Campanhas de gripe e sarampo apresentam desafios e mobilizações na região central

15-06-22-SRSBHVacina

As campanhas de vacinação contra influenza e sarampo foram prorrogadas até o dia 24 de junho, uma tentativa de mudar o cenário de baixas coberturas vacinais. Nos 39 municípios da Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Belo Horizonte da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) alguns municípios alcançaram as metas preconizadas pelo Ministério da Saúde (MS) nas campanhas contra a Influenza e contra o Sarampo: Bonfim, Piedade dos Gerais, Rio Manso e Sarzedo. As metas, segundo o MS, são de 90% do público- alvo da vacinação de gripe e 95% do público-alvo de vacinação do sarampo.

A professora aposentada Lindeia Gonçalves Mendes, 73, é entusiasta do Programa de Imunização. “Tomei todas as doses da vacina contra covid-19 e, agora, também da gripe. Vacinar é muito importante e mantenho o cartão de vacinação sempre atualizado”, disse Lindeia. Contudo, as dificuldades em atingir as metas de vacinação demonstram que parte importante da população não tem o mesmo entusiasmo.

Referência em imunização na SRS-BH, Joana Costa Lopes, salienta que, historicamente, o grupo dos idosos, trabalhadores da saúde e crianças eram fáceis de se vacinar e alcançar as metas preconizadas pelo Ministério da Saúde. “Desde 2020, esses grupos não estão comparecendo às unidades de saúde para serem vacinados, e em conversas com os coordenadores municipais de imunização vemos que este cenário é geral. A situação é bem preocupante e nos perguntamos como passamos de um país modelo, com tradição em vacinação para um país com coberturas vacinais tão baixas. Acreditamos que o principal motivo dessa queda sejam as Fake News, pois vemos cada vez mais pessoas utilizando a internet para espalharem notícias sem quaisquer evidências científicas e outras pessoas acreditando no que está na rede, sem se preocuparem com a veracidade da informação”, disse a referência.

A diretora de Imunização do município de Contagem, Clarissa Domingos de Castro, explica que a campanha de vacinação de Influenza e sarampo teve uma baixa adesão desde o início. “Sobre a campanha de sarampo muitos pais não estão levando seus filhos, mesmo o município fazendo várias chamadas nas mídias e redes sociais. Já os trabalhadores da saúde acham que já têm dose no cartão e não precisam se vacinar, mesmo sendo uma vacinação indiscriminada”. Em relação à gripe, Castro destaca que a população, mesmo com a pandemia, não vem buscando a imunização desde 2021. “Na Campanha de Influenza atual, o único grupo que conseguimos atingir a meta de vacinação foi o de privados de liberdade. O pior grupo na cobertura vacinal são as gestantes e puérperas. O município e o País têm sofrido com as baixas coberturas vacinais tanto na campanha quanto nas vacinas de rotina”.

Com êxito na campanha de gripe, Ribeirão das Neves atingiu a meta de 90% em quase todos os grupos prioritários. Assim como em Contagem, as gestantes e puérperas constituem desafio para a gestão. “Em média, estamos com 88% do público-alvo vacinado, o que nos traz certo alívio, mas, seguimos firmes com o propósito de alcançar todo o grupo preconizado”, destaca a enfermeira e coordenadora de imunização do município, Viviane Pinheiro. A respeito da imunização contra o sarampo, Pinheiro enfatiza a importância da vacina para as crianças. “As equipes de Estratégia de Saúde da Família (ESF) estão monitorando a situação vacinal das crianças cadastradas para que possamos atingir a meta e proteger os pequenos”.

Para a proteção das crianças, o papel dos responsáveis é fundamental. João Marcelo tem um ano e dois meses. Nascido durante a pandemia de covid-19, tem em seus pais, advogados Luiz Henrique Marques do Nascimento, 39 e Janaína Dayrell da Cunha Batista, 43, exemplos de proteção. Com o cartão de vacinação completo, o pequeno está protegido também contra o sarampo. ”A vacinação é o único meio de imunizá-lo. Vemos como uma obrigação dos pais e responsáveis, já que protege tanto a criança quanto a coletividade. Quanto mais gente vacina, menor é a escalada da doença”, ressalta Luiz Henrique.

No mesmo contexto, o empresário Ricardo Daniel de Miranda, 43, pai de Augusto, 11, e Henrique, 9, afirma que as vacinas contra sarampo e gripe trazem tranquilidade e segurança. “Os cartões de vacina deles estão em dia. Quando tinham que vacinar contra sarampo, foram vacinados. Saúde é a base de tudo. Para estudar, viver. Ter um pouco mais de paz e tranquilidade nessa vida”.

 

Autor: Leandro Heringer

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