reais e manejo clínico de pacientes.

A superintendente Kátia Rita Gonçalves observa que a influenza é uma das principais preocupações das autoridades de saúde, devido à sua alta transmissibilidade e à sua capacidade de gerar surtos epidêmicos. “A realização de capacitações e simulações clínicas para a preparação dos profissionais de saúde contra a SG e SRAG é determinante para garantir uma resposta rápida, segura e eficiente, especialmente durante picos sazonais, como outono e inverno, ou surtos epidêmicos”, disse. 

Ainda conforme Kátia Gonçalves, eventos como a Conexão Viral são planejados para organizar o fluxo de atendimento, expandir a capacidade de leitos e estabelecer processos para triagem rápida. “Isso inclui a notificação de casos que possibilitam a disseminação de informações, permitindo que os profissionais se antecipem ao aumento de casos”, explicou, acrescentando a importância dos gestores de saúde no processo para assegurarem o acesso, atendimento de qualidade e intervenções oportunas.

A programação foi organizada pelo Núcleo de Vigilância Epidemiológica (NUVEPI) da SRS Passos e abordou temas como acolhimento qualificado, diagnóstico diferencial, protocolos clínicos atualizados, estratégias de prevenção — incluindo vacinação e medidas de biossegurança — além de ferramentas de vigilância, como notificação, coleta de amostras e resposta a surtos.

“Então, foi uma capacitação muito oportuna com a participação desses técnicos aqui em nosso território. A nossa expectativa é de estabelecer uma rede de colaboração, em que gestores e especialistas possam dialogar e, juntos, estabelecerem medidas para evitar que os vírus respiratórios tenham livre circulação nos nossos territórios e, concomitantemente, fazendo adoecer muitas pessoas”, disse a coordenadora do Núcleo de Vigilância Epidemiológica, Márcia Aparecida Silva Viana.

Segundo o infectologista Luiz Carlos Coelho, da FE-SUS/MG, a força estadual percorre todas as regionais de saúde para fortalecer a resposta assistencial. “Nos meses de fevereiro e março, nós estamos trabalhando, capacitando, atualizando protocolos e criando fluxogramas para que as equipes de saúde estejam preparadas para que, em breve, quando chegar o período sazonal da síndrome gripal e da síndrome respiratória aguda grave, todo mundo já esteja instrumentalizado com os protocolos e o manejo clínico adequado das infecções respiratórias”, explica.

O médico alerta para a circulação de diversos vírus, como influenza A e B, sars-cov-2 (covid-19), vírus sincicial respiratório e rinovírus. “A síndrome gripal é caracterizada por um quadro de dor de cabeça, de febre, dor de garganta, dor no corpo, evoluindo com tosse”, observa. “E a síndrome gripal pode evoluir de uma maneira muito desfavorável em crianças pequenas, tanto é que o vírus sincicial respiratório tem sido responsável por muitos casos de bronquiolite, de óbito de crianças menores de dois anos e em idosos”, alerta.

Para o enfermeiro da FE-SUS/MG Thiago Martins de Oliveira, a expectativa é de que o conhecimento adquirido seja multiplicado entre as equipes. “O objetivo é que todos estejam prontos e preparados para que, se houver o aumento de casos mais graves, todos estejam preparados para poder atender da melhor forma, conhecendo os principais sinais e sintomas, os principais agravos, lembrando de notificar e conhecendo as principais hipóteses diagnósticas, fazendo a diferenciação clínica entre elas”, disse.

A médica nutróloga e professora da UEMG, Elaine Cristina Santos Queiroz, que atua em Itamogi e São Sebastião do Paraíso, destacou a importância da atualização constante. “A gente acha que sabe, mas toda vez que vamos a esses eventos, realmente, reconhecemos o quanto precisamos aprender mais”, avaliou.

A Conexão Viral em Campo continua na quarta-feira, com a visita técnica da FE-SUS/MG e referências técnicas da SRS Passos e municípios a unidades de pronto atendimento e hospitais. O objetivo é conhecer os fluxogramas, conhecer o trabalho realizado e as experiências exitosas dos municípios para serem analisados e possivelmente replicados em outras regiões.

Por Enio Modesto

Foto: Enio Modesto e Divulgação SRS Passos

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